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Cassilândia chora a morte de mais um custodiense ilustre!
*Rogério Tenório de Moura
São estranhos os caprichos que a vida mostra ter por algumas pessoas. Enquanto muitas parecem passar a vida em brancas nuvens, outras têm sua biografia repleta de conquistas, derrotas (afinal ambas são dois lados de uma mesma moeda), “causos” e muitas coincidências que parecem ter sido arquitetadas cuidadosamente.
Assim foi a vida de José Arlindo de Carvalho, mais conhecido simplesmente por Arlindo Carvalho, que curiosamente teve sua vida entrelaçada a de meu avô. Ambos naturais de Custódia, uma pacata e bela cidade do interior do Pernambuco, mas que outrora não fora tão acolhedora devido às intempéries do agreste nordestino. Embora fossem de gerações diferentes, tanto um quanto o outro se viram obrigados a deixar sua terra natal, pela qual sempre demonstraram nutrir imensa saudade e carinho, em busca de uma vida melhor e por um desses acasos do destino vieram parar em Cassilândia, ainda na época do Mato Grosso uno.
Na época em que Arlindo chegou a Cassilândia meu avô já estava bem estabelecido, era um próspero corretor de imóveis, produtor rural e uma das maiores lideranças políticas da região; foi simpatia à primeira vista, meu avô não se cansava em dizer nas reuniões de família que havia se visto novamente naquele audacioso jovem nordestino que havia deixado tudo para trás (que no caso eram só a família e os amigos) e se lançado ao mundo. Tendo tino como poucos para conhecer pessoas, meu avô não se enganou, fez o que pôde para ajudar aquele jovem aventureiro em seu início de vida e este não desapontou, transformou-se em um dos comerciantes mais influentes da região, dono de uma rede de lojas de calçados; dirigente de partidos políticos, líder de clubes de serviços, presidente da Associação Comercial...
Infelizmente a história nos mostra que não só de vitórias se faz a vida de um homem, mesmo dos grandes homens. Há alguns anos os negócios de Arlindo deixaram de prosperar como antigamente e suas atividades resumiram-se a uma loja, bem mais modesta que a primeira, administrada pela família; enquanto ele, como nordestino aguerrido, saía de cidade em cidade vendendo de porta em porta, porém sem perder a postura de predestinado a vencer que sempre teve.
Mesmo enfrentando problemas de saúde e dificuldades financeiras manteve-se anos a fio a frente do tradicional leilão beneficente em prol do Hospital do Câncer de Barretos, leilão este idealizado por ele, mostrando-se um exemplo de determinação e consciência cidadã. O exemplo de Cassilândia e de Arlindo Carvalho serviu para inúmeras cidades atendidas por aquele hospital. O engajamento dele inspirou várias pessoas que deram continuidade a sua obra, quando de seu afastamento de líder das atividades há três anos, devido ao agravamento de seu quadro clínico.
Será estranho saber que ele não está mais entre nós, como já era estranho não encontrá-lo pelas ruas da cidade nos últimos tempos para um gostoso “dedo de prosa”, pois por uma dessas contingências caprichosas da vida havia voltado para Aparecida do Taboado, primeira cidade mato-grossense a acolhê-lo. Mais estranho ainda é saber que o corpo de um homem cuja história se confunde com algumas das páginas mais belas da história de Cassilândia não repousará entre nós. A família decidiu sepultá-lo na “terra dos sessenta dias apaixonado”, só nos resta respeitarmos e nos resignarmos.
No ano passado, logo após o sepultamento de minha avó, disse-me que iria a Custódia, que queria matar saudades, relembrar dos tempos de moço, rever parentes e amigos, que depois de tantos anos de desterro resumiam-se à família de seu padrinho, o ex-prefeito Ernesto Queiroz. Era sua despedida, mesmo sem ter consciência disso.
Bem ao seu estilo grandiloqüente fez a última despedida a minha avó, também custodiense, suas palavras ecoam em minha mente como se fosse hoje: “Há noventa anos Maria José de Oliveira chorou por deixar a proteção do ventre materno e vir ao mundo, hoje são inúmeros os que choram por sua partida, teve uma vida frutífera, repleta de realizações e benfeitorias ao próximo”. Faço minhas as palavras dele!
*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).
Escrito por tenorio.moura às 18h07
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Por que crer em Deus?
*Rogério Tenório de Moura
Por mais que peseudointelectuais munidos da empáfia típica de quem se julga mais lúcido, mais capaz, mais preparado teimem em afirmar que Deus não existe pelo simples fato de que a ciência nunca conseguiu provar sua existência, o número de pessoas que buscam alento na religião não pára de crescer. O que eles tendenciosamente esquecem é que a mesma ciência também nunca chegou nem perto de provar que Ele não existe, prova disso são os inúmeros casos de efeitos paranormais que ocorrem todos os dias ao redor de todo o mundo e nunca foram elucidados por pesquisador algum.
É claro que em meio a este universo de misticismo há muita gente que tenta tirar proveito de pessoas crédulas, se sentir especial, único, respeitado; mas embusteiros existem em quaisquer atividades humanas, não seria no campo da busca pelo transcendental que seria diferente.
Os defensores do ateísmo alegam que a religião é uma farsa, que é uma forma de manipulação pacífica das massas, de inculcação ideológica, o que mais uma vez facciosamente eles esquecem é que nunca, em momento algum da história, nenhuma das atrocidades cometidas contra a humanidade tiveram respaldo bíblico algum para tanto. Aliás, a violência, mesmo que em autodefesa, foi condenada por Cristo, que deu o exemplo pagando com a própria carne. Todas as vezes que se utilizaram da fé para cometer atrocidades foi em nome de interesses pessoais, políticos e econômicos; a religião sempre foi apenas o pretexto, assim sendo a culpa não está na igreja, mas em quem preguiçosamente prefere amortecer seu senso crítico e entregar-se a qualquer canalha que venha pregando doutrinas vãs.
Não é à toa que na lista dos maiores assassinos do século XX, divulgada no livro Death by Government, ainda sem versão para o português, os comunistas “ganham de goleada” , confira:
Joseph Stalin - 42.672.000 Mao Tse-tung - 37.828.000 Adolf Hitler - 20.946.000 Chiang Kai-shek - 10.214.000 Vladimir Lenin - 4.017.000 Tojo Hideki - 3.990.000 Pol Pot - 2.397.000 Yahya Khan - 1.500.000 Josip Tito - 1.172.000
Como humanismo, embora sendo um conceito filosófico, acabou se firmando como uma espécie de religião para os ateus, prova disso é a Igreja Positivista, sediada no Rio de Janeiro; tratar-lhe-emos como se fosse uma unidade coesa, embora na prática seja extremamente difusa e prolixa. Trata-se de um termo muito amplo, às vezes confundido com ética, dignidade humana, direitos humanos, mas por uma questão de síntese, vamos considerar a expressão apenas como sendo a crença na capacidade humana para resolver TODOS os problemas da própria humanidade.
Diante da lista supracitada, pergunto-me: devo acreditar no ser humano? Se o homem que crê no etéreo é capaz de maquiar as escrituras em benefício próprio, de fazer vistas grossas a inevitável justiça divina, que se pode esperar daquele que crê apenas em si mesmo?
Assim não colocamos em discussão o humanismo, ao menos não o mérito da filosofia em si e sua crença na capacidade humana de promoção, de desenvolvimento, mas sim uma espécie de idolatria do homem pelo homem que vem sistematicamente tentando invalidar a fé em Deus sem acrescentar nada de verdadeiramente relevante à humanidade. Querem destronar Deus, mas não apresentam uma alternativa. Esperam roubar a esperança de quem perdeu entes queridos ou está à beira da morte ou não vê sentido no padrão de vida corrompido deste mundo que a cada dia se afunda ainda mais na falta de ética e moral, mas não apresentam nada que o substitua a altura.
Os heróis do ateísmo mostraram-se invariavelmente ao longo da história megalomaníacos e despostas, mas ainda assim querem que continuemos acreditando que pode surgir do meio deles, ateus, alguma espécie de semideus capaz de dar norte a nossa sociedade capitalista corrompida.
O mais irônico neste comportamento autofágico de quem se proclama auto-suficiente, sem necessidade de crer em nada além do que seus pobres olhos podem ver, é que eles não conseguiriam viver se não tivessem um Deus a quem contestar. Seu assunto é invariavelmente a inexistência de Deus e o culto ao personalismo de quem nele não crê. Colocam-se em seus próprios altares e por falta de adoradores vangloriam a si mesmos. Comportamento idêntico ao do “anjo caído” que queria roubar o trono de Deus.
Não sou muito dado a ditados populares, mas este, sem sombra de dúvida, se encaixa feito uma luva ao assunto em questão: o pior cego é aquele que não quer ver. Diante de tantos “indícios” diários da existência de que, como dizia Shakespeare, “há mais mistérios entre os céus e a Terra do que sonha nossa vã filosofia”, continuam insistindo em tentar fazer com que as pessoas desacreditem de seus próprios sentidos. Agem mais descrentemente que São Tomé, pois nem mesmo vendo crêem, preferem conjecturar sobre qualquer outra possível explicação, mesmo que esta seja ainda mais ilógica que simplesmente crer naquilo que seus olhos viram e seus ouvidos ouviram.
Há tantas manifestações do sobrenatural nas mais diversas religiões que somente quem não quer crer pode teimar e desmentir aquilo que eles se negam a ao menos conhecer. De outra forma, como explicar alguém beber cinco litros de pinga e fumar dez charutos e “desincorporar” como se nada tivesse acontecido? Como explicar as sessões de exorcismo nas igrejas pentecostais e neopenteconstais em que “espíritos malignos contam detalhes da vida de terceiros? Como explicar o fato de uma pessoa analfabeta começar a falar em línguas de países ermos em meio a cultos de adoração? Como explicar as visões, vozes e revelações que efetivamente se cumpriram? Isto os “sem deus” não explicam.
O cientista Richard Dawkins, doutor pela Universidade de Cambridge, ganhou mídia internacional com o lançamento do livro “Deus: Um Delírio”, que chegou recentemente ao Brasil e durante algumas semanas se manteve entre os mais lidos da lista da revista VEJA. A popularidade da obra se deve, entretanto, mais à curiosidade das pessoas em ver os argumentos dos ateus contra a existência de Deus que propriamente de encontrar ali a solução para dilemas existenciais. O livro, porém, frustra os que esperavam novos argumentos sólidos contra a existência de Deus, o autor não sai do lugar comum, usando os mesmos clichês velhos e desgastados, não inova sequer no fato de usar uma linguagem ofensiva e ácida contra os que crêem em Deus. O resumo da obra é que, segundo Dawkins, a ciência já refutou Deus (grande coisa, como se todos já não soubessem!), que a religião é má por tolher as liberdades do homem (engraçado, pensei que ela regulava a conduta social do homem pelo bem da coletividade como um todo, apesar de garantir livre arbítrio) e que tem origem num "vírus da mente" (que a mesma ciência que ele tanto propala jamais conseguiu provar).
Para concluir, apresento ao amigo leitor uma série de excertos bíblicos sobre os quais vale à pena se debruçar. Leia-os, estude-os, reflita, discuta:
"Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis" (Romanos 1:21-23).
"Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto. Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:5-9)
"Diz o insensato em seu coração: não há Deus" (Salmo 14.1)
Um forte abraço, até semana que vem.
*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).
Escrito por tenorio.moura às 23h01
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