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Blog de tenorio.moura


Eleições 2010 ou temporada de voracidade explícita

 

No último dia 20, os postulantes ao cargo de deputado ligados ao nosso município, em uma demonstração de maturidade e bom censo, reuniram-se na câmara municipal para exporem suas razões para almejarem a uma vaga em uma casa parlamentar, seja na Assembleia Legislativa, seja na Câmara dos Deputados.

No entanto o desenrolar da reunião foi frustrante, muitos oradores, longos discursos prosélitos, e quase nenhum pragmatismo. Nada se resolveu, as ideias que já estavam postas diante da comunidade foram ratificadas por quase todos, mas não acertadas. Não houve consenso sequer sobre o critério a ser adotado para se decidir quem será o candidato único da cidade, logo é de se duvidar e muito se haverá realmente consenso em torno de um único nome.

Houve até mesmo a sugestão, por parte de um dos postulantes, de se levar em conta em primeiro lugar a questão da legenda e não os índices de intenção de voto. Ora, tal proposta é, se não facciosa, um chiste. Só vem corroborar a falta de feeling do dito candidato a candidato. Querer formar uma ampla frente municipal tendo em vista somente a expectativa de eleição mais fácil por estar filiado a um partido nanico é o mesmo que esperar o fim do mundo em 2012 só porque um bando de esotéricos assim está propalando baseando-se em evidências naturais tão antigas e repetitivas quanto a existência do próprio mundo!

Não sou matemático, sou um homem das letras, mas não é preciso ser nenhum expert em números para compreender que neste caso específico dois mais dois não são quatro. Como disse o sábio autor do Eclesiastes, tudo depende do tempo e do acaso. Todos sabemos, por conta de algum amigo ou conhecido que foi candidato bem votado, mas perdeu as eleições, que nosso sistema eleitoral é falho, mas é o que temos em nossas mãos, portanto temos de lutar com as armas que temos e não que gostaríamos de ter.

Tomemos como exemplo a nossa câmara municipal, são nove vagas, no entanto não são necessariamente eleitos os nove mais votados. Após o término das apurações é feito o quociente eleitoral tendo como base o número total de votos válidos divididos pelo número de cadeiras em disputa. O quociente nas últimas eleições municipais foi de algo em torno de 1.200 votos, ou seja, a cada 1.200 votos as coligações ganhavam o direito a um representante no parlamento municipal. Assim sendo, houve candidato com quase quatrocentos votos que perdeu eleições para quem teve pouco mais de trezentos, pois o partido daquele não conseguiu atingir o índice para elegê-lo.

Os exemplos neste sentido são abundantes, proliferam-se eleição após eleição apresentando discrepâncias muito maiores. Tanto que, por causa do tal quociente, tornou-se comum entre postulantes a um cargo eletivo buscarem o partidos nanicos como meio de viabilizar suas eleições, teoria correta. Somente a teoria, pois ao barrar os figurões na porta de entrada tornam-se partidos sem densidade eleitoral, incapazes de atingir o quociente, logo todos os seus candidatos, que ingenuamente acharam que haviam descoberto o caminho das pedras, morrem abraçados. Prova disso é o PT do B de nosso município, que teve sozinho mais candidatos ao cargo de vereador do que nossa câmara comporta, no entanto não conseguiu eleger ninguém.

Não há garantia de caminho mais curto rumo ao Eldorado, não há fórmula mágica. Existem casuísmos, isto é incontestável, mas lançar-se a uma candidatura no escuro, sem saber com certeza sequer quem serão seus companheiros de chapa, que dirá seus adversários; é o mesmo que lançar-se ao mar em uma jangada sem ter nem vela, nem remos, nem bussúla. Então lhe pergunto, amigo leitor, você toparia um convite para viajar com alguém nestas condições?!

Da mesma forma que um candidato a um cargo majoritário não pode se dar ao luxo de escolher adversário, um candidato a um cargo legislativo não pode esperar contar com dezenas de resultados, dentro e fora de seu partido, para se eleger. Tem é que ser bom de voto, tem que se eleger porque fez por merecer sendo um dos mais votados, e não ficar à espera de uma soma de resultados (isto me lembra o nome de um filme: A espera de um milagre!)

Falando francamente, esperar que todas as lideranças políticas de nossa cidade fechem com um candidato nestas circunstâncias só pode ser muita ingenuidade ou má fé. Um indivíduo com qualquer dos dois predicados não serve para ser um legitimo representante do povo. Aliás, este, que propôs tal disparate, sequer respeita a vontade do povo, afinal espera que uma pesquisa de preferência popular seja o último quesito a ser avaliado. Ora, vejam essa: alguém que não respeita a vontade do povo querendo ser seu representante!

Alguém, por favor, avise ao digníssimo aspirante à autoridade que, apesar da amizade do nosso presidente com o Fidel, não vivemos em uma republiqueta de bananas e que o povo de Cassilândia não é acéfalo!

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 

 

 



Escrito por tenorio.moura às 17h42
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VOCÊ SABIA QUE...

- Mais de um bilhão de pessoas no mundo vive com menos de um dólar por dia;

- Cada dia, morrem, por causa da fome, 24 mil pessoas. 10% das crianças, em países em desenvolvimento, morrem antes de completar cinco anos...

- um terço da população é mal alimentado e outro terço está faminto.

- Que a cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O Brasil é o 9º pais com o maior número de pessoas com fome...

- Atualmente, cerca de 1,2 bilhão de pessoas se encontra no estado de alta pobreza devido às condições climáticas de suas regiões.

Você Sabia?

- Mais de um bilhão de crianças, a metade dos menores do mundo, é castigado pela pobreza, as guerras e a Aids;

- Todos os dias, o HIV/AIDS mata 6.000 pessoas e infecta outras 8.200 .

- Todos os anos, seis milhões de crianças morrem de má nutrição antes de completar cinco anos.

- Cerca de 90 mil crianças e adolescentes são órfãos no Brasil, à espera de uma adoção.

- a escassez de água já atinge 2 bilhões de pessoas. Esse número pode dobrar em 20 anos...

Você Sabia?

- Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto;

- No Brasil, são 33,9 milhões de pessoas sem casa. Só nas áreas urbanas, são 24 milhões que não possuem habitação adequada ou não têm onde morar.

- Que vinte e cinco milhões de pessoas são dependentes de drogas no mundo;

- Que os indígenas continuam a ser vítimas de assassinatos, violência, discriminação, expulsões forçadas e outras violações de direitos humanos.

Você Sabia?

- Mais de 2,6 bilhões de pessoas não têm saneamento básico e mais de um bilhão continua a usar fontes de água imprópria para o consumo.

- Cinco milhões de pessoas, na sua maioria crianças, morrem todos os anos de doenças relacionadas à qualidade da água.

- No mundo inteiro, 114 milhões de crianças não recebem instrução sequer ao nível básico e 584 milhões de mulheres são analfabetas.

Você Sabia?

- Que é gasto 40 vezes mais dinheiro com cosméticos do que com doações...

- É gasto 10 vezes mais dinheiro com armas do que com educação básica;

- O Brasil é campeão mundial de desmatamento. Em segundo lugar está a Indonésia: 18,7 km² por ano e, em terceiro, segue o Sudão, com 5,9 km2.

- O país perdeu um campo de futebol a cada dez minutos na Amazônia, nos últimos 20 anos.

...Agora você já sabe.

E vai ficar aí parado? Tome uma atitude.

Milhões de Pessoas em pobreza extrema precisam da sua ajuda!

Seja voluntário você também!

 

Planeta Voluntários
www.planetavoluntarios.com.br
Porque ajudar faz bem!



Escrito por tenorio.moura às 19h09
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O TRÂNSITO NOSSO DE CADA DIA

 

O fim do ano está chegando e a chiadeira é uníssona nas escolas, ninguém aguenta mais tanto projeto (além da obrigação básica de esgotar a ementa): é combate contra a dengue, campanha do agasalho, contra o tabagismo, de alimentação saudável, do meio-ambiente, de trânsito (às vezes brincamos erroneamente que ser professor, hodiernamente, é trabalho para Hércules, conversa fiada, nem o filho de Zeus daria conta do recado).

Não, amigo leitor, não estou querendo que você segure o lenço para eu chorar, como diz um colega meu de profissão: emas, emas, emas, cada um com os seus problemas. E já que o assunto é o problema cotidiano de cada um, nada mais apropriado que aproveitarmos este encontro virtual para falarmos do nosso problema diário! É, meu companheiro, mesmo se você não for professor, como eu, dia após dia tem de descascar ao menos um dos abacaxis acima: o trânsito.

Para quem está acostumado ao meu estilo ácido, às vezes um tanto quanto intempestivo, pode estar estranhando o tema abordado, explico: trânsito é questão de cidadania, de respeito pelo próximo, de zelo pelo perfeito funcionamento de um sistema de coisas que busca privilegiar o coletivo, em detrimento do indivíduo. Logo pergunto-lhe: há conceito mais fidedigno do que vem a ser cidadania que isso?

A Educação para o trânsito é muito mais que ensinar um conjunto de regras para que se garanta o fluxo contínuo e seguro de veículos e pedestres; é ensinar que ninguém é mais que ninguém, que em sociedade há momentos de avançar e momentos de recuar. É ensinar que quem é maior, mais poderoso, tem a obrigação ética e moral de zelar pelos mais fracos. É ensinar a cortesia, o espírito de cooperação e solidariedade. É preparar o indivíduo emocionalmente para o confronto com a diversidade sem perder a capacidade de empatia. Enfim, posso afirmar categoricamente, sem medo de ser piegas, que educar para o trânsito é educar para a vida!

É público e notório que a relação dos cidadãos de países desenvolvidos com seu trânsito é bem diferente da nossa, aliás não é à toa que morrem mais pessoas no trânsito brasileiro que em qualquer guerra em curso no planeta. Trata-se de uma questão de consciência de cada um; neste caso as autoridades pouco podem fazer: aumento do contingente policial aqui, uma câmera de segurança ali, manutenção nas estradas, leis mais rígidas, mas nada disso faz sentido algum se não houver uma mudança de mentalidade por parte dos condutores e, neste sentido, nós, “emergentes e subdesenvolvidos tomamos uma goleada dos desenvolvidos”, as estatísticas de trânsito corroboram minha afirmação.

Recentemente participei de uma série de seminários do Rotary em Birigui e dei boas gargalhadas com o depoimento de um juiz federal. Ele dizia que, quando estava fazendo seu doutorado na Inglaterra, foi flagrado por um guarda por excesso de velocidade. Ao ser gentilmente abordado por este, que lhe perguntou se estava com algum problema urgente, se poderia auxilia-lo em algo, pensou que poderia ser sincero e tudo ficaria por isto mesmo. Disse que havia se distraído um pouco e por isso excedera o limite. Para seu espanto ele foi pesadamente multado, mas não ficou só nisso. Lá, há uma audiência com um juiz na presença do oficial que o autuou para que se proceda o pagamento da multa ou sua contestação. O juiz o inquiriu sobre o motivo de sua infração e ele, ingenuamente, apresentou o mesmo motivo dado ao guarda. Resultado: além de ter de pagar a multa, foi condenado a sete meses de tratamento psicológico!

Meu irmão  voltou recentemente da Irlanda, onde morou por mais de quatro anos. Lá a lei seca realmente funciona, as pessoas dirigem-se aos bares e restaurantes de carro, bebem (e olhe que bebem muiiiito), deixam seu carro estacionado diante do estabelecimento onde “tomaram todas”, chamam um táxi e vão para casa. No outro dia, depois de passada a “carraspana” voltam para buscar seu veículo. Ele morava sobre um restaurante e diz que aos domingos de manhã havia mais carros estacionados na avenida onde morava, a principal da cidade, que em qualquer dia da semana.

Afirma ele também que pedestre cego pode atravessar a rua sem temer nada, pois, embora a maioria procure usar a faixa de pedestres, se você levantar o braço indicando que irá atravessar a rua, em qualquer ponto, os veículos param todos na hora!

Em uma única situação ocorreu de um veículo frear encima da borda da faixa no momento em que ele atravessava a rua. O motorista desceu do carro pedindo-lhe perdão quase de joelhos e oferecendo-lhe carona! Dá pra acreditar?!

Em menos de uma semana em Cassilândia, quase foi atropelado por uma viatura da polícia, mesmo estando sobre a faixa de pedestres (aquela próxima ao Banco do Brasil). O condutor sequer olhou no retrovisor para verificar se estava tudo bem com sua quase vítima.

No entanto tal episódio não é nenhuma novidade para nós, pobres emergentes. Nosso trânsito é um mero reflexo de nossas relações sociais: distorcidas, vituperadas, escamoteadas...

Quem sabe, um dia, aprendamos o pleno exercício da cidadania com o trânsito dos europeus?

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia). 



Escrito por tenorio.moura às 15h47
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Tribuna cerceada

 

Lamentável, é tudo o que posso dizer a respeito da decisão de nossos ilustres vereadores de revogar a resolução nº. 007-I/97 de 30 de junho de 1997 que “Institui a TRIBUNA LIVRE na Câmara Municipal de Cassilândia.

Um contra-senso histórico, inadmissível! Como explicar para as futuras gerações que cidadãos de mente aberta, aptos ao debate, preparados para a convivência com a diversidade, ao primeiro sinal de que tal mecanismo, tão útil, mas tão mal divulgado, passaria a ser periodicamente requisitado; resolveram cancelá-lo, silenciando a voz daqueles que não se julgam devidamente representados no parlamento municipal?

Só gostaria de lembrar aos nossos digníssimos edis que a distância da Câmara Federal e da Assembleia Legislativa é bem maior que a da Câmara Municipal. Nossos deputados blindam-se por meio da distância e do ritualismo necessário para se chegar até eles,  assim a grande maioria deles é de meros desconhecidos do eleitorado, só são vistos de quatro em quatro anos, quiçá de dois em dois; logo acabam não tendo de responder a nenhum eleitor sobre o que fazem ou deixam de fazer de “seus” mandatos “sim”, mas por nós outorgados. Fazem tudo o que lhes apetece contando com o esquecimento ou mesmo a conivência da mídia. No entanto, em cidades como a nossa, em que nossas autoridades dividem a fila do supermercado conosco, é preciso cuidado redobrado para não se tomar atitudes tão mal vistas.

Ao invés de dar fim à tribuna livre, seria de muito melhor tom torná-la mais conhecida do grande público, convidar associações, sindicatos, clubes de serviço ... para ocupá-la periódica e sistematicamente. Tal medida melhoraria a qualidade da nossa democracia, pois estimularia a participação popular e, estou certo, desabrochariam novos talentos, além de forçar a contínua melhoria do nível dos nossos parlamentares. Mas como quem está no poder parece esquecer-se de que foi eleito democraticamente, este atual estado de coisas favorece justamente àqueles que não suportam a democracia, então adotam tais medidas que não visam outra coisa senão a alienação, o desinteresse pela efetiva participação popular.

Sei que alguns estranharão meu posicionamento, afinal tenho dois parentes que ocupam cadeiras no parlamento municipal, quero crer que estes não concordaram com tal presepada acintosamente e que farão o que estiver ao alcance deles para corrigir tal equívoco. Porém mesmo que assim não o for, faço minhas as palavras de um famoso escritor e político inglês do século XIX, Bertold Brecht, que dizia que aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.

Para concluir meu desabafo, amparo-me nas palavras do genial frei Betto, muito mais conciso e impactante que eu:

 

“Os que governam o povo não suportam os que querem governar com o povo”

Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 16h17
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Mais uma do governador falastrão

 

Nosso excelentíssimo governador tem se especializado, nos últimos tempos, em se desculpar por seu habitual destempero verborrágico. Refiro-me ao fato de ele ter, em uma reunião com líderes empresariais no último dia 23, se referido ao ministro do meio-ambiente utilizando-se de termos de baixo calão, tais como “viado e maconheiro”. Sem falar no absurdo de afirmar que, se o mesmo vir a Campo Grande no próximo mês participar de evento em defesa do meio ambiente, será estuprado por ele próprio, Puccinelli, em praça pública.

Isso para não falar no recente e lastimável episódio em que ele tachou os professores de vadios em rede nacional por reivindicarem o direito garantido por lei a cumprirem 1/3 da carga horária em planejamentos pedagógicos.

Em ambos os casos o digníssimo mandatário percebeu, provavelmente alertado por seus assessores, que falou asneira e, em menos de vinte e quatro horas voltou atrás, não se desculpando, mas afirmando que sua intenção não era ofender ninguém, que estava só fazendo uma brincadeira entre amigos íntimos e que ninguém se sentira ofendido em tais situações, pois entenderam o teor humorístico das colocações.

O que o ilustre gestor não conseguiu compreender, ainda, é que seu pendor cabotino tem sido responsável por um desgaste eleitoral atrás do outro, afinal atrás de toda brincadeira há um fundo de verdade. Portanto, governador, aconselha-se que o senhor guarde esse humor caustico, negro, depreciativo e preconceituoso para o senhor e sua família, afinal ela sim deve conhecer sua verdadeira face e não se chocar com ela!

Ressalte-se que o preconceito, além de socialmente condenável, não tem, como alguns querem fazer parecer, qualquer embasamento bíblico, e afirmo isso na condição de alguém que cresceu em um lar protestante. Senão vejamos o livro de Mateus (9:10-13):

 

E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.

 

Assim sendo conclui-se que o mestre, Cristo, não carregava em si qualquer resquício de reacionarismo; condenava sim as atitudes, nunca as pessoas. Isso corresponde ao mesmo que condenar, por exemplo, a prática do tabagismo, mas jamais o fumante. Ninguém é melhor que ninguém por conta de sua orientação sexual. É melhor para o próprio governador, enquanto ser humano entender isso, pois a forma pejorativa com a qual ele se referiu ao fato do ministro ser homossexual e, logo na sequência, afirmar que gostaria de manter relações sexuais com o mesmo em praça pública demonstra um conflito interior gritante!

Quanto ao consumo de drogas, é fato mais que sabido até mesmo pelo mais pueril estudante que tal prática é caso de saúde pública, assim sendo, convém ao digníssimo mandatário deixar a política de lado e voltar a suas raízes, afinal o mesmo tem formação médica, e participar de alguns cursos de capacitação para atualizar-se. Quem sabe assim ele passe a ter a sensibilidade tão necessária a qualquer um que queira se dedicar à causa pública (tanto na política quanto na medicina).

Para concluir gostaria de compartilhar com o leitor um antigo conto árabe que trata justamente do poder das palavras, o governador deveria refletir bastante sobre ele para evitar novas trapalhadas:

“Certa vez uma mulher, conhecida por todos por seu vício de maldizer todos a sua volta, foi levada ao sultão para que respondesse pelas calúnias que havia proferido em toda a feira da cidade. O imperador ouviu atentamente a defesa de tal difamadora e por fim sentenciou:

- Corte esta folha de papel em pedaços minúsculos e os esparrame ao longo de toda a feira, depois volte aqui.

A mulher, saltitante foi cumprir sua punição tão inusitada quanto branda. Quando voltou foi surpreendida com uma segunda parte da sentença:

- Agora volte, recolha todos os pedaços e reconstitua a folha de papel.

A mulher redargüiu:

- Meu senhor, é impossível cumprir tal sentença. Como conseguirei reunir todos os pedaços novamente e ainda deixar a folha como era antes?!

- Esse é justamente o cerne da questão – afirmou o sultão - você não se importou em manter intacta a moral e a honra das pessoas a sua volta. Tais predicados são tão frágeis quanto uma folha de papel. Ou você cumpre esta sentença ou será decapitada!”

O fim dessa mulher, todos podem imaginar. Já a do governador falastrão...

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 18h50
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MAIS VEREADORES PARA QUÊ?

 

A Câmara dos Deputados, em mais um ataque de chiste, aprovou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Vereadores. A proposta em questão aumenta o número de vereadores dos atuais 51.748 para até 59.791. Ou seja: a proposta cria mais 8.043  “empregos” diretos. Nada contra a geração de novos postos de trabalho, desde que estes sejam realmente úteis para se justificar tais expensas aos cofres públicos. Confira os “nossos” gastos com a manutenção do poder legislativo:

Ø      Senado: R$ 2.763.210.348,00 anuais com 81 senadores.

Ø      Câmara dos Deputados: R$ 639.600.000,00 por ano com 533 deputados federais.

Ø      Assembléias Legislativas: R$ 121.996.800 todos os anos com 1.050 deputados estaduais

Ø      Câmaras de vereadores: R$ 3.060.000.000,00 anualmente com 51 mil vereadores.

 (fonte: IBGE) 

Tais cifras dariam para, por exemplo, pagar quase 400.000 professores por um ano! E olhe que não foram computados gastos com manutenção dos prédios, pagamento dos funcionários concursados, material de expediente, água, luz, telefone ...

Tal deliberação da Câmara dos Deputados corrobora a afirmação do ex-presidente francês Charles de Gaulle de que “o Brasil não é um país sério”.

Na verdade, os parlamentares que estão no poder praticamente nada fazem; quando fazem, acabam gerando gastos desnecessários aos brasileiros, criando vagas totalmente inúteis para o exercício da (falsa) democracia em que se vive.

Enquanto o mundo todo corta gastos com a manutenção da máquina pública, o Estado brasileiro engorda os seus criando um círculo vicioso praticamente sem fim.

Felizmente a Justiça Federal posicionou-se contra tal medida e está fazendo o que lhe é possível: atrasar a volta desse trenzinho da alegria som seus mais de 8000 passageiros.

O estágio de inconsciência letárgica dos nossos deputados é tamanho que prioridade é uma palavra que precisa de tradução. Nossos representantes são tão pretensiosos que se tornaram aspirantes a Jesus Cristo, a cada dia querem ressuscitar um novo defunto. Primeiro foi a CPMF, agora são os antigos aliados políticos (leia-se ex-vereadores) que, sem se aproveitarem das benesses do poder, não tem meios para serem cabos eleitorais eficientes nas bases eleitorais.

A função de um legislador é fiscalizar o poder executivo e legislar. Então lhe pergunto, amigo leitor cassilandense, quantas leis são aprovadas ou emendadas por mês em nossa câmara? Quantas leis nas últimas, digamos, 3 legislaturas (12 anos!) resultaram em progresso para nossa cidade? E quanto foi gasto para manter o legislativo ao longo deste período? Garanto-lhe, sem medo de errar, que a relação custo-benefício não compensou.

Você pode dizer que o vereador “Fulano de Tal” asfaltou o meu bairro, construiu uma creche, instalou um posto de saúde. Ledo engano. Ele conseguiu, sim, que o poder executivo desse prioridade a tais obras (nessa hora eles sabem o que é prioridade); porém a construção de obras não é função de legislador algum. Se diz que fez é para te enganar. Pode me dizer que ele conseguiu aposentar o seu avô, sessões de fisioterapia para a sua avó, pagou sua conta na farmácia, mas isso não é função de vereador, mas de assistente social! E é justamente por se verem coagidos a se manterem neste desvio de função, sob pena de perderem as próximas eleições, é que se acham no direito de serem, em sua maioria avassaladora, legisladores medíocres.

De fato vivemos na “República dos Pedintes” (isso me lembra uma música do Skank, chamada ‘Esmola’, se não me engano). O povo permanece indiferente a toda esta presepada aprontada pelos detentores do poder porque se curvou à mais acintosa distribuição de recursos públicos com fins eleitoreiros já vista na história deste país (pomposamente chamada de “Bolsa Família”).

Que Deus salve o Brasil!

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia). 

 



Escrito por tenorio.moura às 14h51
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O papel educador da família

A educação é simultaneamente um processo e o seu resultado. Esta não é feita apenas na escola, ela tem o seu início na família. A educação é uma ação consciente que permite ao ser humano desenvolver as suas aptidões físicas, intelectuais, sociais, éticas e morais com o objetivo de cumprir a sua missão como ser humano, ou seja, educar é formar uma pessoa como um todo.

A família sofreu profundas alterações nas últimas décadas. As mães saíram de casa para trabalhar. A autoridade paterna foi limitada pelo Estado por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente. A televisão transformou-se em uma espécie de babá eletrônica.

A instituição familiar continua, ainda assim, a ser a primeira e a mais decisiva infra-estrutura moral e referencial na formação de valores em cada cidadão, tais como a ética, a solidariedade e a responsabilidade.

Importa definir o conceito de educação. Educar é, acima de tudo, dar bons exemplos. A influência dos pais na formação das crianças é inevitável.  Se os pais têm determinados valores como a honradez, a virtude, a solidariedade, entre outros, estes serão assimilados pelos seus filhos. Ensinar a uma criança que se deve ser honesto, mas seguidamente mentir perante a criança não a fará assimilar o valor que o pai tentou incutir. Tentar transmitir o valor da tolerância e do respeito, mas mostrar atitudes contraditórias também não fará com que essa criança assimile a importância de tais virtudes.

A responsabilidade, o respeito, a honestidade e todos os valores humanos são hábitos e rotinas apreendidos em família de forma inconsciente, através do exemplo do comportamento diário e não de bons conselhos, nesse caso a máxima hipócrita “faça o que eu falo e não o que eu faço” não tem valor algum.

Por isso, o papel da família na formação do homem é insubstituível e não deve ser subestimado, deve antes, ser valorizado como instituição base de toda a sociedade.


*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).




Escrito por tenorio.moura às 11h09
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FESTA JUNINA, TRADIÇÃO OU IMPOSIÇÃO?

 

 

Recentemente, dada a proximidade das comemorações do mês de junho, temos sido abordados com certa frequência por filiados ao sindicato do qual somos um dos dirigentes buscando esclarecimentos no que tange a obrigatoriedade dos mesmos laborarem em tais eventos.

O questionamento faz-se pertinente dado o cunho religioso de tais festas, pois por mais que os defensores das mesmas argumentem que hodiernamente tais comemorações fazem parte de nosso folclore, é inegável a ligação do credo católico com os referidos eventos.

Vale, ainda, salientar que antes mesmo das festas juninas terem sido adotadas pelo catolicismo eram comemorações pagãs realizadas no hemisfério norte, no mês de junho, em homenagem à deusa Juno, que, segundo consta na historiografia de tais povos, era a deusa da fertilidade; por isso no solstício de verão, hoje dia de São João, faziam rituais religiosos que contavam com muita dança, comida, bebida e até mesmo sacrifícios humanos!

Faz-se salutar que a constituição federal (artigo 5º, incisos II e VI) resguarda o direito de qualquer cidadão brasileiro de não se ver obrigado a participar de qualquer tipo de evento em que seu credo seja vilipendiado.

Ressalte-se ainda que, embora nosso país seja oficialmente uma nação laica, logo na introdução de nossa Carta Magna, a proteção de Deus é invocada por seus autores. Logo presume-se que o Estado não permite que ninguém seja preterido em seu direito inalienável de liberdade religiosa. Ratifico “de liberdade”, pois uma coisa é ser atribuído ao cidadão o livre arbítrio para decidir se deve ou não participar de uma comemoração que vai diametralmente contra seus princípios religiosos, outra é tornar tal comemoração uma data “oficial”, como se vê em larga escala nas escolas secundárias, e, assim, obrigar todos os membros da comunidade escolar a participarem da mesma, sob pena de terem o ponto cortado!

Diante do exposto, não é preciso ser nenhum especialista em Gestão de Recursos Humanos para perceber que o cenário para que situações de assédio moral ocorram está armado.

O presente clima de tensão a que quarenta milhões de evangélicos, para não citar membros de outras religiões, estão expostos é totalmente arcaico e desnecessário, lembrando a “Santa Inquisição”.  Faz-se salutar que o catolicismo não precisa e nem deve, constitucionalmente falando, ser amparado pelo Estado, pois apesar do contínuo crescimento do movimento evangélico, o Brasil continua a ser a maior nação católica do mundo. Tornar tal comemoração de cunho religioso sim, tanto em origens quanto em essência, uma data oficial no calendário escolar é o mesmo que detratar os demais credos que dela não compactuam.

Ressalte-se, amigo leitor, que em momento algum posicionamo-nos contra a realização das “Festas Juninas”, mas sim contra sua inserção no calendário escolar enquanto dia letivo, colocamo-nos contra sua oficialização; pois em direito constitucional não se transige, assim sendo não há lei, decreto, portaria, PCNs ou qualquer outra medida que se sobreponha à legitimidade do direito de liberdade religiosa.

Vale lembrar que para que o argumento de que tais festas são uma tradição  seja validado é preciso remontarmos às origens das mesmas em cada região do país, pois segundo o dicionário Aurélio, o mais renomado do mercado editorial brasileiro, tradição é o: “Conhecimento ou prática resultante de transmissão oral ou de hábitos inveterados de uma geração para a conseguinte .”  Assim sendo, qualquer historiador pode atestar que as festas juninas como as conhecemos hoje são um modelo pronto e acabado das festas juninas cariocas patrocinadas por Getúlio Vargas. Portanto a única tradição que representam é da imposição de uma cultura sobre a outra, é do despotismo do líder do Estado Novo que se firmou no poder utilizando-se da máquina pública para financiar as tradições da região Sudeste em detrimento do restante do país. É do esvaziamento da identidade regional, sobretudo do interior distante, sempre com um objetivo bem nítido, esfacelar toda e qualquer forma de mobilização popular que não as ditadas por Vargas em pessoa.

Método que, aliás, não é obra da genialidade vil de Vargas, mas tática utilizada por quase todos os povos primitivos que, ao dominar um novo território   obrigavam seus antigos moradores a abandonar suas antigas tradições (língua, danças, comidas, vestes, religião ...) e adotar as de seu senhorio. Não há meio mais eficaz de se dominar alguém e mantê-lo dominado que lavar sua mente!

Portanto, mesmo sendo contrário a manutenção das festas juninas no calendário escolar, sou favorável a que a comunidade católica as realize sim, porém resgatando as tradições de cada região, suas danças  e comidas típicas, modo de se vestir ... enfim que sua função seja de fato de manutenção das tradições, não do dominante sobre o dominado; mas da comunidade para ela mesma!

 

Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 22h45
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PAPAI NOEL AIRLINES

 

A coisa pública e os interesses privados se confundem de tal maneira em nossa sociedade clientelista, fisiologista e patriarcal que é difícil até mesmo àqueles que deveriam ser o esteio da lisura no trato com o bem público separarem o joio do trigo, o certo do errado, o moral do imoral, ou, para não ser tão depreciativo, amoral!

Refiro-me à bola da vez da política nacional, o escândalo do momento, afinal um sucede ao outro em um ritmo cada vez mais frenético: a “doação” de passagens aéreas institucionais que nossos diletos congressistas tem feito a familiares, amigos, artistas, modelos...

O absurdo beira às raias da loucura, tanto que o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, alegou em seu álibi, pois o exemplo, mau exemplo, diga-se de passagem, começa pelos “maiores”, que não há nada de ilegal no uso de tais passagens para viagens com a família ou mesmo doações a terceiros, pois falta maior clareza quanto às restrições ao uso das mesmas.

Bem, se quem preside tal casa legislativa, e pela segunda vez, não sabe o que pode ou não ser feito com os benefícios que lhe são ofertados por exercer um cargo parlamentar, chegamos realmente ao limiar de uma crise das instituições democráticas. Finalmente ficou claro para mim o porquê do executivo e do judiciário terem se metido a exercer, paralelamente as suas atribuições, o poder legislativo.

A questão pode até parecer insipiente diante de outros escândalos tão mais expressivos, numericamente falando, vivenciados recentemente, mas o cerne da questão não são os valores, suficientes para quem paga nosso espúrio imposto de renda se indignar, mas a crise de identidade de nosso parlamento. Qualquer sociedade que se queira democrática tem no legislativo o seu âmago, não é à toa que Júlio César dizia que o Senado de Roma era a própria Roma.

Não há desculpa possível para o ocorrido, se nossos congressistas desconhecem que o uso de tais vantagens são para o exercício do mandato e não cortesia às nossas expensas, temos uma representação extremamente precária porque são mal preparados; e se usaram deliberadamente conscientes de que estavam viajando no trenzinho da alegria, melhor dizendo, no “Papai Noel Airlines”, aí sim estamos literalmente vendidos!

Então, gostaríamos de pedir ao ilustre senhor presidente, enquanto líder maior desta casa de leis, que o senhor consulte não apenas ao regimento interno da câmara, que deve ser tão furado e remendado quanto a nossa própria constituição, mas a sua consciência e, assim, possa orientar os seus nobres colegas a agirem com a devida lisura com o dinheiro público, afinal de contas, o legislativo é, ou ao menos deveria ser, o retrato mais fiel da sociedade, onde todo cidadão tem vez e voz, pois nela todas as correntes ideológicas tem a oportunidade de alçar representação.

Ah, insistimos ainda, enquanto contribuintes que não podem protelar o pagamente de seus impostos, que Vossa Excelência não postergue o vosso próprio esclarecimento e de vossos pares no que tange a tão famigerada questão das passagens aéreas.

            E já que o problema é falta de conhecimento sobre o que se pode ou não fazer, o apóstolo Paulo deu uma boa dica sobre como nos portarmos na falta de uma parâmetro legal: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm."  (I Coríntios 6:12)

 

Obs.: uma cópia deste artigo foi enviada ao gabinete do deputado Michel Temer.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 



Escrito por tenorio.moura às 23h06
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TODA UNANIMIDADE É BURRA

 

Recentemente ocupei este espaço para pedir bom senso aos detratores (leia-se urubus) de plantão que estavam, e ainda estão, a torcer contra a administração do atual prefeito. O problema é que a defesa ampla e irrestrita ao alcaide virou modismo. Não estou, em hipótese alguma, voltando atrás no que disse, quero deixar isso bem claro antes de mais nada. Já basta o ex-presidente FHC ter dito “esqueçam tudo o que escrevi”, referindo-se a toda sua obra enquanto sociólogo, obra que, diga-se de passagem, projetou-o à política.

A saída para Cassilândia vai muito além de simplesmente dar todo o apoio esperado pelo executivo municipal. Aliás, como dizia o escritor Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra!

Chegamos ao absurdo de escutarmos a declaração infantil de um vereador em dizer que estava votando a favor de um dado projeto porque todos os demais parlamentares haviam sido favoráveis, mas que ele estava contrariado! Em outras palavras “minha opinião não vai mudar nada mesmo, então que se dane aquilo em que acredito, vou ser só mais um em vez de me complicar tentando fazer a diferença”. E ainda há quem defenda o aumento do número de vereadores!

A verdade dos fatos é que, na prática, o prefeito Carlinhos não tem adversários políticos, a oposição aprovou, até aqui, todos os projetos por ele enviados à câmara indistintamente. Ao contrário do que muitos pensaram e propalaram, o fato da “velha guarda” ter feito maioria no legislativo municipal não tem atrapalhado em nada a administração do novo prefeito. O que tem havido é uma luta constante do mesmo para se tornar de fato um político, pois até que se prove o contrário, a eleição do mesmo foi mero casuísmo.

Creio que ele possa sim vir a se tornar um líder político, um administrador da máquina pública de sucesso, mas para tanto terá que deixar de lado certos ranços do setor privado e, sobretudo, estar mais aberto a transigir. Nunca deixei qualquer dúvida de que acreditava na boa vontade do prefeito, mas, como diz o ditado: de boas intenções...

Administrar um negócio próprio, única experiência profissional do prefeito Carlinhos, é muito diferente de administrar a coisa pública, sobretudo quando se trata de um negócio de pequeno a médio porte sem sócios a quem prestar contas, ter de ouvir e conciliar interesses, fazer concessões. A gestão pública é intrincada, apresenta diversas ramificações e lacunas que podem derrubar o gestor a qualquer momento, senão legalmente, moralmente; o que é muito pior, vide o caso Collor, cassado, mas não desmoralizado, renasceu das cinzas como uma phoenix.

Arnold Schwarzenegger aproveitou-se do desgaste de seu antecessor e de sua popularidade, enquanto ator de cinema, e projetou-se ao cargo de governador da Califórnia. Sua vitória era mais que previsível, mas, seu sucesso enquanto administrador, nem tanto. Porém, ao contrário do que esperavam, cercou-se de intelectuais saídos das melhores universidades do país, e não de seus companheiros de campanha. Aliás nem precisava, todo o knowhow político necessário é fartamente servido-lhe pela família de sua esposa, sobrinha do ex-presidente John Kennedy. Resultado: apresenta um dos maiores índices de popularidade entre os governadores americanos.

Carlinhos não tem experiência política para sair das saias justas do cotidiano de um gestor de uma pequena cidade, nem assessoria técnica com experiência para orientá-lo nos melindres da máquina pública, salvo meia dúzia de parcas e honrosas exceções. Portanto deveria se apegar à única força que lhe sobrou e que, por enquanto, tem dado-lhe todo o apoio: o povo. É por causa deste mesmo povo que a câmara tem sido uma extensão do gabinete do prefeito e as insossas críticas da oposição não tem passado de ecos suplantados pelos sonoros SIM a tudo aquilo que é remetido àquela casa de leis.

No entanto os escandalosos adicionais por dedicação plena dados à meia dúzia de chefes de setor, o aumento expressivo do número de cargos comissionados, o parco reajuste de 12% ao funcionalismo público e a sistemática negativa a todas as propostas de aumento salarial do magistério tem pesado contra o alcaide. Fazer ouvidos moucos ao funcionalismo público é, além de uma decisão equivocada, um péssimo presságio. Qualquer um que se debruce um pouco mais detidamente sobre a história da política local sabe que o administrador que parte para a queda de braço com o funcionalismo sempre leva a pior nas eleições subsequentes.

Faz-se salutar que não há crescimento econômico, a grande ânsia do povo cassilandense, sem Educação de qualidade; pois sem ela não há mão-de-obra qualificada e sem esta nenhuma indústria se mantém. Logo desprestigiar o magistério municipal é dar um tiro no próprio pé. Quem, em sã consciência, despende tempo, esforços e considerável soma em dinheiro para perceber proventos similares aos de um gari?! Que me perdoem estes, não estou desprestigiando-os, mas é fato inconteste em qualquer sociedade desenvolvida que quanto maior a qualificação, maiores são os ganhos. No entanto, hoje, somando-se todos os benefícios recebidos por parcela significativa dos “braçais” da prefeitura é melhor negócio trocar as salas de aula pelo trabalho não qualificado.

Que belo exemplo para as futuras gerações! Deste jeito basta à oposição fazer o que já tem feito: ensaiar uma tímida resistência e esperar que a corrente política vencedora “dê com os burros n’água”, assim a volta ao poder reduz-se a uma mera promoção automática, uma espécie de reconciliação do eleitorado com o vencido de outrora. E Cassilândia lamentavelmente continua na mesma, maktub!

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 



Escrito por tenorio.moura às 15h15
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ORIGEM DOS TENÓRIOS DO SUL

Há um blog em Custódia/PE, berço da minha família que é um verdadeiro exemplo de como o espírito empreendedor pode se manifestar nas mais diversas áreas e prestar serviços de relevância para a comunidade. O endereço é: http://custodia-pe.blogspot.com/ . Nele custodienses de lá ou desterrados vêem as distâncias diminuirem, ficam sabendo não somente de fatos históricos contados a partir da memória do próprio povo, mas de seu cotidiano, dos fatos menores que fizeram e fazem a identidade de uma comunidade, se comunicam com pessoas que tem, a princípio, somente este município como elo comum, mas que acabam por descobrir afinidades muito maiores. Parabéns ao amigo Paulo Peterson, criador do blog, pela iniciativa. O espaço desta semana foi cedido ao meu tio, Luizinho Tenório, que por meio do artigo abaixo elucida a origem de nossa família aos internautas custodieneses:

"ORIGEM DOS TENÓRIOS DO SUL

 

Recentemente foi levantado por um colaborador deste blog um questionamento sobre qual seria a ligação de minha família com Henrique Tenório de Melo, vulto da história de Custódia, dado o lugar de destaque que o amigo Paulo tem generosamente nos dado, estreitando, assim, nossos vínculos com nossa saudosa terra natal. Pois bem, meu nome, Luiz Tenório de Melo, foi escolhido por minha avó paterna, em homenagem ao velho coronel Luiz Tenório de Melo (Dodô). Quando estive visitando Custódia em meados dos anos 90 conheci, somente em Quitimbú, outros seis Luiz Tenório de Melo, todos  batizados com esse nome pelo mesmo motivo.

O Coronel Luiz Tenório de Melo, Dodô, era tio de minha avó paterna Maria Tenório de Melo. Foram criados na região de Mimoso-PE, ela era prima em primeiro grau de Henrique Tenório de Melo, filho de Luiz, tendo herdado até mesmo o apelido do pai. 

Luiz Tenório de Melo fundou o Distrito de Quitimbú e juntamente com padres jesuítas fundaram Custódia, que recebeu essa denominaçao porque existia no lugar, que era um ponto de boiada e uma pensão, uma senhora de nome Custódia, entretanto existe uma outra versão de que tal nome se deu para homenagear os padres  que estavam custodiados, porque estavam fugindo da inquisição. Como se pode verificar, Quitimbú é mais antigo que Custódia,  tendo sido sede da Lagoa de Baixo, hoje Sertânia. 

O filho mais velho do coronel Dodô, Henrique, tinha seis irmãos, se não me falha a memória, entre homens e mulheres. Foi casado, mas não teve filhos biológicos, adotou alguns, que para ele eram mais que filhos ... assim dizia!

Maria Tenório de Melo, minha avó, conforme citei acima, casou-se com  Gabriel Ferreira Arcanjo. Deste matrimônio nasceram nove filhos, sendo cinco mulheres e quatro homens. As mulheres são: Maria Tenório Veras (apelidada de Mocinha, apelido que a acompanhou até sua morte em avançada idade!);  Solidade Ferreira Cirilo; Rita Tenório da Silva, Antonia Tenório da Silva, já falecida; e Francisca Tenório de Melo, que vive em Afogados da Ingazeira. Os homens são: José Tenório de Melo, foi delegado de polícia em Custódia na década de 40 e comerciante próspero de secos e molhados em Novo Cravinho-SP, distrito de Pompéia, onde faleceu;  Antonio Tenório Sobrinho, foi vereador em Custódia na década de 40 e comerciante  em Quitimbú, Rosalia-SP e em Cassilândia, sempre no ramo de secos e molhados,  assinava sobrinho em homenagem a um tio do mesmo nome; Sebastião Tenório de Melo, falecido em Rondonópolis-MT, onde morava; e Joaquim Tenório Sobrinho, que também assinava sobrinho em homenagem a um tio.

Deter-me-ei com maior acuidade ao último rebento por uma questão óbvia, trata-se de meu saudoso pai. Joaquim foi o primeiro da família a migrar para o sul, embora nunca tivesse deixado de proclamar sua paixão por sua terra. A circunstância, porém, assim o exigia, não chovia naquela região há algum tempo e desta forma tornou-se ele mais um retirante da seca. Foi vaqueiro, agricultor, comprador e vendedor de caprino e suíno, além de marchante (açougueiro) em Quitimbú; trabalhou em lavouras da região de Novo Cravinho, distrito de Pompéia-SP e no município de Marília. Mudou-se para Mato Grosso uno no ano de 1955, seu destino desde que saiu de sua terra natal, o que não aconteceu no primeiro momento porque o dinheiro findou-se por completo em São Paulo-capital, tendo sido obrigado a procurar na Estação da Luz o serviço de migração e de lá, acompanhado da esposa grávida e dos filhos Luizinho e Marizalve, tomar outro rumo e não o que projetara inicialmente.

Chegou a Cassilândia tempos depois, no dia 12 de abril de 1955. Sua família havia proliferado (coisas do sangue nordestino) haviam nascido mais três filhos: Lourdes, Cícera e Francisco de Assis, nascidos no interior do Estado de São Paulo. Deu uma volta na cidade, quando pode verificar não existir nenhuma carroça para fazer frete, sem pensar muito voltou ao interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Rubiácea, adquiriu uma com animal e tralha e rumou de volta a Cassilândia. Lá se foram 10 dias de viagem, dormindo ora embaixo da carroça ora em galpões ou paióis de fazendas. 

Assim que retornou, iniciou o trabalho duro juntamente com seu filho mais velho, Luizinho; poucos dias depois estava de volta a Rubiácea para comprar outra carroça, o que foi feito sucessivamente  durante 18 meses, período em que comercializou algo em torno de 40 destes veículos, tendo adquirido recurso suficiente para comprar um sítio, loteá-lo e homenagear seu estado de origem dando o nome do novo bairro de VILA PERNAMBUCO - o maior da cidade.  Comprou fazendas, chácaras, sítios, gado, jipes, caminhonetes, caminhões e até aviões. Também foi o primeiro corretor de fazendas de Cassilândia.

Foi vítima de um acidente de avião quase fatal, no dia 02 de julho de 1968, no aeroporto  de Ribeirão Preto-SP. Inexplicavelmente a aeronave caiu logo após decolar. Passou meses na UTI, teve seu rosto completamente deformado, o que não pôde ser corrigido a contento por cirurgias plásticas, dada a gravidade do acidente.  Ainda assim não se deixou abater, dado seu carisma e coração devotado ao bem de seu próximo, tornou-se político por imposição do povo.

 É, até hoje em dia, proporcionalmente o vereador mais votado da história de Cassilândia,  obteve 35% dos votos válidos em sua primeira eleição. Para que tal votação seja superada, hoje, são necessários algo em torno de 4.500 votos! Foi Presidente da Câmara Municipal, uma vez vice-prefeito e duas vezes prefeito.

Maria Tenório de Melo, minha avó, a prima de Dodô, faleceu  aos 77 anos, no dia 15 de abril de 1962, em Volta Redonda-RJ, vítima de um acidente, quando retornava ao estado de Pernambuco, depois de uma visita aos filhos em São Paulo e Mato Grosso,  respectivamente. Ela pretendia fazer uma visita ao seu primo Tenório Cavalcante, o lendário “Homem da Capa Preta”, em Duque de Caxias,  para onde seguia antes de voltar para sua terra, vez que na adolescência residira por aproximadamente 4 anos na pequena propriedade rural  de seu tio, pai de Tenório, de quem a mesma cuidou.

Acalentava o sonho de conhecer um avião, achava, conforme ela mesma dizia: interessante ver aquelas máquinas voando como pássaros. Seu filho, Joaquim, sabendo disso a esperou em Jales-SP,  no final de 1961, com um avião de sua propriedade.  Lembro-me, como se fosse hoje, de lhe perguntar se havia gostado da viagem, ela respondeu que adorara, mas que havia ficado mouca (surda). Este foi o primeiro e único reencontro de Maria Tenório com Joaquim e sua família, dado o desfecho no Rio de Janeiro.

Os contatos anteriores a esse reencontro eram apenas por correspondência, via cartas, que demoravam de 30 a 60 dias para chegarem ao seu destino. O sistema de telefonia (interurbano) praticamente não existia, quando muito se falava de uma capital para outra ou de uma cidade grande para outra também grande, com demora nunca inferior a 10 horas.

 O interurbano chegou a Cassilândia somente nos idos de 1976, com Pernambuco na prefeitura, quando fez questão que o então Pároco da cidade, Pe. Jhon Pace, fizesse a primeira ligação internacional para um parente residente em Washington, capital dos EUA. Na sequência, ele  próprio  ligou para o último governador de Mato Grosso uno, o sergipano José Garcia Neto, em Cuiabá.

Dois dos filhos de Joaquim Pernambuco enveredaram na política, eu, Luizinho Tenório, em Mato Grosso do Sul; e o caçula, Francisco de Assis Tenório, no Mato Grosso. As filhas são educadoras e também moram em Cassilândia. Concomitantemente a política, fui Fiscal de Rendas até me aposentar e hoje, enquanto economista, presto consultoria a diversas empresas, câmaras e prefeituras. Assis é empresário do setor madeireiro com atividades em diversos Estados do país.

Espero ter sido o mais esclarecedor possível, é muito bom, mesmo que a distância, sentir-me com um pé em minha terra, em meu berço! Aos conterrâneos custodienses um abraço fraterno do sempre sertanejo,

                                                         

                                                   Luizinho Tenório"

 

 



Escrito por tenorio.moura às 12h03
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NÃO É ILEGAL, MAS É AMORAL!

 

Não é à toa que a nossa, outrora, tão celebrada constituição cidadã tem sido alvo de tantas críticas e tão “remendada” por meio de emendas constitucionais. Embora tenha sim seus méritos, sobretudo no que tange à garantia das liberdades individuais, nossa carta magna é extremamente subjetiva, o que dá margem para diversas interpretações equivocadas, não obstante o judiciário tem sido inundado por uma enxurrada de ações diretas de inconstitucionalidade (250 só na era Lula).

Por conta de tantas brechas e incoerências deixadas pelos constituintes, o prefeito Carlinhos deu recentemente um famigerado adicional por dedicação plena a meia dúzia de comissionados, o que causou tremenda insatisfação entre os servidores públicos municipais, tanto que fomos sistematicamente abordados por filiados ao sindicato que dirigimos questionando-nos sobre a legalidade de tal ato.

Infelizmente a resposta que pudemos dar é que sim, a medida é legal, embora possa ser considerada em seu âmago amoral, pois o princípio da isonomia ou igualdade material, inerente aos preceitos constitucionais, foram frontalmente violados; no entanto a própria constituição em seu artigo 39, parágrafo primeiro prevê a existência de “vantagens de caráter individual”!

Ora, todo princípio constitucional tem função vertebral em nossas normas. Quando o texto constitucional se refere a esta igualdade pregando que todos são iguais perante a lei, mas determina que o poder público pode  conceder vantagens de caráter individual, a igualdade é rasgada ou, ao menos, se legaliza a máxima popular que reza que alguns são mais iguais que outros!

Assim sendo, os artigos do Estatuto dos Servidores Públicos Municipais sobre o qual se baseou o prefeito municipal para conceder tais adicionais são legais, embora questionáveis:

 

Art. 167 - Ao servidor ocupante de cargo comissionado e função de confiança, para cuja investidura e desempenho seja exigida maior especialização ou conhecimentos técnicos, ou uma particular dedicação ao serviço público municipal, poderá ser concedido o adicional por dedicação plena ao Serviço Público Municipal, até o limite máximo de 80% (oitenta por cento) dos vencimentos de remuneração do cargo.

 

Art. 168 - Considera-se regime de dedicação plena, o exercício de atividade funcional sob dedicação plena, em tempo integral, vedado ao servidor o exercício cumulativo de outro cargo ou função no serviço público, ou mesmo atividade particular de caráter empregatício profissional, desde que incompatíveis com a natureza do cargo ou função exercida no Serviço Público Municipal.

 

 

Perceba, amigo leitor, que os artigos em questão são extremamente subjetivos e curiosamente dão margem ao executivo para manipulá-los como bem lhe aprouver. Senão, responda-me: em que ato oficial ficam definidas tais exigências especiais, técnicas ou ainda particular dedicação? Há uma comissão com conhecimento técnico o suficiente para avaliar se os servidores contemplados com tal benesse apresentam tais requisitos? Qual a formação de tal comissão (se é que existe)? Fica ainda vedada a dedicação do servidor a qualquer outra atividade profissional, mesmo particular, desde que incompatível com a natureza do cargo. Mas quem é que fiscaliza e define se tais demais atividades são incompatíveis? A mesma pessoa que concedeu a gratificação em questão?!

Sejamos razoáveis, é fato, embora contestável, que o senhor prefeito não cometeu nenhuma ilegalidade, porém nem todo ato LEGAL é necessariamente MORAL. Tomemos por base o que o próprio estatuto sentencia a respeito dos adicionais por tempo de serviço, ou seja, por ser um funcionário de carreira, por pertencer ao quadro efetivo do funcionalismo público, tanto por mérito de aprovação em concurso quanto por serviços prestados à comunidade:

 

Art. 166 - O adicional por tempo de serviço é devido por quinquênio de efetivo exercício prestado ao Município, e incide sobre o valor da referência em que se encontrar classificado o servidor estável.

§ 1º - O adicional será concedido à razão de 5% (cinco por cento) por quinquênio, até o limite de 35% (trinta e cinco por cento).

 

É necessária a permanência de 35 anos no serviço público para se obter 35% de adicional por tempo de serviço, mas apenas 2 meses, sob a ótica do prefeito, para se obter 80% de adicional por dedicação plena (haja dedicação)!

O que o nosso alcaide alegou em reunião com a diretoria deste sindicato foi que tal ato foi necessário para se corrigir distorções, pois havia setores em que subordinados ganhavam mais que os chefes. A questão, no entanto, não é tão simplista, pois o serviço público conta com normas diferenciadas do setor privado. Há um plano de cargos e carreiras vigente, capenga, é verdade, mas vigente. Assim sendo, é natural que um escriturário com 20 anos de serviço ganhe, sim, mais que um jovem e inexperiente chefe. E, se este não estiver contente com seus vencimentos, que procure outro emprego onde venha a receber o correspondente a todo esse potencial demonstrado em tão ínfimo tempo.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 12h04
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SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRE?

 

Diz o ditado popular que o pasto do vizinho é mais verde que o nosso. Tal assertiva reforça o sentimento de inferioridade, comum, sobretudo, às camadas mais desprestigiadas de nossa sociedade. Some-se a isso o fato de vivermos em uma cidade interiorana de um dos Estados menos evidenciados tanto pela mídia quanto pela União, pra não falarmos das grandes indústrias, e teremos a nítida sensação de que os outros sempre têm as melhores coisas, então, acabamos preferindo um “santo” de outra paróquia.

Tal premissa tornou-se contundente para mim quando eu tinha uns quatorze anos. O ex-peão de rodeio Cassius Clay Ferreira era, na época, uma das estrelas nacionais do esporte. Confesso que nunca fui o que se pode dizer de “grande apreciador” de esportes, sobretudo do rodeio, mas minha curiosidade (e meu irmão) me impeliram a ir conferir a montaria do grande ídolo cassilandense. Admito que o que mais me chamou a atenção não foi o desempenho do atleta em si, mas a reação do público. Passado o momento de euforia por mais uma conquista de nosso conterrâneo, não pude deixar de notar o zum zum zum nas rodas que se formavam questionando o mérito de nosso herói municipal. Foi aí, pela primeira vez que percebi que não importa o quanto você possa ser capaz e merecedor de suas conquistas, na cultura popular santo de casa não faz milagre mesmo e ponto final.

Por conta de tal ceticismo, até mesmo Jesus deixou de fazer milagres onde nasceu, porque todos viam nele apenas o filho do humilde carpinteiro. Note que Jesus, quando curava, sempre dizia: "vai, irmão, tua fé te salvou". É o que precisamos aprender com o mais sábio homem que já viveu. Não importa quem somos ou onde estamos, um homem é do tamanho da sua crença. Como afirmava Henry Ford, fundador da famosa fábrica de automóveis: se você acha que você pode ou que você não pode, você está absolutamente certo. Perceba que o que importa é em que você crê, o resto é consequência.

Certa vez assisti a uma entrevista de um publicitário australiano, especialista em marketing turístico, que esbravejava dizendo que o Brasil era o único país do mundo que fazia questão de fazer propaganda de suas mazelas. Ainda afirmou despudoradamente que era óbvio que seu país também tinha problemas, como qualquer outro, a diferença é que eles varrem a sujeira para debaixo do tapete e ressaltam aquilo que têm de bom.

Precisamos abandonar velhos paradigmas, para não dizer preconceitos, e valorizar o que é nosso. Temos atletas de ponta no rodeio, na natação e no futebol de salão; artistas plásticas de nível internacional, como a professora Márcia Leal; poetas de primeira grandeza, como David Rezende ... e paro por aqui para não cometer nenhuma injustiça.

Logo, precisamos perceber que o que vem de fora só parece melhor porque vem maquiado, porque a fotografia sempre é mais bonita que o original (dados os tratamentos a que essa é submetida). No próximo ano vivenciaremos mais um período eleitoral e, novamente, cairão de pára-quedas sobre nossas cabeças ilustres desconhecidos jurando amor eterno por nossa cidade. Gente que ninguém sabe de onde veio e nem para onde vai. Então lhe questiono, amigo leitor, você irá cair novamente no conto do vigário? Vai ficar esperando que um extraterrestre (leia-se extra-cassilandense) abrace nossa causa, ame e defenda nossa cidade como nós que aqui moramos, trabalhamos e criamos nossas famílias?

Se sua resposta é sim, sinto muito por você que não terá defesa diante de seus filhos ao amargar mais quatro anos de inércia letárgica do poder estadual em relação à nossa comunidade.

Não há o que ser questionado, é indubitável que um “pangaré cassilandense” é melhor, para nós que aqui fincamos nossas raízes, que, por exemplo, um alazão campo-grandense.

Não, não sou xenófobo, simplesmente faço apologia a defendermos aquilo que é nosso porque a vida me ensinou que se não fizermos isso, ninguém o fará. Por mais que tenhamos nossas diferenças com um dado político, quando o assunto não é a política local, devemos colocar nossas diferenças de lado e entendermos que por pior que o camarada em questão seja, tudo o de melhor que ele fizer, seja no parlamento estadual, seja no nacional, será por nossa cidade. E por uma questão muito óbvia, porque representamos a maioria esmagadora de seu reduto eleitoral, porque somos seus vizinhos, amigos, familiares, colegas de clube, irmãos de igreja. Porque mesmo que seja por mero interesse, o político em questão não vai querer ficar “mal na fita” com aqueles que fazem parte da história de vida dele, do seu dia a dia. Logo, por menos que ele faça, supondo que seja um pasmado, ainda o fará por Cassilândia. É bíblico: os cães comem do que sobeja da mesa de seus senhores. Que me desculpem os irmãos sul-mato-grossenses de outros municípios que contarão também com seus candidatos próprios, mas eu me nego veementemente a continuar sendo cachorrinho de quem quer que seja.

Assim sendo, apelo a toda a classe política de nossa cidade a deixarem a vaidade e os interesses pessoais de lado e se unirem em prol de Cassilândia. Que a eleição de 2006 sirva de lição, três candidatos a deputado estadual em uma cidade que mal consegue eleger um é uma sandice! Escutem a população pela qual vocês tanto anseiam lutar, façam uma pesquisa popular e que o mais bem cotado seja o candidato, não do grupo de situação ou de oposição, mas o de Cassilândia. Dêem-nos essa prova de maturidade e nós, certamente, a começar por mim, dar-lhes-emos o devido respaldo, independentemente de quem for o candidato.

Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 19h35
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Anarquia ou desgoverno

Apesar da Grécia ser conhecida como o berço da democracia, é de um de seus maiores pensadores, Aristóteles, a chocante assertiva: todo governo humano é inerentemente instável e transitório. Parafraseando o sábio filósofo, aliás, o mais célebre de seu tempo, a estabilidade de todos os regimes é corrompida pelo poder corrosivo do tempo.

Diante disso, alguns radicais defendem a anarquia como a forma de governo (se é que pode ser chamada assim) mais fiel aos interesses do povo. A palavra anarquia foi usada pela primeira vez em 1840 pelo escritor francês Pierre-Joseph Proudhon, mas a filosofia do anarquismo nasceu de forma sistematizada dois séculos antes do neologismo que o nomeou. Criado pelo inglês Gerrard Winstanley, o anarquismo defende que: o poder corrompe; a propriedade é incompatível com a liberdade; a autoridade e a propriedade são os causadores da marginalidade; e que apenas numa sociedade sem governantes, onde o trabalho e os produtos são compartilhados não por coerção ou necessidade, mas pela consciência de cada indivíduo, é que se pode ser livre e feliz.

Esta visão extremamente simplista esquece que desde os tempos mais remotos há alguma forma de governo regulando todo e qualquer grupo social, desde as famílias, passando por tribos, até as nações. Todo agrupamento social tem regras de conduta destinadas a governar a vida de seus membros, não por autoritarismo, mas como forma de extrair o melhor de cada um e reprimir o pior em benefício de toda a coletividade.

Sem nenhum governo legitimamente constituído que tome decisões em nome da sociedade, caberia a cada indivíduo seguir a sua própria consciência. Alguém em seu juízo perfeito acredita que isto promoveria a união, o progresso? Não é mais provável que cada indivíduo busque seus próprios interesses em detrimento dos direitos de outrem?

Os governos também estabelecem relações diplomáticas, o que garante vínculos comerciais entre as nações. Só por aí já se pode perceber a inviabilidade de uma anarquia. Como e quem faria o papel de diplomata? Como seria possível manter nosso complexo sistema econômico global baseando nossas pátrias em sistema de produção baseado na cooperação mútua e na confiança

Discorrendo sobre os governantes, o apóstolo Paulo sentenciou que: Toda alma esteja sujeita as autoridades superiores (Romanos 13:1, 7), logo conclui-se que é propósito de Deus que haja governos constituídos, independentemente da forma como seus ocupantes chegaram ao poder.

Note-se que os primeiros reis hebreus eram consagrados (escolhidos) por sacerdotes (governo teocêntrico). Com o passar do tempo a ganância do homem “usurpou” da religião o direito de ocupar o poder político, e o governo passou a ser ocupado pelos detentores do poder econômico (plutocracia), representado, nos primórdios, pela propriedade da terra e posteriormente pelos meios de produção. No entanto invariavelmente sobem ao poder regimes de exceção (ditaduras) em países em que a participação popular não é coligida. É claro, porém, que defendemos que o poder deve emanar do povo para o povo (democracia), afinal nenhum sistema de governo pode ser, de fato, considerado legítimo se não estiver a serviço dos interesses da maioria.

No entanto não importa como temos classificado tais governos, mas sim como os mesmos têm sido avaliados pela população que se submete a eles. Estamos vivendo um momento impar na história da humanidade. Os povos tem analisado o desempenho de  seus representantes, legítimos ou não, e o resultado tem sido uma redistribuição do poder entre as classes sociais. Os civilizados franceses e gregos tem literalmente posto fogo em seus países. Os britânicos estão cada vez mais receptivos à idéia de se extinguir a tradicional monarquia inglesa; os latinos estão afinados às ideologias de esquerda e os americanos elegeram para ocupar o cargo mais importante do planeta um homem que ainda estaria lutando pelo direito de votar se tivesse nascido há sessenta anos atrás!

Diante de tantas possibilidades de engajamento, de luta, de efetiva construção de um Estado, defender o anarquismo é, no mínimo démodé.

Assim sendo, atribuir a um anarquista como Cesare Battisti o status de exilado político corresponde ao mesmo que condecorar alguém por defender o desgoverno, a ausência, a negligência, o NADA!

Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 



Escrito por tenorio.moura às 19h17
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Encontros e desencontros

 

A dupla vitória do PMDB, tanto no Senado quanto na Câmara, lembrou-me de um poema de Carlos Drummond que coincidentemente se chama “Quadrilha”. Já que o mesmo é quase tão curto quanto um Hai Kai (mentira minha, mas ainda assim é breve), vale a pena transcrevê-lo na íntegra:

 

“João amava Teresa

que amava Raimundo

que amava Maria

que amava Joaquim

que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre,

Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”

 

Sou obrigado a concordar com o amigo leitor no que tange a questionar o lirismo do poema, no entanto ele sintetiza de forma quase profética a atual conjuntura político partidária. Não é preciso ser nenhum cientista político para se lembrar do caso de amor, que parecia eterno, entre PSDB e PFL (hoje Democratas), o qual viabilizou o governo FHC. Também não é necessário ter memória de elefante para se lembrar das rusgas entre PMDB e PT (curiosamente intensas quando o atual queridinho do Lula, José Sarney, ocupava o Palácio do Planalto).

Bem, não pretendo ser tido como um poeta do calibre do itabirano, mas creio poder dar meus pitacos poéticos:

 

Lula amava o PMDB

que amava o Sarney

que amava o Democratas

que amava o PSDB

que amava o Tião Viana

que não amava ninguém.

Lula volta pra casa ao fim do mandato, PMDB entra e sai de onde quer, Sarney morre no poder.

 Democratas, de tanto saracutear, acaba sozinho; era uma vez um partido todo poderoso chamado PSDB e Tião Viana entrou pro PV que não tinha entrado na história.

 

Quem viver verá. Até lá companheiro, nem tente entender este samba do crioulo doido, senão quem vai ficar maluco será você. Não é à toa que desde a antiga Roma já se dizia que o Senado (na verdade uma apologia às casas legislativas em geral) é a casa do povo.

Bem, quando eu era criança escutava meu pai dizer que nossa casa havia virado a casa da mãe Joana toda vez que um grande número de nossos “amiguinhos” se fazia presente e deixava tudo bagunçado pra ele e minha mãe arrumarem depois. Infelizmente, tal qual meus amigos de infância, os políticos vem e vão, mas sobramos todos nós para pagar pela bagunça.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 

 

 

 



Escrito por tenorio.moura às 22h12
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