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Blog de tenorio.moura


Quem será a próxima vítima?

*Rogério Tenório de Moura

 

Embora o título lembre o nome de uma antiga novela da “toda poderosa”, como diz o velho dito popular: as aparências enganam. O questionamento melhor especificado seria: quem será o próximo postulante a um cargo público a ser vitimado por este sistema eleitoral incoerente? Sim, pois certamente haverá se não um, mais de um político que será um dos nove mais votados para se tornar um parlamentar municipal, mas que verá a cadeira a que teria direito ocupada por outro menos votado.

Em toda eleição esse atentado à democracia se repete, em nome da garantia de uma pseudo-representação político partidária a vontade do povo vem sendo afrontada há décadas por um sistema eleitoral tão falho quanto ingênuo. A tese é a de que os partidos são os legítimos representantes das diversas correntes políticas que coexistem em nossa sociedade, porém, na prática sabemos que isto não passa de esparrela; a maioria significativa das legendas existentes restringem-se a meros caça-níqueis, colocam-se à disposição de quem oferece a seus dirigentes as maiores vantagens, os melhores cargos no governo, a maior estrutura de campanha, quando não se negocia a coligação em espécie.

Ninguém em sã consciência crê que um sistema pluripartidarista como o nosso pode ser benéfico à sociedade, por uma questão extremamente óbvia: não há tantas correntes políticas tão discrepantes entre si que não possam se restringir a meia dúzia de legendas ou menos. Se nossos políticos não conseguem se entender e celebrar um acórdão nem mesmo ao organizar nosso sistema partidário, que dirá depois de eleitos, de “donos” do mandato?

A verdade é única e inequívoca, depois de décadas de repressão perdemos a nossa noção de limites; se a existência de apenas dois partidos, o do governo e o da oposição, que vivia sob intervenção dos militares, não era bom, pois não representava toda a densidade de ideologias que bradavam por ter vez e voz, o pluripartidarista consegue ser ainda pior, pois é autofágico, corrói  por dentro a legitimidade do processo democrático, prostitui os líderes e deixa os liderados a deriva. Não se justifica a existência de mais de trinta partidos em um único país. Eu sou do tempo em que só se falava abertamente em direita e esquerda. Hoje, além destes, temos os partidos de centro, de extrema esquerda, de extrema direita, comunistas, socialistas, social democratas, liberais, neoliberais, anarquistas e, pasmem, até neofascistas e neonazistas! Em um país em que a maioria dos candidatos não concluiu sequer a Educação Básica, segundo dados do próprio Tribunal Superior Eleitoral, são filosofias sociais demais para que eles mesmos entendam o que estão apregoando.

Não creio que um sistema bipartidário como o que já vivemos seja positivo, por ser demais excludente, mas essa total Torre de Babel que se tornou nosso sistema eleitoral torna tudo e todos muito mais confusos, primeiramente porque as eleições proporcionais injustas como aí estão só existem porque tratam partido e candidato como se fossem uma única coisa e não são. Mesmo tendo havido o enrijecimento da legislação no sentido de fortalecer a fidelidade partidária, o mandato continua sendo do político e não da legenda, assim sendo ao se garantir a um partido o direito de ter um representante ao atingir um coeficiente “X”, isto não significa que o mandatário eleito prestará contas de seu mandato à direção do partido e nem que nele permanecerá ao longo de todo o mandato. Segundo porque ao privilegiar as legendas, e não os candidatos, a vontade soberana do povo não é respeitada.

Quem não sabe ao menos um caso de alguém que teve votos o suficiente para ser eleito, mas não foi? Um exemplo clássico foi o do ex-deputado Luizinho, em 1994, dada a proporção do apoio popular e do empenho de todas as lideranças políticas locais em elegê-lo. Situação e oposição se uniram em torno do nome dele para que Cassilândia tivesse um representante na Assembléia Legislativa. O resultado foi que, apesar de ter sido o vigésimo primeiro mais votado, em um universo de vinte e quatro vagas para a referida casa legislativa, perdeu em detrimento de outros quatro candidatos que tiveram quase a metade de seus votos. Ressalte-se que só citei o nome dele aqui porque nestas eleições ele não está disputando cargo eletivo algum.

Nas eleições municipais os exemplos são inúmeros, mas por estarmos em período eleitoral, prefiro abster-me de citar nomes, pois algumas das vítimas de outrora são candidatas hoje, o que caracterizaria uma certa espécie de simpatia de minha parte e o que quero neste espaço não é defender este ou aquele nome, mas um ideal: o de que uma democracia só é consolidada de fato quando a expressão da vontade popular resulta na seleção daqueles que irão governar.

Não podemos continuar ignorando o fato de que nosso sistema representativo hodierno é falho e débil, pois abre espaço para oportunistas de plantão “apossarem-se” de legendas menos representativas e delas tirarem proveito, além de matar a lógica do sistema democrático de direito, pois não garante a efetiva confirmação da vontade popular e banaliza a participação dos partidos no processo decisório eleitoral, uma vez que a farta oferta de vagas a quem quiser se candidatar proporciona a realização de uma verdadeira corrida maluca.

Qualquer um, hoje em dia, pode sair propalando quatro anos antes que será candidato porque certamente será, as convenções nada mais tem feito que ratificar a candidatura dos postulantes a um cargo público. Se restringíssemos o número de partidos para, como afirmei anteriormente, meia dúzia, no máximo, aqueles que quisessem um dia entrar para a vida pública ver-se-iam obrigados a se preparar para tal, eles saberiam que o processo eleitoral iniciar-se-ia efetivamente nas convenções, pois se seu currículo não fosse considerado satisfatório nem sequer seriam candidatos; no entanto o que se vê corriqueiramente, não só em nossa cidade, mas Brasil afora, são candidatos semi-analfabetos concorrendo a uma eleição, quando não a uma reeleição, como foi noticiado nesta semana o caso de um vereador no interior do Pernambuco que teve o registro de sua candidatura indeferido por não conseguir provar que era alfabetizado, detalhe: o parlamentar já estava em seu quinto mandato consecutivo! Então ficam as seguintes perguntas no ar: o que o diretório do partido estava fazendo ao longo dos últimos vinte anos que não percebeu isto? Que relevância para a sociedade podem ter tido esses cinco mandatos deste cidadão?

Quem me dera ter a certeza de que este foi um fato isolado! Parafraseando os americanos: Deus salve o Brasil!

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 22h27
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PLC 122 X Liberdade religiosa

                                                                                                                               *Rogério Tenório de Moura

 

Recentemente tornou-se moda nos meios de comunicação o termo homofobia, mas não como tantos outros vocábulos que passam por períodos de sístole e distotole. O uso indiscriminado de tal termo tem se revertido em vexação contra todos aqueles que professam um credo religioso que condena o homossexualismo. Assim sendo, ao menos trinta por cento da população brasileira, número aproximado de evangélicos no país, hodiernamente, tem recebido a pecha de intolerante, arbitrária, preconceituosa... e tantos outros termos notoriamente pejorativos.

Para se garantir os direitos de uma minoria homossexual, uma significativa parcela da população brasileira tem tido seus direitos de liberdade de expressão e de culto religioso ameaçados. Esclareço, não se trata apenas de uma parcela da imprensa ter feito uma escolha explicitamente facciosa e falaciosa, mas da iminente apreciação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 00122/2006 pelo Senado Federal, que busca justamente colocar uma mordaça gay na boca de todos os líderes religiosos que defendem nada mais nada menos do que a doutrina bíblica.

Antes de prosseguirmos, gostaríamos de esclarecer que somos defensores ferrenhos da liberdade de expressão, princípio básico para o exercício pleno da cidadania e para a existência de uma democracia de fato, da liberdade religiosa e da livre orientação sexual; aliás todos direitos resguardados por nossa Constituição “cidadã”.

Se o controverso projeto for convertido em lei, conforme compromisso do Presidente, que é favorável ao mesmo, ocorrerá uma perseguição religiosa sem precedentes em toda a história de nosso país. A proposta prevê punição a qualquer pessoa que se manifestar, mesmo que pacificamente, contra o homossexualismo.

Ora, o que os defensores de tal absurdo não percebem é que o homossexualismo não deve acrescentar direitos a ninguém, uma vez que ao garantir ao indivíduo que tem essa orientação o privilégio de estar acima de qualquer juízo de valor, coloca-se o mesmo em posição privilegiada, acima do próprio direito, uma vez que tolhe o direito de outrem de expressar suas convicções. Se por um lado cada um tem o direito a livre orientação sexual, do mesmo modo, todos tem direito a liberdade de suas convicções. Essas garantias constitucionais não são excludentes entre si, mas podem e devem vigorar em perfeita harmonia.

O que está em questão não é o mérito ou demérito do homossexualismo em si e sim a legalização de um crime contra a liberdade de expressão religiosa, o que fere diametralmente a Constituição Federal. Criar normas que venham a reprimir esta liberdade é retroceder no tempo, é o mesmo que trazer à tona as trevas da barbárie da Idade Média.

Ressalte-se que defendemos veementemente a liberdade individual de cada um de concordar ou não com a homossexualidade. Ficando à escolha deste os motivos de sua convicção, resguardando, porém ao homossexual praticante  o direito de não ser discriminado, uma vez que a ninguém que não a seu parceiro tem de prestar contas de sua vida sexual. Entretanto não se deve obrigar ninguém, via “canetaço” a conscientizar-se da concepção ou diretriz de vida que deve seguir.

Faz-se salutar que de acordo com o artigo 8  do PLC em questão ninguém pode ser impedido de expressar sua afetividade em local público, sob pena de reclusão de dois a cinco anos de prisão. Levando-se em conta que o direito não é uma ciência exata, e sim humana, logo social e passível de interpretações diferenciadas, um diretor pedagógico, por exemplo, pode se levado à cadeia por não permitir namoros na escola, seja de hetero, seja de homossexuais; assim o direito de estabelecer normas e regras internas é usurpado da instituição educacional!

Já o artigo 16º condena “prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica”. Quanto à questão da violência, ao menos física, creio não haver pontos conflitantes, porém todo o restante do artigo é extremamente vago e subjetivo, pois dependendo do estado emocional momentâneo do indivíduo ele pode se sentir constrangido, intimidado, avexado ou não, e o que constrange uma pessoa pode não constranger outra.

Tal projeto é uma afronta ao Estado Democrático de Direito e à liberdade religiosa. Aos ignorantes, evangelicofóbicos de plantão, sugiro que antes de saírem criticando o credo alheio, procurem ter conhecimento de causa e saber o que estão condenando para não darem “bom dia a cavalo”. Leiam Marcos 2.16 e 17;  João 8.3-11 e I Conríntios 6.9 e 10; estas passagens deixam clara a condenação que a doutrina cristã atribui ao homossexualismo, porém sintetizam perfeitamente a benevolência, compreensão e amor que Jesus tem pelo pecador em detrimento do pecado.

Para concluir, convido o leitor a refletir sobre o grau de petulância de uma pessoa que se acha no direito de não ser alvo de críticas de espécie alguma, mesmo morando em um país que prima pela liberdade de expressão. Depois de termos sofrido tantos anos debaixo da chibata da censura, conquistamos o direito de criticar militares, artistas, jornalistas, sacerdotes, o Presidente da República (por mais que ele não tolere), Deus e o diabo; mas querem colocar os cidadãos homossexuais pairando acima do bem e do mal!

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 23h47
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OS NOVOS PARADIGMAS DO PROCESSO EDUCACIONAL

                                                                                                                                                 *Rogério Tenório de Moura

 

Para se analisar os novos paradigmas é preciso antes mergulharmos, ou ao menos flutuarmos, sobre um resgate histórico de grandes pensadores que, de uma forma ou de outra, acabaram por se tornar agentes multiplicadores de conceitos e práticas que são aplicadas até nossos dias.

Rosseau considerava que o ensino e a aprendizagem se dão através da valorização do indivíduo, o professor deveria deixar de ser o intelectual e moralista deixando o aluno em liberdade para aprender o que lhe convém. Isto seria saber respeitar o processo natural de cada indivíduo, onde o acesso ao conhecimento se dá justamente ao contrário da época, onde a Igreja e o Estado impunham doutrinas.

Já Lutero considera que a educação deveria ser planejadora, assim como a natureza é, pois nada se faz fora do tempo. Os professores deveriam procurar respeitar o processo natural na produção de conhecimento, prevenindo os acasos com prudência. A escola deveria deixar de ser mais verbal, ou seja, de fazer lavagem cerebral e ser mais prática e ativa. Todos teriam o direito à educação, independentemente de ser rico ou pobre, preto ou branco, pois o homem faz parte da natureza e natureza é vida.

John Dewey acreditava que a educação era do tamanho do mundo que o educando conhecia, quanto mais experiência adquirisse, maior seria seu mundo. O homem, segundo Dewey, independente da idade, está sempre buscando novas experiências, acumulando novos conhecimentos e, assim, expandindo seu mundo.

Para Moacir Gadotti a educação se esforça para mostrar aos educandos que o homem atua a partir de como ele enxerga o mundo. É através do diálogo que se busca o conhecimento, desta forma o professor também aprende com o aluno, o qual deverá ter noção de uma ciência aberta às necessidades populares, deverá ser curioso e inovador. É preciso saber viver em sociedade, pois a Terra tornou-se nosso único endereço. Saber tratar as dificuldades que a própria sociedade cria é primordial. A educação é uma prática libertadora. Educar-se é adquirir possibilidades de produzir e construir conhecimentos.

Perrenoud considera a ação do homem como sendo formada a partir dos conhecimentos que são adquiridos no decorrer do tempo através do acúmulo de experiências e na formação escolar. Nesse momento o professor se destaca por colocar em prática suas habilidades e competências em transformar o conhecimento dos livros em uma realidade vivida pelos alunos. A escola desempenha o papel de colocar o aluno para agir, ou seja, fazê-lo adquirir conhecimentos com competência, tornando-se agente no processo educativo, objetivando atingir o conhecimento científico.

Independente das considerações sobre a educação serem feitas por este ou aquele pensador, a conclusão que se chega é a de que devemos caminhar para uma escola aberta, flexível, onde os conhecimentos devem ser transmitidos em parceria com o conhecimento do aluno. Se culpamos tanto o modelo educacional vigente como inoperante, está na hora de construirmos uma escola com mais sabor, com mais cheiro e em um local onde se produza realmente conhecimento.

Dessa forma, considerando o conhecimento como algo flexível, vulnerável e em constante processo de transformação, o professor deverá seguir na mesma linha de transformação, buscando sempre estabelecer uma relação extremamente atualizada, humana e interativa de forma que valorize a cultura do aluno, transformando-o em agente de produção e não somente como um receptor das informações transmitidas pelo professor.

A humanidade em sua trajetória na história buscou novos conhecimentos para tentar compreender o sentido da vida e sua própria existência. Ao longo desse processo, a sociedade passou por profundas mudanças e o ensino adquiriu um caráter social múltiplo, ao ponto de ser considerado como um grande agente de transformação. Nesse contexto, torna-se necessário definir-se como professor, aquele que consegue alinhavar essas mudanças à realidade e compreender a formação humana.

O professor ao assumir a responsabilidade de uma sala de aula, deve ter conhecimento sobre o tema e uma abordagem global, transformar o complexo em simples para a compreensão do aluno e transmitir com clareza e simplicidade o conteúdo, buscando sempre uma reflexão de forma que a prática interaja as teorias às práticas externas,  organizando o pensamento e contribuindo para que o conhecimento auxilie na compreensão  do sentido da existência, através dos ideais que cada disciplina transmite, sejam humanas, exatas ou biológicas.

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 23h44
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Os livros didáticos e as aulas de interpretação de textos

*Rogério Tenório de Moura

 

Muito se poderia fazer pelo ensino de interpretação de textos e conseqüentemente de produção de textos  se a forma equivocada como o questionário e o vocabulário vem sendo trabalhados nos livros didáticos fosse corrigida. O que temos observado, no entanto, é que o livro didático vem sendo utilizado como uma espécie de bíblia pelos professores, ao invés de ser apenas um ponto de apoio tornou-se o norteador.

Os professores têm confiado tão cegamente na forma como o livro didático vem sendo trabalhado que mesmo quando não o adotam acabam seguindo modelos do mesmo nas atividades que elaboram. O instrumento tem calado a voz de seu usuário, o que gera uma fato grave, o distanciamento da realidade do educando para com o conteúdo da forma como vem exposto no livro didático.

O que ocorre é que o livro didático é elaborado para atender uma demanda muito grande de educandos, os quais provém das mais diferentes realidades; uma vez que não é possível abarcar todas as possibilidades ambientais o livro didático traz estereotipado o aluno ideal, a família ideal, as férias ideais (o cachorro ideal...). Assim o aluno provindo de famílias desestruturadas, pai presidiário, mãe alcoólatra, irmão traficante, sente-se o patinho feio, como se o lugar dele não fosse na escola. Ora se o papel da escola é o de inclusão, de garantir meios para que o educando possa exercer plenamente sua cidadania, alguma coisa está errada!

Obviamente, de acordo com a vivência de cada um, com a variedade lingüística de cada um, as interpretações textuais podem ser as mais variadas, porém tal aspecto não é levado em conta, uma vez que o vocabulário e as questões trazidas para interpretação de texto parecem crer que os alunos são incapazes de abstrair o significado profundo de um texto e de buscar as diversas possibilidades lexicais de adequação do mesmo.

Tem-se observado que nas aulas de interpretação de texto o que se tem feito é uma revisão da estrutura superficial. Os alunos resolvem uma bateria de exercícios que tem por finalidade testar a capacidade dos alunos de memorizar os detalhes explicitando o que já está explicito no texto. São comuns os exercícios de se completar as lacunas de acordo com o texto e de responder aquelas cinco perguntinhas básicas do jornalismo: “Quem? O quê? Onde? Quando? Como?”

Tais exercícios podem facilmente ser respondidos por um leitor razoavelmente atento, mas será que o significado profundo do texto pode ser exercitado a partir de questionários tão superficiais? Uma  breve releitura é o suficiente para que essas questões sejam respondidas. É justamente por causa dessa noção  distorcida de interpretação de textos que nossos educandos acham que sabem interpretar textos, mas quando chegam no vestibular não conseguem produzir uma redação de forma coerente, mesmo tendo outros textos como exemplo para servir de suporte.

Aspectos como estilo literário, autoria, intenções subjacentes são simplesmente esquecidos no livro didático. Aspectos fundamentais, pois quem diz algo tem sempre um motivo para dizê-lo. O autor de um texto é um indivíduo como outro qualquer, atrelado ao sistema, com compromissos de classe, idéias que defende mediante seu papel na esfera social, razões ideológicas que o levaram a escrever tal texto, seja ele um artigo político, econômico, uma poesia, uma crônica, uma fábula. Toda produção textual traz consigo a visão de mundo do autor, sua ideologia e conseqüentemente objetivos não expressos no texto que visam levar o leitor a um determinado tipo de atitude.

Tal omissão é qualificada, pois produz em série gerações e gerações de indivíduos não pensantes, que acreditam ter todos os modelos a seguir pré-estabelecidos, que toda autoridade constituída é infalível, pois caso contrário não estaria na posição em que está. Leva-se o educando a acreditar que conseguindo decifrar a estrutura superficial do texto (quem fez o quê, como, onde e quando) ele já sabe interpretar um texto, consegue entender o que foi dito e, portanto é uma pessoa alfabetizada, capaz de decifrar todos os códigos lingüísticos, em sua língua materna, que vierem a sua mão.

Entretanto segundo a UNESCO, órgão da ONU que estuda o fenômeno “educação mundial”, 82% dos alunos brasileiros do 9º ano são analfabetos funcionais. Então fica a questão, o que esses alunos estiveram fazendo ao longo de todo o ensino fundamental? Resposta: respondendo questionários de interpretação de textos, decorando perguntas e fórmulas que não lhes dizem absolutamente nada na prática, lendo livros, esporadicamente, para preencher fichas de leitura, mecanismo esse utilizado pelo professor para verificar se a leitura foi efetivamente realizada. Doce ilusão! Creio que somente os professores de português ainda não descobriram que existem publicações e mais publicações especializadas em editar resumos de livros, tanto clássicos quanto infanto- juvenis. Sem falar no vasto material de pesquisa que pode facilmente ser encontrado na internet.

Inúmeras outras atividades muito mais atrativas e produtivas poderiam ser realizadas com os mesmos materiais, ao invés de se perder tempo fazendo os alunos voltarem ao texto para copiar nomes de personagens, datas, locais. Por exemplo:

Ø      Levantamento dos adjetivos que caracterizam os objetos destacados. Através deste levantamento fazer a análise  da função retórico- estilística desta adjetivação para poder observar-se o posicionamento do autor em relação ao objeto de seu texto.

Ø      Contraposição dos elementos negativos aos positivos que são observados e vice-versa. A partir de tal atividade o censo crítico e a capacidade de releitura de mundo do aluno são exercitadas.

Ø      Pesquisa de formação das palavras em questão que se apresentarem desconhecidas ao grupo. Assim damos início aos estudos lingüísticos dos educandos, derrubamos preconceitos ao se observar a importância de outros idiomas em relação ao nosso e facilitamos o aprendizado de uma segunda língua ao se colocar em questão a arbitrariedade dos signos lingüísticos e a morfologia das palavras.

Ø      Proposta de redação tendo como ponto de apoio o texto lido, ou o estilo literário do mesmo ou um ponto que tenha chamado a atenção da sala e tenha sido pouco explorado ou produção de outro texto que defenda uma visão contrária ao apresentado ou a continuação de um texto ou poesia cuja leitura tenha sido bruscamente interrompida pela professora. Tais atividades oportunizam a capacidade criativa dos alunos, contar estórias é uma atitude inata do ser humano. Mesmo na idade das pedras, quando não tínhamos uma linguagem desenvolvida repassávamos nossas estórias e conhecimentos através das pinturas nas paredes. Dando a possibilidade de nossos alunos redigirem estamos assegurando-lhes o direito de efetivamente expressarem a sua interpretação do texto lido, de imprimir-lhe sua visão de mundo, de expressar-se livremente, aliás este é um direito constitucional.  Através de tais atividades podemos até não formar novos membros da Academia Brasileira de Letras, mas sem dúvida asseguramos a sociedade cidadãos pensantes, que se façam notados e respeitados por sua visão de mundo, afinal conforme afirmou Descartes: “Penso, logo existo”.

 

Outro falha freqüentemente encontrada nos livros didáticos e na prática dos professores que não o utilizam também é quanto ao trabalho do vocabulário. Quantas livros por aí não temos encontrado que com o pretexto de ajudar o aluno trazem um pequeno vocabulário do texto logo abaixo dele. Infelizmente está prática tem sido adotado na didática dos professores em sala de aula que ao responderem prontamente o significado de uma palavra furtam-lhe o direito de pesquisar, de descobrir e experimentar, pois não existem sinônimos perfeitos, uma mesma palavra pode adquirir significados diferentes de acordo como contexto. Entretanto esse “inofensivo” instrumento do qual autores e professores tem se armado no intuito de facilitar o trabalho de interpretação de textos do aluno acabam por torna-lo cada vez menos interessado na pesquisa e mais dependente e subserviente ao tomar uma resposta por unívoca e infalível.

Selecionar a melhor opção dentre as mais variadas oferecidas pelo dicionário requer noções de sinonímia, homonímia, polissemia, além do conhecimento de que o dicionário fornece outras informações, tais como: pronúncia correta, classe de palavras, flexões de gênero e número, orientações sintáticas, ou seja informações adicionais que auxiliam o aluno a escolher a melhor opção em um determinado contexto.

Entretanto o que temos observado é um mero resgate de palavras no próprio vocabulário ou recorrendo-se ao “professor vocabulário”, como se a função deste fosse dar respostas e não levar o aluno a pensar nelas.

Bons exemplos de atividades como trabalho vocabular são por exemplo:

Ø      Apresentar uma lista de “sinônimos” e pedir para que os alunos criem frases para cada uma delas.

Ø      Apresentar textos em que os alunos tenham que substituir termos e expressões por outras equivalentes dentro do mesmo contexto.

Ø      Analisar os motivos de se utilizar a repetição (recurso de linguagem ou erro?)

Ø      Analisar os aspectos afetivos. Por exemplo, quando o autor diz “minha princesinha”, tal termo pode ser substituído no sentido em que o autor quis dar tanto por “princesa pequena” quanto por “querida princesa”?

São esses pequenos detalhes que fazem a diferença na hora de se interpretar textos; nossos livros didáticos e grande parte de nossos professores, influenciados por aqueles, se esqueceram disso.

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

Carvalho, J. A.. POR UMA POLÍTICA DO ENSINO DA LÍNGUA. Porto Alegre. Mercado Aberto.

1966. 5ª edição

 

Mini-dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.

2000 4ª edição

Infante, Ulisses. Palavras e idéias. São Paulo. Ed. Scipione.

1995. 1ª edição             

 

Faraco & Moura. Linguagem Nova. São Paulo. Ed. Ática

    1994. 2ª edição

 



Escrito por tenorio.moura às 23h42
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OS CONTOS DE FADAS E A PERSONALIDADE INFANTIL

*Rogério Tenório de Moura

 

Os conteúdos dessas histórias infantis trazem a oportunidade da criança evoluir como ser humano, entendendo o seu mundo através da fantasia e da sua própria imaginação. Os livros infantis estão intimamente ligados com o processo de desenvolvimento humano, ajudam o infante nos seus momentos de inquietações, nas suas resistências contra os seus pais, nas suas decepções, ao descobrirem os defeitos dos adultos, e no seu medo de deixar a infância. Auxiliam a criança até chegarem à vida adulta, contribuindo de forma positiva na sua formação pessoal.

Os pais não devem radicalizar os contos de fadas, achando que somente as histórias que ouviram e gostaram na sua infância são “aquelas” adequadas aos seus filhos, principalmente porque cada criança tem problemas e valores diversificados, então um conto que chama atenção de uma criança não terá o mesmo valor para outra. Cada criança é dotada da sua individualidade, cada uma tem o seu próprio anseio, então o conto de fadas não pode tornar-se uma “receita” indicada para todos os tipos de criança. As reações infantis estão dentro do seu subconsciente, portanto mesmo que um pai consiga entender o porquê de seu filho ter se identificado com o conto de fadas, deve manter-se calado. Não é direito dos pais contarem aos seus filhos o motivo pelo qual gostaram tanto de determinado conto, esse fato seria uma invasão à privacidade infantil.

A criança não está preparada para entender com maturidade como o seu problema foi resolvido através do conto de fadas. Esse fato só poderá ser desvendado quando ela estiver mais madura e mostrar  vontade de entender como resolveu tal problema na sua infância. Trazer uma explicação precisa para a criança seria sem dúvida, uma maneira de chocá-la e de desencadear outro problema na sua personalidade, já que a mesma não possui um deferimento concreto nessa fase da sua vida.

O conto de fadas está intimamente ligado à essência do ser humano, aos seus sentimentos mais escondidos, à história de um povo. Todos esses fatores associados com o maravilhoso fazem com que os contos de fadas jamais sejam esquecidos pela humanidade.

Os contos de fadas falam de todas as inquietações do espírito humano, de uma forma natural sem broncas ou menosprezo aos mais inusitados e terríveis dos sentimentos. Os personagens vivem num mundo de ilusões - a natureza conversa e toma atitudes humanas e os seres inanimados possuem vida. Toda situação vivida pelos personagens está intimamente associada ao mundo infantil, por isso a criança identifica situações reais e se apaixona rapidamente pelas histórias.

Os personagens das histórias são extremamente sedutores, até mesmo pelo fato de não possuírem apenas características positivas. O mundo do conto de fadas não é somente construído de belas princesas e príncipes e de palácios encantados.  Existem também os personagens maus, esses são identificados pelas crianças ao compará-los, mesmo que inconscientemente, com as pessoas de sua realidade.

Os contos falam de medos: o medo que a criança sente de ficar sozinha no escuro, de gritar e não ser ouvida; o medo de perder os seus pais e não ter mais com quem contar; o medo de ser menosprezada diante dos olhos de outras crianças; o medo de ser tratada como um ser inferior diante da superioridade dos seus pais; e o medo cruel do adulto aproveitar-se do seu corpo, dizendo que sexo é também um ato de amor.

Falam de amor: o amor da criança com o seu animal e a falta de entendimento do adulto com esse sentimento; o amor pelos seus pais que pode ser decepcionante ao descobrir os defeitos dos mesmos; o amor por outras crianças; e o amor incondicional pela fantasia e pelos seus brinquedos.

Falam de dificuldades: a dificuldade de viver a falta de compreensão dos pais diante dos seus problemas; a dificuldade de encarar as outras crianças; e a dificuldade de conviver com a vergonha de expor as suas incapacidades e os seus sentimentos.

Também falam de descobertas: da descoberta de poder resolver situações diárias; da descoberta de perceber que outras crianças podem ter os mesmos problemas que ela; da descoberta do seu próprio valor, independentemente da sua raça e classe social.

Na verdade o conto de fadas tem uma infinidade de temas e propósitos e todos eles seguem a mesma direção: falar com o eu infantil e ajudar os pequenos a resolverem seus conflitos reais através do subterfúgio da fantasia.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 



Escrito por tenorio.moura às 23h41
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O VERDADEIRO VALOR DA AVALIAÇÃO

                                                                                                                    *Rogério Tenório de Moura

 

O processo avaliativo parte do pressuposto de que se defrontar com dificuldades é inerente ao ato de aprender. Assim, o diagnóstico de dificuldades e facilidades deve ser compreendido não como um veredito que irá culpar ou absolver o aluno, mas sim como uma análise da situação escolar atual do aluno, em função das condições de ensino que estão sendo oferecidas. Nestes termos, são questões típicas de avaliações:

 

Ø      Que problemas o aluno vem enfrentando?

Ø      Por que não conseguiu alcançar determinados objetivos?

Ø      Qual o processo de aprendizagem desenvolvido?

Ø      Quais os resultados significativos produzidos pelo aluno?

 

Precauções: a avaliação escolar não deve ser empregada quando não se tem interesse em aperfeiçoar o ensino e, conseqüentemente, quando não se definiu o sentido que será dado aos resultados da avaliação. A avaliação escolar exige também que o professor tenha claro, antes de sua utilização, o significado que ele atribui a sua ação educativa.

Contra-indicações: a avaliação é contra-indicada como único instrumento para decidir sobre aprovação e reprovação do aluno. O seu uso somente para definir a progressão vertical do aluno conduz a reduções e descompromissos. A decisão de aprovação e retenção do aluno exige do coletivo da Escola uma análise das possibilidades que essa Escola pode oferecer para garantir um bom ensino. A avaliação escolar também é contra-indicada para fazer um diagnóstico sobre a personalidade do aluno, pois sua abrangência limita-se aos objetivos do ensino do programa escolar.

A avaliação escolar é contra-indicada para fazer prognóstico de sucesso na vida, contudo, o seu mau emprego pode expulsar o aluno da escola, causar danos em seu autoconceito, impedir que ele tenha acesso a um conhecimento sistematizado e, portanto, restringir a partir daí suas oportunidades de participação social.

No entanto, a avaliação da aprendizagem escolar vem sendo tema de constantes pesquisas e estudos. Essa avaliação visa analisar a aprendizagem do aluno por completo e não simplesmente a partir de notas obtidas em testes e trabalhos.

Alunos e pais se preocupam com a nota, a sociedade e a escola se preocupam com a nota e o professor, claro, também.

Preocupa-se com a nota e de uma forma tão obcecada que passa essa preocupação como forma de ameaças aos seus alunos, frases como: “Fiquem quietos! Prestem atenção! O dia da prova vem aí e vocês verão o que vai acontecer. Estou formulando questões bem difíceis para a prova de vocês”. São comuns no cotidiano de uma sala de aula, mas demonstram um fator negativo de motivação para o aluno, pois o leva a estudar por medo e não por satisfação, pois está ameaçado por uma prova.

Outro tipo de conduta freqüente do professor é uso de “pontos a mais” ou “pontos a menos”. Esse tipo de técnica é bastante utilizado e com bastante eficácia, mas há coisas que não podemos avaliar com pontos, como no caso de “pontos a mais” para quem trouxer todo o material, pois não estaríamos falando de aprendizado e sim de disciplina.

Os pais, a sociedade e as escolas que ficam presas ao sistemas de notas, como já havia citado antes, estão totalmente equivocados do que realmente é educação; pois pais conscientes preocupam-se com o aprendizado de seus filhos, afinal de contas, havendo aprendizado, obviamente haverá aprovação.

No processo de aprendizagem e avaliação há mais do que conteúdo acadêmico a ser levado em conta: habilidades desenvolvidas, o prazer pelo trabalho, a colaboração entre os colegas, as tarefas cumpridas no tempo pedido e a autonomia conquistada durante as atividades. Elementos que dependem de uma apurada observação e intervenção do professor.

Avaliar é levar em conta um processo maior do que o resultado de uma prova ou de uma atividade escolar. Nesse percurso, muitas vezes entra em jogo o próprio trabalho desenvolvido pelo educador. Exige sensibilidade, autocrítica e discernimento.

Acompanhar o filho nas tarefas escolares diariamente é de grande valia para incentivá-lo a prosseguir, além de aproximar ainda mais pais e filhos. Não há dúvida de que isto reverte-se em resultados mais satisfatórios do que uma cobrança exasperada às vésperas da prova. Fazer a criança entender que a avaliação não é o objetivo maior, mas o resultado natural de seu trabalho diário parece ser o ponto de partida.

A observação constante dá pistas importantes do quanto a escola está conseguindo despertar no aluno o prazer pelo conhecimento. Na falta, não se deve hesitar em trocar idéias com professores e coordenadores, é sempre saudável e previne questões futuras.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 23h39
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O JORNAL E A PRÁTICA PEDAGÓGICA

                                                                                                                                            *Rogério Tenório de Moura

                                                                                                                              

            É mais que público e notório aos companheiros de jornada minha especial afeição pela linguagem jornalística, afinal semanalmente nos encontramos neste espaço para colocarmos em baila os mais variados temas, sobretudo, Educação, é claro, dada minha formação acadêmica. Justamente por isso trago ao nosso encontro desta semana um assunto ligado a ambas as áreas, creio tratar-se de assunto de interesse de muitos leitores, sobretudo dos meus colegas professores de Língua Portuguesa, o que, em definitivo, não exclui ninguém da discussão, uma vez que todos estamos de uma forma ou de outra ligados à Educação, seja diretamente, seja indiretamente por meio de filhos ou sobrinhos.

Os textos jornalísticos são mais adequados para melhorar o aproveitamento das aulas de Língua Portuguesa, tanto nas produções de texto, quanto na parte gramatical e interpretação dos mesmos, do que os textos literários, que vêm, desde muito tempo, sendo a principal fonte de pesquisa e trabalho e que não vêm demonstrando resultados muito benéficos com os alunos.

            Os textos jornalísticos possuem uma linguagem bem mais acessível que um texto literário, que é repleto de palavras complexas, principalmente aos jovens.

             A utilização de textos jornalísticos torna muito mais fácil para o estudante desenvolver, por exemplo, uma produção de texto sem erros de construção, de ortografia e o mais importante: é uma maneira de deixar o jovem informado sobre os acontecimentos atuais no mundo sem que eles precisem “devorar” jornais, revistas e a televisão. Não que ler e assistir aos noticiários não seja importante, mas sim que ele pode, ao mesmo tempo, aperfeiçoar suas produções de texto, aprender gramática, estimular a criatividade e se informar sem sair da escola.

 

“ A crise do ensino de Língua portuguesa se prende, entre outros fatores, à  permanência do uso exclusivo do texto literário em sala de aula.”

 

            Quem afirma o trecho acima é Maria Alice Faria em seu livro “O jornal na sala de aula”, segundo ela, os textos literários não servem mais de padrão nas escolas, pois eles contêm uma linguagem atrasada, a qual não pode continuar sendo mero pretexto para o ensino da língua.

            Não podemos afirmar que os textos jornalísticos enquadram-se perfeitamente ao português padrão tão idealizado, porém podemos dizer que tais textos, por possuírem uma linguagem simples e um grande poder de persuasão, conseguem mais resultados com os jovens que os textos literários.

O jornal, como sabemos, é pouco utilizado em sala de aula e, quando utilizado é de forma mecânica que não estimula a criatividade e o senso crítico do estudante.

            Não podemos colocar a culpa exclusivamente sobre o professor, que deixa de utilizar certos mecanismos mais estimulantes, pois geralmente esses professores possuem idéias e tentam colocá-las em prática, porém, não encontra auxílio de materiais e nem coordenação que na maioria das vezes a escola nem conta com esse tipo de profissional. O professor sente-se então inseguro e despreparado para trabalhar certas práticas em sala de aula.

A utilização do jornal nas atividades curriculares da escola ainda não se constitui prática costumeira nem trabalho pedagógico consistente.

Mas o que não há mesmo é um despertar para a possibilidade de uso, uma busca de alternativas que facultem o aproveitamento das matérias jornalísticas pelos professores.

            Nossa vivência como profissional da área permite-nos afirmar que quando o jornal aparece nas atividades de sala de aula é, geralmente, para recorte de palavras com a finalidade de se fixar noções de gramática, ou como fonte de pesquisa em recomendações vagas, padronizadas: “procurem em jornais e revistas”, ou ainda em uso familiarizado pelo aluno: recortes de gravuras, notícias, reportagens etc., para ilustrar e apresentar trabalhos individuais ou em grupo ao professor e, mais raramente, ao grupo classe. Esses trabalhos, em geral, carecem de comentários orais para o professor e demais colegas. Comumente, são expostos nas paredes da sala de aula e corredores da escola. Em regra, constituem-se como atividades mecânicas. Quase sempre não se cobra do aluno nem mesmo o entendimento do que supostamente leu, e o trabalho redunda numa apresentação muda de recortes de gravuras e textos.

            Não basta, por exemplo, incentivar somente o gosto pela leitura, é primordial que se desenvolva nos alunos a capacidade de bem interpretar o que lêem, num processo que chamaremos de amadurecimento da leitura crítica.

            Ler o jornal, para muitos dos alunos entrevistados, significa dedicar-se a uma seção específica, que pode compreender apenas as notícias esportivas, ou de lazer, ou mesmo horóscopo.

            Sem uma proposta de utilização de periódicos, sem material em mãos, sem incentivo da coordenação escolar nem momentos de discussão para se estabelecer um plano de trabalho com o jornal em sala de aula, o professor sente-se inseguro no uso desse material que poderia, na prática, constituir uma fonte revitalizadora do conteúdo curricular.

            As discussões suscitadas em sala de aula nas reflexões sobre matérias de jornais permitem aos alunos, pela leitura crítica, o desenvolvimento da consciência da cidadania. Essa percepção crítica requer, no entanto, um trabalho mais amplo e consistente que não dispensa o texto literário.

            Compete à escola fornecer aos alunos os instrumentos para se tornarem leitores críticos não só de textos, mas do mundo que os cerca. Fazê-los perceber que os jornais não são neutros nem puras informações. As idéias neles veiculadas expressam os interesses e ideologia dos seus editores, colaboradores e, principalmente, de seus patrocinadores.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia)

 

 

 

 



Escrito por tenorio.moura às 23h33
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O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA E O DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR

                                                                                                                                               *Rogério Tenório de Moura

                    Na semana passada todos os profissionais que trabalham nos mais diversos meios de comunicação foram pegos de surpresa com a notícia de que o livre exercício não só da profissão de jornalista, mas de todos os que trabalham com a comunicação de massa está novamente ameaçado (incluindo aí até cartunistas e comentaristas esportivos). Não é de hoje que os maus jornalistas tentam se utilizar da legislação como uma arma para coibir o livre exercício da profissão e criarem uma espécie de monopólio dos bacharéis, onde só os graduados em cursos de Comunicação pudessem ser os porta –vozes da informação. Cabe agora ao Supremo Tribunal Federal decidir essa questão e por fim a esta odisséia.

O que esses “comunicadores” esquecem é que uma democracia só é legitima quando respeita a liberdade de expressão de todos os cidadãos que representam as mais diversas vozes presentes na sociedade em que se inserem.  Esse pluralismo social, onde se repousa uma gama infindável de valores culturais, políticos, religiosos, econômicos, não raras vezes contrapostos, não pode ser refém de um dirigismo acadêmico, elitista sem que ocorra a fissura na relação de causa e efeito entre a mídia, sociedade e Estado, banindo aqueles valores que compõem o perfil natural dos mais diversos grupos sociais que compõe a sociedade como um todo.

Vale salientar o que prescreve a Constituição Federal no art. 5o, IX:

"é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença."

Faz-se salutar, ainda, que não há outro controle jornalístico, senão o instituído pela Constituição Federal. Ademais, o próprio texto constitucional elegeu a condição de inviolável a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (art. 5o, X, CF/88), sendo assim, cabe ao Judiciário,e não à Instituições de Ensino Superior, garantir que o exercício de tal profissão será exercido de forma ética e responsável e, se não o for, punir os maus profissionais.

Não obstante, o que está em pauta é um problema não de comunicação de massa, mas de manipulação das massas. Que o diga o “cidadão Kane”! Respira-se o ar da globalização e de um modelo neoliberal, mas espera-se que esse próprio Estado mínimo se maximize quando a questão é defender os interesses dos poderosos! Tal contradição é, no mínimo, uma incoerência pujante, para não chegarmos ao extremo de atribuir-lhe o predicativo de hipócrita.

Enfim, para a pujança de um modelo de globalização mais humano e justo faz-se mister derrubar as barreiras jurídicas e pôr fim à manipulação do aparato legal por intérpretes de pontos de vista notoriamente facciosos, que juntos estariam por limitar o completo florescer de uma sociedade mais justa, onde todos os segmentos têm vez e voz.

Note, amigo leitor, que o que pode vir a lume pelo entendimento de apenas 06 (seis) ministros do STF (maioria), infundindo um temor generalizado dos que não se curvarem a ela é a responsabilização criminal de todo meio de comunicação que empregar profissional que não seja portador do diploma de curso superior de jornalista, além de imputar ao trabalhador em questão o crime de exercício ilegal da profissão e quiçá a interpretação do juiz, de falsidade ideológica. Nem mesmo durante o período militar se observou tamanho hermetismo.

Tamanha exibição de totalitarismo só poderia vir de indivíduos sobremaneira presunçosos, a ponto de crerem que o diploma que eles ostentam, mas  ao qual  maioria da população não tem acesso, faz deles interlocutores oficiais dessa mesma população à qual eles querem negar o direito de se fazerem ouvir por meio dos mecanismos de imprensa.

Ressalte-se, ainda, que somente um total alienado não tem consciência de que hoje em dia o MEC não passa de uma espécie de cartório, onde os ricos que querem se tornar ainda mais ricos vão apenas homologar a abertura de suas faculdades. Na prática isto significa que parcela significativa das instituições de ensino superior, que não param de se proliferar Brasil adentro, não passa de caça níqueis sem condições pedagógicas nem éticas para formar ninguém, uma vez que se prostituem a ponto de ofertar cursos presenciais ou “não”, dependendo de quanto o acadêmico está disposto a desembolsar para não ter de freqüentar as aulas. Assim sendo, presumir que alguém será mais ético por ter em mãos um título superior é o mesmo que crer que um ex-presidiário não reincidirá em seus delitos por ter cumprido sua pena.

O controle externo representaria o veio da tutela jurisdicional: o triunfo das elites a implantar um espião nefasto a revoar a liberdade de expressão, não apenas da sociedade, mas a própria liberdade (criatividade) do julgamento, do livre pensamento.

 A vingar esse novo modelo de exercício da profissão de jornalista, este país caminhará por um caminho perverso, vil, com castração de liberdades conquistadas após inúmeras lutas. Os legítimos movimentos sociais, a liberdade de informação e comunicação, os interesses individuais, não terão eco quando silenciados despoticamente pelos poderosos que há décadas se utilizam de seu poder de manipulação para se manterem no poder elegendo e derrubando Estadistas, tirando proveito de seu status quo para se agarrarem às “tetas do governo” e de lá não se soltarem enquanto não sugarem a última gota de recurso público possível; que o digam as Rede Globo e SBT, generosamente beneficiadas em detrimento das TVs Tupi e Excelsior, vilipendiadas, sem escrúpulos, pelo regime militar que as levou à bancarrota.

Com efeito, pior do que controlar a imprensa é dominar a Justiça, que tem como ofício confirmar e proteger todas as liberdades. Sem ela, aí sim, estará tudo perdido, porque não haverá resposta idônea acerca de qual é a legítima e sã conformidade do direito de expressão, principalmente porque não se garante direitos quando não se tem independência.

Vale lembrar que, hodiernamente, os últimos resquícios de uma imprensa verdadeiramente livre das amarras com oligarquias políticas e grupos multinacionais interessados em absorver nosso país estão nos pequenos e médios meios de comunicação, onde todos os segmentos sociais tem espaço para defenderem seus posicionamentos. Com a inviabilização deles, por falta de recursos para manter toda uma equipe de bacharéis em jornalismo, não haverá mais onde se debater crises e afastar insatisfações, porque todos estarão vestindo, obrigatoriamente, a armadura da sujeição.

Um país com uma imprensa livre é, efetivamente, um país livre. Ao amigo que tiver maior interesse pelo assunto, sugiro que assista aos filmes “O Quarto Poder” e “Brasil Cidadão”. Eles traduzem a real dimensão do poder da mídia na condução dos destinos de uma nação.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 23h19
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O alfabetizando e as variantes lingüísticas

 

                                                                      *Rogério Tenório de Moura

 

Segundo Miriam Lemle para ser alfabetizado o indivíduo deve apresentar três capacidades independentes , mas inseparáveis entre si:  compreender as ligações simbólicas entre letras e sons da fala, enxergar as distinções entre as letras e distinguir os sons relevantes da fala.

Tais capacidades são fundamentais para que o indivíduo desenvolva a idéia de palavra, que é o centro da relação simbólica contida numa mensagem.

Por falta da percepção do que seja “palavra” originam-se os erros de falta de separação de palavras, por exemplo: “minhavó” ou “nonavio”, ou ainda com menor ocorrência a alocação errada de fronteiras vocabulares, como em “minha miga”.

Uma polêmica relevante levantada pelos alfabetizadores é a seguinte, um alfabetizando deve aprender a ler através de todos os tipos de palavras, mesmo através daquelas que não lhe representem significado algum? Métodos de alfabetização revolucionários como o de alfabetização de adultos de Paulo Freire defendem que não, segundo este método o alfabetizando deve começar a construir seus significantes, traçar paradigmas, através de instrumentos que façam parte de seu dia-a-dia.

Outro aspecto que precisa ser estabelecido desde o início da alfabetização do indivíduo é a compreensão da organização espacial da página. A maneira de olhar um texto não deve ser encarada pelo alfabetizando  da mesma que observa uma foto. Deve-se deixar bem claro na cabeça do aluno que se lê e se escreve da esquerda para a direita e que a ordem significativa das linhas é de cima para baixo na página.

Há um dado momento na alfabetização que parece haver uma enorme lâmpada que se ascende na cabeça do alfabetizando, é quando ele descobre os vínculos das letras com os sons que estes representam, porém esta relação monogâmica entre som e escrita vai durar pouco tempo, pois o indivíduo perceberá que nem sempre uma letra representa o mesmo som (poligamia) e o educador nem deve manter o educando preso a esta etapa por muito tempo, pois se este fica retido nesta fase começara a se desinteressar por escrever, afinal quase tudo que ele escrever estará errado e pronto, sendo que o que mais parece  é que a escrita está errada.

Neste momento devemos fazer o educando entender um pouco da evolução das línguas através de um pouco de história, tomemos a evolução da nossa língua como exemplo. Começaremos dizendo que: “A língua portuguesa veio do Latim, língua falada na Itália há muitos séculos atrás, porém era uma língua elaborada pelos nobres e muito difícil de ser falada, então o povo passou a falar um tipo de Latim muito diferente do Latim clássico, tido como correto, criou-se, assim, o Latim vulgar. Com a expansão dos domínios de Roma outros povos passaram a falar o Latim, porém também encontraram dificuldades e passaram a falá-lo à sua maneira. Então de acordo com cada região em que o Latim passou a ser falado cada povo ,em épocas diferentes, modificou um pouco a forma de falar que lhes foi ensinada, assim foram criados vários idiomas e dialetos como o português, que ainda hoje continua mudando.

Você já percebeu que nem todas as regiões do Brasil falam da mesma maneira e que nem todos os países que falam a língua portuguesa conseguem se comunicar muito bem?

Por causa dessas diferentes formas que as pessoa de cada região tem de falar o mesmo idioma é que existe apenas uma forma tida como correta para se escrever, afinal como é que nordestinos e sulistas poderiam se entender se na maneira de falar o idioma se torna muito diferente? Como é que um estudante estrangeiro iria estudar nossa língua se a forma escrita fosse sempre da mesma forma que falamos, quantas “variações padrão” do mesmo idioma iriam haver? Seria impossível aprender uma língua estrangeira.

É claro que essas situações de poligamia lingüistica trazem problemas para os alfabetizandos, mas é assim que as línguas são criadas, evoluem e não é por mera força de decreto que as pessoas vão parar de usar variedades lingüisticas. É claro que se fosse assim a identidade política do país seria firmada com grande facilidade, mas a realidade não é tão simples assim, e se as pessoas se comunicam em uma variedade lingüistica diferente da norma padrão e ainda assim dentro de um determinado grupo social se entendem, não podemos dizer que estão erradas, pois a sua maneira de falar cumpriu a sua devida função, a de estabelecer a comunicação, de tornar comum uma dada informação.

Tão importante quanto não discriminar as variações lingüísticas é não colocarmos a língua em posição de honra depois de adaptada a uma determinada variação. Falta-nos base para afirmar que uma língua é melhor ou pior depois destas mudanças, mesmo porque a língua está sempre em mudança e, na prática, isto equivaleria a dizer que a língua é imperfeita, por isso estamos sempre em busca da melhor variação.

As variações sempre existiram e sempre vão existir, é natural que elas passem a ser consideradas corretas a partir do momento que a maioria dos falantes de uma dada língua a compreendem, trata-se da legitimação de uma fato compactuado informalmente pela coletividade.

É impossível que a língua escrita acompanhe o ritmo frenético de mudanças que a língua falada sofre no dia-a-dia de seus falantes, faz-se necessário existir um meio termo que equilibre o uso desta pelos seus falantes, ao menos nas questões oficiais (documentos, reuniões de negócios, etc.) e para podermos nos firmar politicamente como nação soberana e indissolúvel diante de outros Estados, expressando internacionalmente a nossa identidade, afinal o quê pode ser mais peculiar a um povo do que a sua própria língua? 

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 23h16
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LIBERDADE RELIGIOSA, MITO OU DIREITO?

                                                                                                                                                *Rogério Tenório de Moura

Um dos princípios básicos da condição humana é o livre exercício de credo religioso, garantido, inclusive, pela constituição federal. O homem, enquanto ser pensante, e por conseguinte consciente da efemeridade  de sal existência, ao menos terrena; lança ao além túmulo suas esperanças, agarra-se a uma religião , que em seu sentido literal significa “religar-se”, ou seja, estabelecer contato novamente com o plano espiritual e, assim, buscar alento à inquietante certeza da finitude de sua vida corpórea.

O direito de exercer a fé em uma doutrina que melhor afague nosso coração é, portanto, tão essencial quanto alimentar-nos, pois, em teoria, garante a continuidade de nossa existência em outro plano.

Partindo de tal pressuposto. Exigir por força de decreto ou mesmo de assédio moral que alguém participe  de um rito ou de uma celebração qualquer que tem por origem dogmas de outra religião que não a do próprio indivíduo pode ser comparado a um “estupro de consciência”, uma violação ao credo alheio.

Assim sendo, contraditoriamente ao que as escolas pregam ao defenderem a comemoração das festas juninas, que é o respeito à diversidade cultural (um dos temas transversais), a fé de diversos membros da comunidade escolar tem sido desconsiderada ano após ano, como se o fato de tais comemorações homenagearem “santos” do panteão católico não fosse um ato diametralmente oposto a tudo o que vários segmentos religiosos defendem.

As autoridades escolares, antes de optarem por oficializar uma festa de cunho religioso inserindo-a no calendário de dias letivos, deveriam levar em consideração a diversidade religiosa mundial que, como um todo, sobrepuja consideravelmente a católica; tal fato é sobremaneira inconteste que recentemente o papa Bento XVI admitiu que hoje em dia o número de muçulmanos superou o número de católicos. Isto posto para não falarmos que somados judeus, protestantes, budistas, hindus e demais credos numericamente menos representativos aos seguidores de Maomé somos mais de quatro bilhões e meio de pessoas, mais de dois terços da população mundial.

Portanto inserir a comemoração de tal festa no calendário escolar de forma oficial é o mesmo que dizer a todos os que não compartilham desse credo que estão equivocados, que sua fé não merece respeito ou, no mínimo, é menos importante, afinal nunca vi nenhuma escola pública local comemorar o sábado sagrado judeu, o mês sagrado muçulmano nem mesmo participarem da marcha para Jesus, promovida pelas igrejas evangélicas.

Então levanto outra questão, será que o interesse das instituições escolares é realmente trabalhar a pluralidade cultural ou arrecadar dinheiro a qualquer custo, inclusive cometendo o despautério de vender bebidas alcoólicas em tais festas? Os demais eventos supracitados só trazem despesas, já as festas juninas compensam as escolas da negligência do poder público suprindo necessidades prementes, mesmo que isso signifique desrespeitar o credo dos cidadãos e cometer a hipocrisia de vender bebida alcoólica, apesar de passarmos o ano inteiro tentando convencer aos educandos dos malefícios de tal prática.

Vale ainda ressaltar que o Brasil é um Estado laico, ou seja, não possui religião oficial. Assim sendo: abaixo a ditadura da religião e do dinheiro!

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 23h11
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HOMENAGEM VITAE

                                                                                                                                           *Rogério Tenório de Moura

 

Nesta semana fui surpreendido com uma grata homenagem à memória de meu saudoso irmão, o radialista Job Gomes de Moura Filho, falecido em setembro de 2006. A Câmara Municipal de Cassilândia deu o nome dele à avenida AB, localizadana Vila Pernambuco, que coincidentemente leva a alcunha do meu avô, o ex-prefeito Joaquim Tenório Sobrinho.

Naturalmente tal fato causou-me orgulho, além de uma boa dose de nostalgia, mas não é por isto que resolvi ocupar este espaço, amigo leitor. Na verdade o acontecimento em questão é o que me motivou a redigir as reflexões que se seguem.

Certa vez Machado de Assis escreveu que o curso natural da vida estava todo errado, que o natural, o mais humano, seria nascermos velhos, frágeis, doentes, dependentes e irmos melhorando, nos revigorando, até alcançarmos a força da juventude, a garra, a determinação e quanto mais produzíssemos, mais jovens e felizes nos tornássemos a ponto de terminarmos nossa existência na explosão de um orgasmo.

O mesmo acontece com as homenagens, passamos a vida inteira correndo atrás do sucesso, do reconhecimento profissional, dos bens materiais e só acabamos nos dando conta de que deixamos de expressar às pessoas o valor que elas tem para nós quando já não há mais tempo para isso.

É por isso que decidi ocupar este espaço hoje para prestar uma homenagem vitae à uma pessoa muito querida, não só por mim, mas por milhares de cassilandenses. Esse cidadão, embora não seja uma das pessoas mais religiosas que conheço, é a síntese mais perfeita do que é ser cristão com a qual já tive o prazer de conviver. Devo confessar que muitas vezes surpreendo-me a questionar o meu pseudocristianismo, digo isto porque, sinceramente, não sei se seria capaz de dar tamanhas provas de abnegação como já vi ele dar.

Não foi nem uma nem duas vezes que presenciei ele tirar o último tostão do bolso para ajudar um estranho, logo após comentar comigo os sérios problemas financeiros pelos quais vinha passando. Sei que parece incoerência, alguns radicais diriam até que chega a ser falta de amor próprio, mas o fato é que somos fruto daquilo que vivenciamos ao longo de nossa infância, de nossa mais tenra educação, salvo raras exceções que por contingência maior da vida e a duras penas se moldaram. O fato é que neste caso o dito popular “filho de peixe, peixinho é”, resume bem não só quem ele é, mas quem escolheu ser.

É verdadeiramente fato que já na vida adulta, após anos de experiência tanto acadêmica quanto de vida, escolhemos ser quem somos e poucas são as vezes em que uma pessoa que teria tudo para ter uma vida sossegada e confortável escolhe abrir mão de tudo isso para se dedicar ao bem da coletividade, mesmo sabendo que não raras vezes será incompreendido e vitima de pechas maldosas das quais jamais fez jus.

Não ter dia nem horário para ser abordado por qualquer um que esteja em busca de ajuda para solução de um problema, seja em um Natal em família ou até mesmo no velório de um ente querido e ainda assim não perder o bom humor; ser um alto funcionário da Receita Estadual e não conseguir manter seu orçamento equilibrado porque vive a ajudar aqueles que lhe pedem; deixar de realizar projetos pessoais e familiares porque a todo momento é requisitado para resolver os problemas de outrem, lutar, até mesmo quando sem mandato (sem ganhar nada pra isso) para melhorar a qualidade de vida do povo de sua cidade, mesmo sabendo que sempre aparecerão espíritos de porcos para ver maldade e segundas intenções onde não existem, parece insanidade? Pois esta é a rotina, o cotidiano de Luiz Tenório de Melo, o Luizinho.

É em nome de todas as pessoas que só tiveram a chance de estudar, de dar um enterro digno a um parente, de fazerem um tratamento de saúde, de sonharem com uma vida melhor graças ao senhor que lhe presto essa homenagem, tio, sem o menor receio de ser tachado de piegas, pois aprendi contigo a perseguir os ideais em que acredito, mesmo quando tudo e todos parecem estar contra mim.

Certa vez Juscelino Kubitschek disse que mesmo se discordarmos do posicionamento político de um homem público, mas percebermos sinceridade em suas ações, o mínimo que devemos a esse idealista é respeito por lutar por algo em que verdadeiramente acredita. Mesmo quando discordo do senhor, eu gostaria que o senhor soubesse que eu (e muita gente!!!) o admira e respeita muito. Quem dera tivéssemos nesse país mais políticos que lutassem, não importa se por causas justas ou equivocadas, mas que saíssem da inércia cômoda de seus gabinetes e realmente tivessem o desejo latente que o senhor tem de mudar o mundo a sua volta!

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 23h09
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ESTUDAR LÍNGUA PORTUGUESA PRA QUÊ?

                                                                                                                                       *Rogério Tenório de Moura

 

Os puritanos defendem a idéia de que a juventude, hoje em dia, não sabe usar a língua corretamente, grave equívoco, o que realmente ocorre é que os jovens simplesmente falam diferente do que os jovens de quarenta anos atrás falavam e estes falam diferente dos jovens do século XIX.

Na verdade o uso inadequado da Língua Portuguesa nas diversas situações de fala tem se acentuado por causa daquela que deveria justamente estabelecer a língua padrão, a gramática. Esta, vem sendo usada como instrumento de coerção há séculos, no intuito de estabelecer uma variedade lingüística como modelo e uma atitude de respeito cego as autoridades constituídas como padrão. A juventude, seja ela de qual geração for e de onde quer que seja sempre terá a marca da rebeldia, do inconformismo, é uma atitude cognitiva normal, uma forma de auto-afirmação diante do mundo, assim sendo é óbvio que os adolescentes foram, são e sempre serão os maiores transgressores da língua.

Os países centrais do capitalismo tem menosprezado toda cultura que não seja a deles, relegando-as a barbárie, e se utilizado há séculos da linguagem como instrumento de dominação pacífica via inculcação ideológica. Tal assertiva fica óbvia em um    Fragmento da carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manoel:

 

“Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E, portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar”.  

Através de tal fragmento fica clara a intenção de estabelecer a hegemonia de uma classe sobre a outra via inculcação ideológica. Dentro dessa perspectiva a língua, regulada por uma gramática normativa, a língua passa a ser um instrumento efetivo no estabelecimento de uma elite dominante em detrimento de uma maioria tida por ignorante e dócil!

Já na concepção de Marx a língua é uma forma de se socializar o conhecimento pelo bem de toda a coletividade e não em detrimento da maioria para o favorecimento de alguns:

A linguagem nasceu de uma exigência prática: a luta pela sobrevivência, a necessidade de se socializarem as experiências bem sucedidas, surgindo , assim, a memória coletiva da sociedade”.

 

A gramática normativa se estabeleceu historicamente no momento de fortalecimento das monarquias autoritárias, os gramáticos se utilizaram de empréstimos lingüísticos do latim, do grego, e de conhecimentos da tradição clássica, tais como: filosofia, literatura, história, línguas clássicas, conhecimentos absolutamente desconhecidos até então para a plebe que em sua grande maioria era analfabeta.

A educação no Brasil começou com os jesuítas, justamente com a intenção de dominação pacífica, para tanto o primeiro passo, obviamente, foi a imposição da Língua Portuguesa, pois os “índios educandos” não tinham a menor intenção de aprender a língua dos colonizadores, não tinham um porquê aprender, então muitos eram submetidos a espancamentos até que se sujeitassem a esse aprendizado.

Na educação tradicionalista os castigos físicos também fizeram parte dos “recursos didáticos” para auxiliarem o professor em sua tarefa de educar. Hoje chegou-se a conclusão de que tais recursos são desnecessários, creio que porque perceberam que os próprios conteúdos já eram tortura demais! Nunca ouvi  na prática discursiva alguém dizer: “vós estais equivocados” ou “que tu estudes”. São  tais arcaísmos que fazem da variedade padrão uma estrutura estática, morta, desprovida de qualquer vínculo com este mundo extremamente dinâmico, muito embora, talvez por falta de alguma variedade mais sistemática e representativa, ainda seja um importante instrumento na busca da ascensão social.

De acordo com a Lei 5692 de 11/08/71, o objetivo da escola é qualificar o educando para o trabalho e para a cidadania. A maioria dos pais querem que os filhos aprendam os conhecimentos  da classe dominante para que os filhos adquiram uma melhor condição social. Podemos observar a partir de tais perspectivas que a relação entre escola e sociedade é intrínseca ao processo produtivo, uma vez que se espera que a escola habilite seus educandos para que alcancem maior cotação na esfera social; mas então fica a questão, quem está falhando quando os alunos evadem da escola?

Os inúmeros mecanismos que a própria sociedade cria para conter o acesso da população as classes mais altas da esfera social são os maiores responsáveis. O que parece uma incoerência, pois se espera que o povo seja educado para produzir riquezas, é na verdade um mecanismo de contenção das massas, pois é óbvio que não existem recursos infinitos para serem distribuídos entre todos os “detentores do saber escolar”. A dificuldade de se deslocar até a escola, a falta de alimentação, de saúde, de moradia, de merenda escolar; pois muitos vão a escola para fazer a principal refeição do dia, são apenas alguns dos empecilhos para evitar que essa mesma população galgue maiores passos no caminho da educação.

É óbvio que a linguagem arcaica, estigmatizante, desprovida de significação para  o educando o desestimula, mesmo porque é essa mesma linguagem que será utilizada para repassar todo o conteúdo a ser apreendido em todas as disciplinas, mas diante dos inúmeros empecilhos impostos pelo sistema não podemos atribuir a culpa da evasão escolar somente na escola e em seu “dialeto culto”.

Atualmente existem quatro tendências do ensino da língua padrão nas escolas:

1.      Tendência tradicional- defende sem restrições  o ensino da língua padrão

2.      Tendência nacionalista- defende o ensino de uma língua portuguesa abrasileirada.

3.      Tendência diglossiana- defende o uso da norma culta, oral e escrita, mas respeita a forma de falar do educando.

4.      Tendência Integralizadora- defende o ensino da língua padrão a partir da variedade lingüística do educando, alertando-o para as diferenças e para as diversas situações de uso das variedades lingüísticas.

Os que defendem a tendência tradicional esbarram justamente em seu principal argumento, pois ao defender sua filosofia de trabalho apoiando-se em escritores clássicos  esquecem-se que são os autores os primeiros a legitimar as variedades lingüísticas em suas obras. Se por um lado os tradicionalistas podem se apoiar em Camões para defender sua posição os diglossianos e os integralizadores podem se apoiar em José Saramago, Guimarães Rosa, Aluízio de Azevedo...

A língua não é estática e se hoje temos nomes clássicos que representam o “bom português”, nem sempre foi assim.Grandes nomes nem sempre foram bem quistos entre a comunidade literária e só passaram a ser celebrados com o passar dos anos, conforme a variedade em que escreviam passou a receber maior prestígio, via ascensão social de seus falantes, é óbvio. No século XIX, por exemplo, a crítica literária quando queria menosprezar alguma obra dizia que era obscena como uma página de Eça de Queirós.

A tendência nacionalista mereceria maior reflexão da nossa parte se ao menos houvesse vasto material sobre o tema, como não há, ao menos por hora, fica impossível se pensar em estabelecer um língua padrão brasileira. Embora nosso “português” seja muito diferente do de Portugal, nem nossos autores, nem nossos gramáticos, desenvolveram, material específico para se defender o tema com propriedade.

Uma falha apontada por estudiosos na tendência diglossiana é que os defensores da mesma afirmam que a variedade culta é a responsável pelo fracasso escolar dos alunos, mas segundo Labov a criança só desenvolve a percepção de que a escola está rejeitando sua maneira de falar a partir dos doze anos, além do que, pelo que já vimos anteriormente, a linguagem é apenas um dos empecilhos impostos pelo sistema ao educando.

Parece-me que a tendência que melhor atende aos interesses sócio-interacionistas de uma escola que se queira democrática e libertadora é a integralisadora, pois não diminui nem exclui nenhuma variedade, alias procura integrar todas as variedades possíveis convergindo em uma tida como padrão, tal fato segundo Antonino Pagliaro é extremamente positivo, pois ao atingir por um ato de adesão à forma de expressão de maior prestígio, atingi-se também o espírito de unidade nacional.

Segundo Evaldo Bechara cabe ao professor e a escola como um todo transformar o aluno em um poliglota dentro da sua própria língua histórica. O que é sem dúvida o mais apropriado no Brasil ,em se tratando de um país com um povo de tantas origens, que se subdivide em grupos de idade, de classe social, de atividade profissional...se a função da língua é a comunicação, é integrar os indivíduos para a prática comunicativa contribuindo, assim, para o progresso social, a exclusão de variedades lingüísticas ao invés de fortalecer o sentimento nacional dentro dessa imensa pluralidade irá segregar os indivíduos em seus “guetos” e castrar da sociedade o direito de ser e ser cada vez mais.

Os adeptos da tendência tradicional partem do pressuposto que os alunos não sabem nada ao entrar na escola. O pior é que estes acabam crendo nisto de tal maneira que mesmo após terminar a vida escolar continuam pensando assim.

Antagonicamente os que defendem a tendência nacionalista e alguns da tendência diglóssiana partem do pressuposto de que todas as crianças mesmo antes de entrarem na escola já sabem as variedades  gramaticais e, inclusive, a fazer a análise sintática, o  que é um equívoco, um indivíduo, por exemplo, pode perfeitamente saber dirigir sem, no entanto, entender de mecânica. Tal corrente defende o inatismo da linguagem, porém tal tese pode ser facilmente derrubada, uma vez que um ser humano  que não tenha entrado em contato com outros seres humanos não desenvolverá uma linguagem ordenada, provida de uma gramática básica internalizada, uma vez que os signos são arbitrários, convencionados, bem como sua disposição dentro da oração.

É óbvio que se um pescador dirigir-se a um pedreiro usando seu dialeto dificilmente se fará compreender, da mesma forma se um gramático usar a sua própria variante com um capataz dificilmente transmitirá sua mensagem. Portanto erro lingüístico é o uso inadequado de uma variante em um determinado contexto social. Não se vai à praia, por exemplo, de smoking nem a uma reunião de negócios de bermuda.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 23h06
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O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NO AMBIENTE EMPRESARIAL

     

*Rogério Tenório de Moura

 

A informação é unilateral, ou seja, exige apenas transmissão. A informação é a matéria prima da comunicação, mas existe independente da comunicação.

Enquanto que a comunicação é um processo bilateral, exige transmissão/recepção. Quando o receptor interpreta a informação, realiza-se a comunicação.

Em tempos de Internet, onde prevalece a informação rápida e qualificada, a comunicação truncada não tem vez. Os especialistas continuam com a razão: a empresa ou o ser humano que não se comunica, ou tem pouco para contar ou tem muito para esconder. Em qualquer uma das situações expostas, ele estará sujeito a desvantagens em seus negócios.

Hoje, as empresas sabem que comunicar não é apenas um dever, mas um fator estratégico para conseguir alcançar o sucesso de seus negócios e a conquista da opinião pública.

Não menos importante do que a simples divulgação de produtos ou serviços, a comunicação é poderosa ferramenta para a empresa dialogar com a sociedade, dar satisfação de seus atos e conhecer expectativas, é um instrumento fundamental para construir e solidificar a imagem empresarial.

Uma política de comunicação clara e definida é reconhecida como fator estratégico para o sucesso da corporação.

A princípio, pode parecer fácil implantar uma política de comunicação em uma empresa. Mas não basta definir princípios e traçar estratégias. Criar e implantar uma política de comunicação é uma tarefa árdua antes de tudo, e quase sempre, é preciso mudar mentalidades e a própria cultura da empresa, não apenas da alta direção, mas principalmente, da média gerência.

Quando se fala em mudança de mentalidade, pode-se imaginar uma empresa como a Volkswagem, com cerca de 400 diretores, gerentes e supervisores, pessoas que, de alguma forma, controlam as informações em suas áreas. Em muitos casos, sentem-se donas das informações ou inseguras por terem de compartilhá-las. Ainda há o medo de que a divulgação possa prejudicá-las.

No oposto a isso, outros entendem que informação é o poder e querem usá-la para atender a seus projetos pessoais, mais do que aos interesses corporativos.

Essas mentalidades têm que mudar para que os funcionários de uma corporação, em todos os níveis, entendam a importância da comunicação para a empresa. É preciso haver a consciência de que a informação tem valor estratégico para empresa e faz parte do negócio.

A política de comunicação de uma empresa deve ser norteada por alguns princípios e o principal deles é a consciência do dever de informar à sociedade sobre suas atividades. A corporação precisa respeitar o direito democrático e universal à informação.

Recomenda-se que a comunicação esteja calcada em elementos centrais da cultura administrativa que se transformam na percepção de como fazer, com que métodos, de que modo e sob a orientação de quais valores. Considera-se boa à comunicação em uma empresa, quando se define objetivos claros, busca recursos humanos adequados às tarefas a serem executadas, empenha-se na motivação das pessoas, sabe buscar e compartilhar as estratégias mais adequadas para atingir os fins visados e, ainda, avalia e divide resultados.

Embora pareça ser uma tarefa simples, não é, existem muitas dificuldades, porque implica a gestão de pessoas, de processos e de resultados, o que impõe, de cara, alguns obstáculos. Algumas grandes corporações historicamente não exercitam a preocupação com seus relacionamentos internos; relacionamentos que têm com complicador o fato de o público interno não ser composto por grupos homogêneos. Eles dividem-se em vários segmentos com características e objetivos, se não divergentes, no mínimo diferentes. Há grande diversidade de linguagem, de filosofia, de idade, de nível de escolaridade, de competências e de valores. Nessa diversidade residem os muitos entraves de relacionamento entre os níveis ascendente, descendente e horizontal.

As empresas estão vivenciando momentos de insatisfação generalizada, em todos os níveis e serviços. Insatisfação com as políticas salariais adotadas, com os critérios de avaliação implantados, com a perda do sentimento de pertença e tantos outros. Exercitar o diálogo e direcioná-lo para o alcance da satisfação com o trabalho, com a convivência interna e com outros anseios são desafios dos comunicadores das empresas no plano interno.

Existe dentro das empresas, o que se pode chamar de português corporativo, uma linguagem que muitas vezes parece mais um enigma, que os funcionários fingem entender, o que faz gerar várias contradições e conseqüentemente prejudica o andar da comunicação na empresa.

As redes informais de comunicação interna trabalham basicamente com o nível de confiança nas relações de trabalho entre os funcionários de uma empresa. Trata-se de um sistema de comunicação invisível, mas muito poderoso e que é ignorado por muitos executivos.

Baseia-se no fato de que as pessoas se sentem confortáveis em trabalhar com colegas em quem confiam. Essa confiança é uma força real, não palpável, que mantém as pessoas unidas em redes de relacionamentos, ou seja, você fala com as pessoas em quem confia e divide determinadas informações com elas. Enquanto que seu comportamento muda em relação às pessoas em quem você não confia. A confiança é importantíssima, porque é por meio dela que o conhecimento flui, ou não, pela organização.

Existem diferentes redes informais de comunicação de cada profissional dentro de uma empresa, que não correspondem à estrutura hierárquica, mas que podem ser muito mais poderosas que ela.

Para identificar as redes informais de comunicação interna em uma empresa, deve ser proposto que cada funcionário responda um questionário com cinco ou seis perguntas.

- Com quem você conversa sobre a rotina de seu trabalho?

- Com quem você discute novas idéias?

- A quem você recorre quando precisa se aprofundar num assunto?

- Quem você procura para discutir mudanças nos processos?

- Quem você procura, dentro ou fora do escritório, para saber o que está acontecendo na empresa?

- Com quem você costuma conversar sobre sua carreira e sobre o futuro ?

O objetivo é fazer com que dêem o nome dos colegas que costumam procurar para discutir diferentes assuntos. Esses círculos informais de conversas formam as diferentes redes. Por meio delas identificamos o nível de confiança que existem nas relações de trabalho, e assim conseguimos identificar o fluxo de informações na empresa.

O diagnóstico da comunicação permite a criação de estratégias de gestão das dificuldades, de alterações eficientes do modo de planejar e alocar as pessoas certas nos lugares mais adequados a seus perfis. Nos momentos de insatisfação generalizada no ambiente das empresas, os comunicadores podem contribuir com diretores, chefes e todo o corpo de funcionários, no sentido de educá-los para o convívio no trabalho, para a participação e o envolvimento.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 21h14
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Decifra-me ou te devoro!

                                                                                                                  *Rogério Tenório de Moura

 

Só tem acesso aos mecanismos do poder, aos bens de consumo, a participação ativa nas realizações sociais quem coordena adequadamente os pensamentos através do domínio da linguagem, da seleção das informações, do domínio da retórica e de um amplo conhecimento de mundo.

A linguagem nunca é neutra. Ela sempre está vinculada a uma sociedade, às relações de produção, a um sistema político, a uma filosofia educacional e o homem é uma espécie essencialmente social, nossa existência, hoje, enquanto homo sapiens só tornou-se possível porque nossos ancestrais “primitivos”  desenvolveram a habilidade de dominá-la.

No entanto a razão de ser original da comunicação foi vituperada, nossos ancestrais buscaram a aquisição da linguagem para sociabilizar o conhecimento acumulado, compartilhar nossas experiências para o bem da coletividade; o que se tem observado, porém, é uma busca incessante de domínio pacífico das massas via inculcação ideológica.

A tarefa de educador constitui justamente em fazer com que a liberdade triunfe sobre a dominação. Por aí se percebe que o trabalho do educador não é apenas ensinar ou transmitir conhecimentos, pois de certo modo a tarefa da educação está essencialmente ligada à formação da consciência crítica, à conscientização. O papel da conscientização de que nos fala Paulo Freire é essa decifração do mundo, dificultada pela ideologia; é esse ir além das aparências, atrás das máscaras e ilusões.

A escola não pode se manter omissa, alienada, andando atrás das mudanças sociais, ela deve estar na vanguarda ou corre o risco de perder sua razão de ser, mas sobretudo não pode permitir que seus educandos terminem sua vida escolar crendo que o resultado irremediável da dedicação é o sucesso, que o domínio da tecnologia garante uma sociedade mais desenvolvida e justa, pois sabemos que isto não é verdade.

A tarefa de educador constitui justamente em fazer com que a verdade triunfe sobre o engodo. Por aí se percebe que o trabalho do educador não é apenas ensinar ou transmitir conhecimentos, pois de certo modo a tarefa da educação está essencialmente ligada à formação da consciência crítica, à conscientização, a decifração das entrelinhas e não apenas daquilo que está à tona, na superfície dos textos. É preciso preparar os educandos para uma eterna decifração do mundo ao derredor, sob pena de serem devorados pelas esfinges que se apresentam travestidas de oportunidades. Não há outra saída, quem é mais fraco tem de ser mais esperto; Édipo que o diga!

A linguagem, enquanto mecanismo de participação e conseqüentemente de transformação social, garante ao indivíduo a aquisição de novas formas de pensar, de agir, de existir, fazendo-o dia a dia um novo homem. Não basta simplesmente agir no mundo, é preciso decifrá-lo, caso contrário tornamo-nos meros peões no imenso tabuleiro dos donos dos meios de produção. Quem se submete a atender a todas as expectativas sempre, sem questioná-las, transforma sua vida em uma catraca de dentes quebrados: roda no vazio! 

Somente a título de ilustração, gostaria de terminar contando uma antiga lenda árabe que sintetiza bem o nosso assunto de hoje:

Certa vez um xeque teve um sonho em que ele via todos os frutos de uma árvore frondosa de seu jardim no chão, a grama estava seca e toda espécie de vida vegetal em volta estava morta, então ele mandou chamar um sábio para que interpretasse o sonho, este pacientemente escutou-o e por fim disse:

— O seu reino será desolado, seus filhos serão mortos diante de ti, terminarás seus dias sozinho e debilitado.

O rei ficou furioso, mandou decapitar aquele insurreto e chamou outro sábio. Este, sabendo o que houve com o primeiro intérprete, precaveu-se, não mentiu, disse exatamente o que o outro havia dito, mas utilizando-se de outras palavras:

— Este sonho é sobre a soberania de meu senhor, tua vida será tão longa que nem mesmo teus filhos viverão mais que ti, teu reino será impar sobre toda a Terra, terminarás teus dias reinando como uma fênix.

O xeque ficou tão feliz que decidiu premiar o sábio com grande quantia em ouro. Um jovem que estava por perto em ambas ocasiões disse ao sábio:

— Eu não entendo, você disse exatamente o mesmo que o outro sábio; mas aquele foi morto e você, premiado!

Então o sábio respondeu:

— Aprenda isto, meu jovem, na vida o que importa não é o que você diz, mas como você diz.

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 

 

 



Escrito por tenorio.moura às 21h12
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Conselheiro tutelar, porque alguém gostaria de ser um?

                                                                                                                                   *Rogério Tenório de Moura

 

Toda vez que se aproximam as eleições para o conselho tutelar como num passe de mágica começam a se proliferar os candidatos ao cargo de conselheiro começo a me questionar o que levaria alguém a querer assumir tal cargo. De longe é fácil se perceber que os atrativos para tal empreitada são, na verdade, pra lá de repulsivos: trabalho sete dias por semana, trinta dias por mês, a qualquer hora do dia ou da noite; lidar com crianças agressivas, sem limites, oriundas de lares desestruturados, onde a regra é violência ou negligência, quando não as duas.

É óbvio demais para a mais ingênua das almas que a empreitada é dura e o salário ... ah, sim! O salário! Acho que chegamos no cerne da questão, no porquê de tanta gente querer carregar no colo essa bomba sem dia nem hora para explodir. Ganhos na faixa de setecentos reais por mês não são nada dispensáveis em uma cidade sem crescimento econômico algum, em que os salários no comércio giram em torno de um salário mínimo sem carteira assinada e na indústria, bem! Que indústria?

Há também o serviço público, mas para isso é preciso ter um certo grau de escolaridade, se preparar, passar em concurso, ou seja, é preciso ter mérito e em um país onde o simples fato de ser pobre já é motivo o suficiente para se receber um enxurrada de programas assistenciais, ter de conquistar algo por merecimento parece coisa de outro mundo.

Entendo e, até certo ponto, concordo com o critério de admissão de conselheiros tutelares, a eleição direta é, sem sombra de dúvida, o instrumento mais legitimo de expressão da vontade popular e conseqüentemente o que melhor consegue atender as expectativas de uma comunidade. Não é à toa que nos Estados Unidos, maior democracia do mundo, há eleição para quase todos os cargos públicos: para xerife e/ou comissário (correspondente a delegado de polícia no Brasil), defensor público, promotor e até juiz. Note-se, porém, que para todos os cargos em questão é necessária a devida formação, assim garante-se que a pessoa eleita tenha realmente competência para exercer o cargo para o qual foi eleito. Então pergunto, que formação um cidadão precisa ter, no Brasil, para ser conselheiro tutelar?

É justamente aí que mora o perigo, pois um pai completamente relapso, que deveria ter seus próprios filhos encaminhados ao conselho tutelar pode ser eleito para ser responsável pelas crianças de uma cidade inteira em um momento de surto coletivo. Levando-se em conta o baixo índice de participação popular nas últimas eleições para o conselho isso não é nada difícil de ocorrer. Um fanfarrão que tenha um grande número de colegas de buteco ou uma família razoavelmente grande que feche em torno de seu nome tem grandes chances de se tornar “guardião do bem-estar e desenvolvimento físico, emocional e intelectual de nossas crianças”!

Como todos os leitores que me acompanham há um bom tempo devem saber, sou professor e minha esposa também, logo nos relacionamos em nosso dia a dia com um grande número de pessoas, direta ou indiretamente. Isso nos torna conhecedores de certas particularidades das famílias de nossos alunos que deixariam a grande maioria das pessoas de cabelo em pé. É claro que não pretendo utilizar-me deste espaço para tornar públicos os problemas pessoais de ninguém, aliás, só temos conhecimento deles porque de uma forma ou de outra eles influenciam diretamente em nosso trabalho com nossos educandos, mas são uma espécie de segredo de confissão, só interessam à escola e em conselho de classe. No entanto, levando-se em conta tratar-se de uma instituição que embora fosse melhor não haver a necessidade de existir, mas há e ela faz parte do nosso dia a dia como educadores, sinto-me na obrigação de alertar o amigo leitor enquanto eleitor a exercer seu papel de cidadão fiscalizando o trabalho dos novos conselheiros eleitos em dezembro passado e daqui por diante analisar cuidadosamente a cada eleição todos os nomes dos postulantes aos cargos em questão e votar, se não com o entusiasmo de eleger alguém em quem você acredita, ao menos com o desencargo de consciência de não deixar que alguém em quem você não acredita seja eleito.

Só para tornar mais tangível o que estou afirmando, compartilhando apenas o milagre, e não o santo, por questão de ética profissional, houve candidatas na última eleição, que graças a Deus não foram eleitas, que eu não contrataria nem para babá. Não tem conhecimento teórico de psicologia infanto-juvenil, aliás não tem formação específica em coisa alguma; vivem em pé de guerra com os maridos, que o diga os vizinhos; os filhos são negligenciados a ponto de ficarem de exame final na escola e elas não terem conhecimento disso. São crianças relapsas que raramente realizam as tarefas de casa, nunca fazem os trabalhos e faltam tanto que, se seguíssemos à risca o figurino, reprovariam por falta. Naturalmente a falha não está nessas crianças, mas em pais que não estão cumprindo suas obrigações nem com sua própria família e querem convencer o eleitor de que o fariam com crianças que eles nem sequer conhecem.

Segundo o departamento de psicologia da Universidade de Chicago, 82% das famílias norte-americanas apresentam distúrbios psicológicos, ou seja, ser anormal passou a ser normal. Imagine que tipo de mundo estaremos deixando para nossos filhos se o fato de ser doentio se tornar algo banal, o convívio social se tornará em algo próximo da barbárie! “Então alguém pode afirmar: Ah, mas isso é nos Estados Unidos, o que nós temos haver com isso?” Bem, se em um país onde os cidadãos tem acesso a saúde, educação e segurança pública de qualidade, onde um trabalhador que terminou apenas o correspondente ao nosso ensino médio ganha em média o correspondente a 15% do salário do presidente há tantos distúrbios psicológicos, o que se pode dizer sobre o Brasil?

Para finalizar, deixo uma mensagem de alguém que, com certeza, tem muito mais serviços prestados à humanidade e conseqüentemente infinitamente mais crédito que eu; trata-se de uma mensagem do apóstolo Paulo a Tito em que aquele exorta este a instituir sobre a igreja presbíteros (também chamados na igreja primitiva de bispos) que o ajudem em sua obra e ensina-o a bem escolher estes colaboradores de sorte que estes venham, de fato, a somar e não a atrapalhar:

 

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei:

Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.

Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;

Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;

Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.

Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão,

Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.”  (Tito 1. 5 – 11)

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 21h10
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CIDADANIA E LINGUAGEM, DOIS LADOS DE UMA MESMA MOEDA

                                                                                                                                            *Rogério Tenório de Moura

 

Por termos por língua-mãe uma das línguas mais faladas no mundo imaginamos a todas como uma espécie de instituição inabalável, porém a verdade é que a maioria das línguas não chega nem aos 300 anos de idade e com a globalização da economia e a informatização o ritmo da economia mundial cobra maior agilidade nas relações de comunicação, portanto é natural que uma língua sobreponha-se a outras de menor prestígio (por questões meramente econômicas) e até que línguas faladas por grupos reduzidos de falantes desapareçam, de agora em diante, em uma proporção muito mais rápida que o comum. Ensinar língua estrangeira na escola, em especial a inglesa, é uma questão de cidadania, de garantir ao indivíduo o direito inalienável de liberdade, igualdade e fraternidade em relação aos indivíduos de demais partes do globo.

Bill Gates, presidente da Microsoft, maior produtora mundial de software para computadores pessoais, é quem afirma em resposta à carta a ele enviada e publicada sob a tradução de Clara Allain no Caderno de Informática do jornal Folha de São Paulo do dia 16 de julho de 1997:

 

“ Como a Internet faz do mundo um lugar menor, a importância de existir uma língua comum aumenta muito. Assim, aumenta a importância do inglês enquanto segunda língua. Mas não prevejo que o inglês vá tomar o lugar de alguma das línguas mais importantes de hoje, nem mesmo diminuir seu uso. Em suma, a tecnologia atual da informática não tem favoritos, em termos de línguas - embora as pessoas e as empresas publiquem muito mais software e conteúdo eletrônico em algumas línguas do que em outras. Como a internet cresceu nos Estados Unidos, a porcentagem de seu conteúdo apresentado em inglês é muito alta. Se você não souber inglês...”

 

O início da invasão cultural norte-americana no Brasil deu-se no início da década de 40, durante a segunda guerra mundial; as agências de notícias United Press e Associated Press passaram a difundir notícias favoráveis aos Estados Unidos no Brasil, assim como notícias sobre a América Latina para a imprensa dos Estados Unidos. Tudo sendo realizado através de negociações promovidas pelo birô que também não poupou esforços para afastar agências de notícias alemãs e italianas promovendo um verdadeiro american way life em nosso país, afastando assim o risco de perderem o nosso mercado para países do “eixo do mal”, como era conhecida a aliança nazi-fascista.

Foi parte das atividades do birô patrocinar tournées de astros e estrelas de Hollywood à América Latina e de artistas latino-americanos aos Estados Unidos. No caso de artistas brasileiros alguns foram e acabaram ficando, como Carmen Miranda. Ari Barroso, na época, foi contratado para escrever um filme para a “ Pequena Notável” . “ Na mesma linha de colaboração, o birô procurou descobrir talentos latino-americanos para filmar nos Estados Unidos e estimulou o aumento de empresas cinematográficas americanas na América Latina.” (Moura,1993, pág. 38).

Os documentários também foram alvos da ação de seção de filmes do birô. A priori, eles deveriam cobrir aspectos naturais, sociais, científicos e técnicos dos Estados Unidos e da América Latina. Porém, o que houve foi uma exibição evidente de filmes que acentuavam a superioridade da civilização norte-americana à alemã, o manancial bélico norte-americano e sua produção de armas modernas. Enquanto que os filmes sobre a América Latina a serem exibidos nos Estados Unidos tratavam de assuntos históricos, viagens e vida corrente.

Embora houvesse uma proposta igualitária de intercâmbio entre Estados Unidos e América Latina, baseadas em troca de experiência e de especialistas não foi o que se sucedeu. O número de americanos que vieram ao Brasil durante a guerra era infinitamente superior aos brasileiros que iam aos Estados Unidos.

Na verdade, o que acontecia era um intercâmbio favorável somente aos Estados Unidos, pois os especialistas que vinham ao Brasil eram para ensinar suas técnicas e exibir suas realizações, e os brasileiros que para lá iam era para aprender e retornar com sentimentos de amizade e de boa vontade para com eles.

Cabe ao educador conscientizar seus educandos das diferenças lingüísticas e culturais dos vários povos, sejam eles estrangeiros ou não, compreendendo o fato de que a diversidade não faz de ninguém melhor ou pior que os outros, apenas diferentes, enriquecendo, assim, toda a coletividade com uma enorme gama de cultura proveniente de outras civilizações.

Não podemos, entretanto, nos abrir pacificamente a todo tipo de intervenção sem questionar as intenções subjacentes ao processo, podemos e devemos ampliar nosso horizonte cultural estudando as diversas formas de vida social humana, porém não da forma ingênua e cheia de boa vontade dos indígenas que aqui habitavam quando da chegada dos portugueses.

Os administradores escolares, professores, pensadores da educação devem entender que o ensino de Língua Estrangeira Moderna não é apenas mais uma disciplina no currículo escolar, muito menos pode continuar sendo o que é atualmente, mero preenchimento de grade escolar, inclusive nas universidades.

Dominar uma segunda língua ou até terceira é um direito do indivíduo enquanto cidadão, é estar inserido no mundo como um todo, dentro de um contexto global do qual não há como fugir. Garantir, efetivamente, o aprendizado de Línguas Estrangeiras Modernas na escola é garantir ao indivíduo o direito de ter seu crescimento pessoal e profissional ilimitado, livre de fronteiras e preconceitos.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

MOURA, G.. A penetração cultural americana. São Paulo, Editora Brasiliense, 1993

 

Folha de São Paulo do dia 16 de julho de 1997

 



Escrito por tenorio.moura às 21h07
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ADEUS, MESTRE!

                                                *Rogério Tenório de Moura

 

É inacreditável como mesmo tendo ciência de que a morte faz parte da vida, continuamos insistindo em vivê-la como se fossemos eternos, conformamo-nos com a mediocridade, com o lugar comum. E só nos detemos em refletir mais profundamente sobre tamanha efemeridade quando somos surpreendidos com a morte de um parente, de um amigo ou mesmo de alguém com quem nos habituamos a encontrar na cidade como que fazendo parte da paisagem dela, do cotidiano dela.

A morte do professor Gilberto Ferreira, o Gilbertão como muitos o chamavam, inclusive eu, é mais um desses exemplos que põe em choque nossa concepção de vida, nossos valores éticos e morais, nossas prioridades. Como um homem que, pelas minhas lembranças de ex-aluno seu, lá na antiga Escola Ambrosina, não pegava nem resfriado pôde sucumbir de maneira tão inesperada? Que mundo é esse em que um homem após trabalhar uma vida inteira morre tão logo se aposenta? Que vida é essa em que um pai de família parte, depois de educar tão bem seus filhos,  sem poder testemunhar o resultado de sua dedicação?

Tais questões existem desde que o mundo é mundo e só pude compreender que são perguntas sem respostas depois de perder meu irmão, aos trinta e dois anos de idade, deixando uma filha de três anos e um monte de sonhos para trás. Irmão que também foi aluno do professor Gilberto e que, como eu, aprendeu a duras penas a admirá-lo. Digo a duras penas porque foi com o professor Gilberto que tive a experiência de, por exemplo, tirar minha primeira nota baixa, um cinco e meio, que nem era tão baixa assim, mas que, na época, foi o suficiente para me deixar desnorteado. No entanto foi a convivência com um homem de padrões tão rígidos que me fez entender que tudo o que vale a pena ser feito, vale a pena ser bem feito.

Lembro-me com carinho de nossas conversas sobre política, na época meus colegas e por vezes até mesmo eu achávamos que estávamos “enrolando” a aula, ledo engano! Hoje, enquanto professor que sou, vejo que tamanha empolgação demonstrada por meu mestre em nossos calorosos debates vinham corroborar a certeza latente que pulsava em sua consciência de que ser educador é mais que meramente repassar conteúdo, é preparar para o exercício da cidadania.

Infelizmente docentes como o professor Gilberto Ferreira estão em processo de extinção, a permissividade permeia todos os relacionamentos sociais, sobretudo os que exigem a presença de uma autoridade firme, mas coerente; seja entre pais e filhos que não querem ser lembrados por estes como repressores, intransigentes; seja entre alunos e professores que não querem ser lembrados por aqueles como autoritários. Faltam exemplos de homens de rígido padrão ético e moral para que nossas crianças possam se espelhar, essa geração da instantaneidade tem sido privada de experiências de árduo labor que venham a lapidar seu caráter.  Enquanto isso a sociedade se deteriora!

Felizmente tive o privilégio de ter não somente em minha história enquanto aluno, mas em minha história de vida a companhia de um homem do calibre do professor Gilberto. Talvez se ele não tivesse passado por ela não seria o profissional que sou hoje, pois, sem receio de parecer piegas, quando deparo-me diante de uma situação conflitante a primeira coisa que penso é: como o professor Gilberto agiria?

Aos familiares, minhas condolências, acreditem, por mais que hoje possa parecer uma dor insuportável, não há nada que o tempo não cure ou, ao menos, não ensine a conviver. As respostas continuam vagando no limbo, ao menos até o dia em que nós mesmos formos chamados a prestar contas do que fizemos de nossas vidas. Aos ex-alunos enlutados como eu, um abraço fraterno e uma conclamação, sejamos nós o exemplo vivo dele!

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 21h05
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A Dimensão Social da Escola

                                                                                                                                          *Rogério Tenório de Moura

Acredito que não existe trabalho neutro em educação. Tudo tem conseqüências, como os atos da própria vida. Por isso, o professor precisa considerar todas as possibilidades de seu “trabalho pedagógico” e refletir sobre o fato de que a educação é uma experiência intersubjetiva, social e histórica, ato e ação que ocorrem num local e numa época concreta, prática que mexe com os valores, com as idéias e com os comportamentos de um grupo. De um lado, as pessoas têm seus interesses e problemas. Vivem e produzem dentro de uma circunstância perfeitamente delimitada. Mas, por outro lado, as pessoas e os grupos supõem a existência de um cenário mais amplo e, em nosso caso, de uma sociedade subdesenvolvida, neocapitalista, onde os ideais democráticos, a revolução científico-pedagógica e o poder dos meios de comunicação nem sempre estão a serviço do homem e de sua realização total, sabemos que ocorre o contrário.

Ação e reflexão são elementos inseparáveis e essenciais de um educador. Somente se capta o dinamismo da vida e do mundo no processo de ação e reflexão. Fora deste ritmo surge o perigo do ceticismo e da neutralidade funcional. O trabalho do professor é por natureza radical e complexo, sem uma postura crítica, sucumbe aos interesses estranhos (que na maioria são os interesses da elite dominante). O educador que ignora o tipo de proposta educativa (se democrática, burguesa, popular, autoritária, etc) presente em seu trabalho, arca sempre com as conseqüências dos seus atos. Desligar a ação da vigilância do pensamento é o mesmo que ser conduzido pelo desconhecido, é deixar-se conduzir, perder a consciência das coisas, substituir a “eficácia da interrogação pela inércia do conformismo”.

Ao professor cabe conduzir o processo de aprendizagem dos alunos, e cabe a ele também avaliar o próprio trabalho e as características da instituição escolar enquanto produtora da educação, reprodutora dos interesses da sociedade e promotora das mudanças e da socialização dos indivíduos. A educação por origem, essência e finalidade é uma ação comunitária.

Porém, no plano dos fatos, o que parece simples adquire complexidade. Se hoje precisamos pensar as relações entre escola e comunidade, é porque estas relações já não são naturais e possivelmente se encontrem destruídas pela artificialidade da escola e perda de seu caráter comunitário. Só a dimensão comunitária permitirá transformar o ensino em educação.

Creio que precisamos refletir sobre o conceito de comunidade. Em geral, entende-se por comunidade o bairro, a vila, as associações, as sociedades, as instituições... Fala-se em comunidade escolar, na comunidade religiosa, certos que alguns fatores comuns unem as pessoas. Vemos, no conceito de comunidade, a solidariedade, a integração cultural, atuação e sentimento  da realidade e, mesmo, aspectos geográficos, econômicos e históricos.

            Todavia, devemos estar atentos em relação ao conteúdo ideológico do conceito de comunidade assim apresentado, pois ele mais esconde do que diz. Falar que uma comunidade é uma espécie de organismo vivo, em constante mudança, não significa explicar seu aspecto dialético como algo fundamental. Hoje, o conflito é um elemento básico na constituição de uma comunidade. As diferenças de opinião e de interesse são comuns entre os membros de uma comunidade. Não se constata mais a simples concordância das vontades. No mesmo bairro, por exemplo, convivem ricos e pobres, embora possam existir bairros mais ricos ou mais pobres, e com diferentes modos de pensar e de agir. Neste sentido, a comunidade se aproxima da idéia da efetiva participação proporcional de todos os pontos de vista, de todas as vontades representadas pelos diversos segmentos que a compõem. A unidade e equilíbrio de interesses de uma comunidade resultam do conflito previsto e suportável de seus membros e não de um modo de ser orgânico e estrutural.

            As relações entre escola e comunidade só podem ser examinadas na medida em que nos indagamos sobre o papel da escola em relação aos elementos conflitantes que tecem as relações da própria comunidade. De uma maneira mais direta: a escola atende os interesses de alguns ou de todos os membros da comunidade? Na verdade, a maioria de nossas escolas reproduz a sociedade em que ainda vivemos, serve apenas uma parte da comunidade. Os conflitos sociais, econômicos, éticos, morais, religiosos, etc. não encontram um espaço de reflexão, pior ainda quando se trata de buscar as soluções. A escola acaba transformando em instrumento de divisão e radicalização maior do desequilíbrio social e cultural.  

            Essas observações exprimem em linhas gerais as relações danificadas entre escola e comunidade, por isso, para conseguirmos refletir o significado de comunidade, na perspectiva de uma sociedade de classes,  precisamos descrever duas situações hipotéticas: 1) a percepção de escola e de fábrica pela população do mesmo bairro; 2) a possibilidade de transferência de uma escola de um lugar para o outro sem nenhuma mudança estrutural e funcional.

            No primeiro caso, a premissa comum é de que a escola é mais importante do que a fábrica. Porém, considerada a importância dos processos de produção e relações sociais, a fábrica tem uma presença mais decisiva no bairro. A escola enquanto degrau, instrumento da engrenagem capitalista, permite àqueles passarem por um melhor desempenho na própria fábrica e, em decorrência, uma posição mais digna na vida. A escola possibilita um lugar no escritório, na chefia do setor ou junto à gerência, uma melhor remuneração em relação ao trabalho rude e braçal. As pessoas da comunidade são realistas em relação à escola. Não alimentam discursos bonitos e abstratos. Isso porque este tipo de escola não realiza plenamente suas funções comunitárias, não promove a mudança social para todos os membros do grupo. Limitada e parcial em sua ação, não busca o equilíbrio de todos os interesses e de todas as necessidades e, por isso, é visualizada como um lugar privilegiado, um meio a serviço de alguns. Não cumprindo assim as características básicas da educação.

            No segundo caso, se pudéssemos transportar nossa escola para uma outra situação social e histórica, que mudanças ocorreriam nela quanto às disciplinas, programas e metodologias de ensino diante da nova realidade? Apesar de ser irônica a hipótese levantada, a realidade de nossas escolas suscita uma série de dúvidas. A questão possui, para cada um de nós, um certo grau de produção como instrumento de reflexão.  E, digo novamente, que não se pode realizar os objetivos e a função educacional, desenvolver as diversas formas de conhecimento, fomentar a cultura e dar início à preparação profissional sem assumir as características do meio econômico sócio-político e cultural dos alunos.

            Desse mesmo modo como o homem é um ser-no-mundo, também as instituições precisam se caracterizar pelo contexto. Uma escola sem as marcas do contexto, sem identidade social e cultural, torna-se alienada, utópica, artificial, estática e uniforme, sem vida e sem flexibilidade. Nunca conseguirá adequar-se ao aluno, à família do aluno, às exigências culturais e sociais do meio e por isso, tornar-se-á ineficaz como presença comunitária.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 

 



Escrito por tenorio.moura às 21h02
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A PRÁTICA DE ENSINO DE ESTRANGEIRAS NAS ESCOLAS

                                                                                                                                                *Rogério Tenório de Moura

 

 Os métodos e abordagens de ensino de línguas estrangeiras (LEs) evoluíram em consonância com a transformação dos conceitos de homem, de mundo e de língua em momentos diversos. Em boa parte das evoluções, entretanto, um denominador sempre parece ter sido comum: o insucesso da escola para transformar os alunos em usuários competentes de uma língua estrangeira (LE). No máximo se conseguiu – e até hoje normalmente apenas se consegue – que eles aprendessem algumas estruturas gramaticais e um vocabulário de uso cotidiano, o que quando muito os habilitava apenas à leitura de seus próprios livros didáticos.

Ao insucesso se sobrepõe a necessidade de explicá-lo, e a explicação via de regra se transforma na busca do responsável. Ora se põe a culpa no método de ensino, ora no professor, ora no aluno. No primeiro caso a solução é relativamente simples: adota-se um novo método. No segundo caso, treina-se o professor. Já no terceiro caso parece haver poucas esperanças, pois, além do senso comum pregar que nem todos nascem com "dom para línguas", há que se levar em conta que não é raro os alunos serem diagnosticados como portadores de disfunções e problemas que dificultam, quando não inviabilizam, o aprendizado escolar de modo geral.

Esta combinação de fatores – interesses sociopolíticos, senso comum, técnicas educacionais, expectativas frustradas e diagnósticos incapacitantes – contribui para tornar a área de LE mais um elo no propalado caos da educação escolar.

O ponto relevante parece ser a constatação de que o poder do professor sobre sua profissão sempre foi relativizado: ao mesmo tempo que lhe é dada autonomia para fazer algumas escolhas relativas à forma de conduzir a disciplina em suas turmas, não lhe é permitido avaliar criticamente as medidas educacionais que determinarão seu trabalho pedagógico. Estas medidas ainda hoje, como na primeira metade do século, são impostas ao professor, só que agora pelas autoridades acadêmicas e da própria Educação. A história da evolução dos métodos e abordagens de ensino de Línguas Estrangeiras ilustra bem esta situação de desautorização do fazer docente.

Uma das abordagens mais conhecidas na história do ensino formal de Línguas Estrangeiras denomina-se Gramática-Tradução. Aplicada desde o século XIX ao ensino das línguas clássicas, esta abordagem alcançou o século XX e foi empregada também no ensino das línguas modernas. O professor dentro desta abordagem teria o papel de Transmissor do Conhecimento. Sua função seria garantir a passagem do conhecimento da língua para o aluno e avaliar a assimilação do mesmo. A ausência de uma fundamentação teórica dificulta uma análise científica da abordagem, assim como também impede uma ação docente crítica e comprometida com a qualidade.

A evolução da lingüística estruturalista, com sua proposta de análise de corpus da língua oral, aliada à psicologia comportamentalista com sua proposta de um ensino programado e de uma tecnologia educativa que atenderiam aos anseios de um mundo que se tornava cada vez mais tecnicista e complexo, auxiliou na criação de um método denominado Audiolingual. Neste método, o ensino de Línguas Estrangeiras equivaleria à formação de hábitos lingüísticos nos alunos, por meio da associação de estímulos e respostas condicionadas através de reforços positivos. Haveria controle total do ensino pelo professor. Foi tal a fé no caráter científico do método que ele proliferou e ainda hoje encontra adeptos.

A fundamentação psicológica comportamentalista possuía uma característica de rigidez e controle que dispensava a criatividade e a auto-expressão do aluno (Rojas e Corral, 1991), além de não valorizar o aspecto emocional de sua relação com o professor. Tudo isto tornou o trabalho docente uma atividade técnica, quase mecânica e definitivamente acrítica. Na verdade, bastaria um usuário ou falante proficiente da LE para atuar como implementador do método, o qual, portanto, efetivamente instituiu o papel do Professor Técnico.

Contrariamente à expectativa dos audiolingualistas, e principalmente na Europa, percebeu-se a impossibilidade de transformar alunos em usuários competentes de uma LE apenas através de estímulos, respostas e reforços cientificamente controlados. No máximo, os alunos deste método alcançavam um grande conhecimento da estrutura gramatical e do léxico da língua-alvo, mas não eram competentes para utilizar de modo adequado este conhecimento na comunicação com os falantes nativos da LE.

O insucesso impulsionou a mudança, a qual foi favorecida pelos estudos da sociolingüística, um ramo da lingüística que concebe a língua como sendo um sistema de regras socialmente adquiridas e postas a serviço de propósitos comunicativos em situações de uso reais. Esta concepção da língua em uso, permeada pelas intenções dos usuários e pelas normas culturais de seus grupos, contribuiu para a criação de uma abordagem denominada Comunicativa.

O grande salto da Abordagem Comunicativa foi qualitativo, pois permitiu uma mudança de foco: do ensino para a aprendizagem, ou, em outras palavras, do professor e do método para o aluno, pois o ensino passaria a ser orientado para as futuras necessidades comunicativas deste aluno em contextos reais de uso da LE.

O ensino Comunicativo, tornou o fazer docente mais complexo, pois atribuiu ao professor uma série de papéis: Colaborador, Facilitador, Incentivador e Avaliador do processo de aprendizagem. O professor seria aquele que estabeleceria todas as bases pedagógicas do ensino, a partir das necessidades que o aluno apresentasse para a aprendizagem e posterior uso da LE.

Este breve panorama parece sugerir que as direções no ensino de Línguas Estrangeiras, como na educação de modo geral, deixaram de ser ditadas por leigos e passaram para as mãos de especialistas técnicos. Aparentemente, uma vez assumida uma postura técnico-científica, seria mais fácil avaliar a qualidade e os resultados do trabalho pedagógico desenvolvido, pois um ensino com bases teóricas explícitas e objetivos delineados teria mais chances de ser bem sucedido ou, se necessário, aperfeiçoado.

A evolução do ensino de Línguas Estrangeiras em direção a abordagens mais científicas daria então ao professor uma atribuição técnica, uma vez que – para utilizar uma metáfora científica – ele desempenharia o papel de um cientista que põe em prática um experimento em seu laboratório – a sala de aula. Assim, ao estabelecer os objetivos do ensino e da aprendizagem, ao fazer os ensaios práticos com atividades e técnicas pedagógicas, ao avaliar os resultados e ao efetuar as mudanças metodológicas necessárias ao sucesso do experimento, o professor seguiria uma abordagem puramente científica. É isso o que se espera do professor na Abordagem Comunicativa.

Na prática, entretanto, ao professor só é dado o papel de receptor dos métodos e de executor dos ensaios, não lhe sendo de fato permitido interferir mais criticamente no processo e reavaliá-lo. As normas e procedimentos são impostos de cima a partir das autoridades de ensino, respaldadas por "autoridades acadêmicas". Além disso, há que se reconhecer que a formação em nível superior (Licenciatura) não costuma formar professores capazes de atender a exigências como as trazidas pela Abordagem Comunicativa. Esta situação alimenta uma postura que torna os professores meros reprodutores de fórmulas, pouco críticos e normalmente incapazes de lidar com as dificuldades dos alunos.

Podemos concluir, então, que a passagem de papéis, desde o de Transmissor até o de Colaborador, se deu apenas na teoria do ensino de Línguas Estrangeiras. Na prática esta passagem apenas escamoteou um processo gradativo de desautorização do fazer docente, um processo que tem conseqüências graves para a qualidade do ensino.

 

As conseqüências deste conflito são sérias tanto para os professores, que sentem-se frustrados e imobilizados diante dos insucessos, quanto para os alunos, que costumam ser "responsabilizados" pelo próprio fracasso, através de explicações que vão da falta de dom até as carências econômica e lingüístico-cultural que, trazidas de seu ambiente familiar para a escola, agiriam como impeditivos ao sucesso escolar.

Ao aluno, a vítima maior deste processo de exclusão e discriminação, resta apenas reagir, e muitas vezes da forma mais eloqüente: com agressividade. Se fosse naturalmente direcionada, como argumenta a psicanálise, a agressividade presente nas pulsões dos alunos se dirigiria aos objetos cognoscitivos, favorecendo sua apreensão. No contexto escolar como o descrevemos, entretanto, esta agressividade natural é distorcida e dirigida à figura do professor, que via de regra não consegue compreender seu valor simbólico de reação ao ambiente repressivo da escola e acaba por compreendê-la no nível imaginário da agressão pessoal.

Este processo complexo de sociologização e patologização do processo educacional escolar acaba por criar um contexto que, longe de propor soluções pedagógicas para as dificuldades encontradas pelos alunos, principalmente das classes baixas, apenas serve como referendo para justificar o fracasso escolar de modo geral, e não apenas na área de Línguas Estrangeiras. E o aluno diagnosticado como deficiente acaba recebendo do professor menor expectativa de sucesso, o que apenas o exclui mais profundamente da possibilidade de superar as dificuldades do processo de aprendizagem em um contexto escolar que já lhe é hostil.

Esta análise permite concluir que há sempre um ideário estranho ao fazer pedagógico que se imiscui na escola – e, poderia-se acrescentar aqui, com conseqüências nefastas. Este ideário atualmente resulta da interferência de concepções sociológicas e clínicas. É óbvio que tal interferência não é aleatória ou casual. Ela é apenas um reflexo das relações de poder que operam na sociedade em nível macro.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 21h00
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A LINGUAGEM COMO VEÍCULO E PRODUTO DA CULTURA

                                                                                                                                               *Rogério Tenório de Moura

 

Parece difícil conceber o primeiro homem sozinho no universo, o ser humano sem se relacionar, sem ensinar e aprender e é nessa dimensão que a linguagem pode ser compreendida como um bem universal para sobrevivência e crescimento pessoal. Ela age sobre e com os indivíduos tornando-nos diferentes dos animais, pois possibilita ao homem projetar suas ações em sua mente antes de realizá-las, assim criamos e incorporamos valores que orientam nossas ações diante do restante da natureza e dos outros homens.

A linguagem, portanto, é um instrumento vital ao processo de socialização do conhecimento elaborado, pois é, concomitantemente, o veículo que nos propicia compartilhar e preservar tal cultura e por outro lado o principal produto dessa mesma cultura.

Podemos, portanto, compreender a cultura como a forma de manifestação de uma dada ideologia em uma certa comunidade. Não existem representações ideológicas senão materializadas na linguagem. Ela é o instrumento que permite que as representações ganhem materialidade, expressão e espaço. Quando um enunciador comunica algo, tem em vista agir no mundo. Ao exercer seu fazer informativo, produz um sentido com a finalidade de influir sobre os outros. Portanto torna-se ainda mais importante entendermos a linguagem como um ato essencialmente político e arbitrário, logo mensageira de certas ideologias que visam agir no mundo, seja para retificar o que aí está, seja para ratificar.

Segundo Bourdieu “o poder da palavra é o poder de mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e concentrá-la num ato lingüístico”. Exemplos claros disso são os discursos políticos, os sermões na igreja, aulas...

Segundo Marx, pode-se conceituar ideologia como a ligação entre o conhecimento e o interesse, entre o pensamento e suas raízes, suas origens, manifestas a partir de um ato lingüístico. Portanto toda ideologia tem suas raízes econômicas, políticas e sociais, tal qual a linguagem.

E é a partir daí que nasce a dualidade do ato lingüístico, pois é o uso da língua na escola que evidencia mais claramente as diferenças entre grupos sociais e que gera sucesso, admiração; mas também discriminações e fracassos: o uso, pelos alunos provenientes das camadas populares, de variantes lingüísticas sociais e escolarmente estigmatizadas, provoca preconceitos lingüísticos e eleva as dificuldades de aprendizagem, já que a escola usa e quer ver usada a variante-padrão, socialmente prestigiada. Assim surgiu a ideologia do déficit lingüístico nos Estados Unidos, durante a década de sessenta; de lá expandiu-se para países da Europa e da América Latina, entre eles o Brasil.

Um artigo, de Willian Raspberry - publicado em um livro da CCLS Publishing House, discursa a respeito de um projeto que forçaria as crianças negras a aprender o inglês padrão; a justificativa para a aprovação de tal projeto é que o Black English não passa de um subdialeto, que o objetivo é fazer com que as crianças tenham a habilidade de mudar de “língua” em diferentes situações.

É claro que sabemos que isso não passa de desculpa, a verdade é que para a maioria dos pais “brancos” ver seus filhos falando um dialeto “de negros” é uma experiência que não queriam ter, assim, se as crianças negras tivessem acesso ao inglês-padrão, pelo menos na escola, falariam esse inglês e não o Black English.

Segundo o sociólogo americano Michael Apple , razões sociopolíticas explicam o  surgimento da ideologia do déficit lingüístico nos estados Unidos e sua aceitação em outras sociedade capitalistas. Por volta do início dos anos sessenta do século XX, a luta contra a desigualdade econômica acentuou-se nos Estados Unidos; nessa época cerca de dois quintos da população norte-americana – 77 milhões de pessoas – viviam em estado de pobreza crônica. Essa população socioeconomicamente desfavorecida era constituída predominantemente pelas minorias étnicas – negros, porto-riquenhos e chicanos – que sofriam um intenso processo de segregação e de marginalização social e econômica.

Discriminadas no mercado de trabalho (devido à alta taxa de desemprego), e vendo suas crianças e jovens discriminadas pelo sistema de ensino, as minorias étnicas começaram a reivindicar a “igualdade de oportunidades”, lema da democracia liberal de que o país tanto se orgulhava. Sem colocar em discussão a estrutura capitalista da sociedade, buscaram-se fora dela causas que explicassem a marginalização dos pobres, motor das insatisfações, e tentaram-se soluções que atacassem as causas apontadas.

Buscou-se analisar psicologicamente o problema das dificuldades de aprendizagem e do fracasso escolar das crianças pobres. Dessa análise nasceu a teoria do déficit lingüístico. Esta teoria afirma que as crianças das camadas populares chegam à escola com uma linguagem deficiente, que as impede de obter sucesso nas atividades e conseqüentemente na aprendizagem: seu vocabulário é pobre, não sabem o nome dos objetos comuns, usam frases incompletas, curtas, monossilábicas; sua sintaxe é confusa e inadequada à expressão do pensamento lógico, cometem erros de concordância, de regência, de pronúncia; comunicam-se muito mais através de recursos não-verbais. Em síntese: são crianças deficitárias lingüisticamente.

A partir desse pressuposto, concluem que as deficiências lingüísticas da criança desfavorecida são também cognitivas, porque a “pobreza” de sua linguagem, inadequada como veículo de pensamento lógico e formal, é obstáculo ao seu desenvolvimento cognitivo.

Na verdade, porém, o que houve foi a descaracterização dessas crianças por meio da aplicação de testes, realização de entrevistas, observação do comportamento escolar. Como esses estudos partiam sempre de um modelo implícito ideal de comportamento em comparação com o qual a criança pobre era avaliada – o comportamento da classe dominante, social e economicamente privilegiada, os resultados apresentaram a criança como portadora de carências e deficiências, das quais as principais são perceptivas e motoras, resultado de um déficit lingüístico.

A ideologia da deficiência lingüística veio ocultar a verdadeira causa da discriminação: a desigual distribuição da riqueza numa sociedade capitalista. As falhas são, assim, da criança, de sua família, de seu contexto cultural; a inadequação está na criança, não na sociedade nem na escola que a excluem.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 20h58
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A INTEGRAÇÃO DA INFORMÁTICA NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

                                                                                                                                   *Rogério Tenório de Moura

 

O microcomputador ocupa um lugar de destaque entre as novas tecnologias pelo poder de processamento de informação que possui, como ferramenta, porque permite ao usuário (professor ou aluno) construir objetos virtuais, modelar fenômenos em quase todos os campos do conhecimento e como instrumento de mediação, ao possibilitar o estabelecimento de novas relações para a construção do conhecimento por meio do mediação, ao possibilitar o estabelecimento de novas relações para a construção do conhecimento por meio do pensamento formal, lógico e analítico.

Mas, para que essas mudanças intelectuais sejam eficazes, é necessário que o computador seja adequado à atividade humana transformadora. A simples presença do computador na escola não assegura uma melhoria do processo ensino-aprendizagem, pois o fundamental é como ele será utilizado por professores e alunos.

Temos que lembrar que, de uma forma geral, os educadores não foram e não estão sendo preparados para tal. Num mundo com mudanças tão aceleradas a dasatualização acontece de forma muito rápida.

Estima-se que mais ou menos em dois anos após a conclusão do curso universitário, qualquer profissional, já está desatualizado. Essa informação reforça a idéia de educação permanente. Essa mesma agilidade nos permite afirmar que a grande maioria dos educadores não teve a oportunidade de conhecer as novas tecnologias da informação e comunicação.

Essas tecnologias podem ser utilizadas para a educação dos educadores não só no que diz respeito a seu uso, mas no sentido amplo de educação permanente, sejam no sentido de educar os educadores para usar as novas tecnologias da informação e comunicação, sejam no sentido de educar os educadores com as descobertas das várias ciências que podem contribuir para a ação docente, como, por exemplo, da Psicologia do Conhecimento, devem ser pensados, propostos e realizados. Tais programas podem ser realizados por instituições privadas, pelas universidades ou pelo poder público. O que parece essencial é que sejam uma realidade..

Usar as novas tecnologias da informação e comunicação para formar educadores nos parece vantajoso sob alguns aspectos. O primeiro diz respeito à questão da democratização do acesso à educação, isto é, através da educação à distância podemos facilitar o acesso à educação a profissionais da educação de todos os lugares do país e não só os que residem ou podem se deslocar para os grandes centros; o outro aspecto refere-se ao princípio do aprender fazendo, com isso queremos lembrar que para aprender é preciso agir intelectualmente ou fisicamente sobre a informação. Se o educador pode ter acesso às informações referentes às novas tecnologias da informação e comunicação agindo por meio e com elas, isso nos parece um caminho bastante facilitador para que o professor aprendiz possa construir seu conhecimento e não apenas memorizar uma série de dados ou mesmo informações.

Com a chegada das novas tecnologias pode também ser a oportunidade para um repensar e uma reflexão saudável sobre a missão do professor. Nem tecnofóbico apavorado, nem tecnomaníaco fanático, ele pode achar, na formação ainda a ser definida, uma chance de reencontrar valores já comprovados e reafirmar a grandeza de sua missão.

É nossa intenção estabelecer uma prática pedagógica na qual o computador possa ser tratado mais como um objeto de conhecimento do que como uma ferramenta.

O que gostaríamos de dizer é que:

 

·                    Computadores não parecem ser necessários no processo pedagógico. Há vários meios alternativos para ter um ensino inteligente e processos ativos de aprendizagem na escola sem computadores.

·                    Computadores não parecem ser suficientes no processo pedagógico, pode haver vários meios bobos de desenvolver currículos com eles, assim como sem eles.

·                    Computadores não devem ser introduzidos fora de um contexto, como se a escolha de sua entrada fosse neutra, os custos sociais (nos quais há mais do que mero custo econômico) devem sempre ser tomados em conta no processo de decisão.

·                    O componente informático na escola deve ser introduzido no sentido de fazer as “coisas” melhores e não no de fazer outras “coisas”. Em particular, como já mencionamos, quebrar as tradicionais barreiras entre disciplinas escolares criando espaços transdisciplinares para os alunos.

 

Referindo-se à introdução da tecnologia da informação e da comunicação no âmbito da educação, assim se posiciona Ramon OLIVEIRA (1997, p. 101) em seu livro intitulado INFORMÁTICA EDUCATIVA, publicado pela editora PAPIRUS:

 

Não é surpreendente que a reação inicial, no mundo inteiro, tem sido enfocar a introdução de computadores nos processos de ensino e aprendizagem das escolas. Isto é um aspecto mais concreto, direto, experimental, atraente, até mesmo inebriante. De alguma forma, a presença física do poderoso micro dá a alguns professores e escolas a sensação de que eles são “progressistas” e “atualizados”. Utilizar computadores é excitante, pelo menos no começo, e os alunos parecem estar cativados e interessados. Para citar a Grã-Bretanha como exemplo, montou-se um esquema para possibilitar a todas as escolas a aquisição de computadores a preço bem baixo. Algumas escolas promoveram atividades de levantamento de fundos para comprar mais computadores. A reputação por excelência de uma escola era julgada pelos seus recursos em computadores. Infelizmente, este entusiasmo inicial foi progressivamente abafado quando, aos poucos, compreendeu-se que o computador por si só não é válido sem um software de boa qualidade. Poucos ainda se preocupam com o “porquê” de ter computadores, é justo dizer que muitas escolas ainda não têm um claro programa curricular justificável para o seu uso. Um cínico poderia bem sugerir que a introdução dos computadores nas escolas britânicas tinha mais a ver com promover a indústria de microcomputadores britânicos do que com a educação. Certamente um dos resultados foi um tremendo aumento na venda de microcomputadores no mercado interno

 

 

Assim sendo, concluímos que Informatização pela informatização não é a saída para nada, é apenas um fim, quando deveria ser um meio; é demagogia! A integração da informática na prática pedagógica deve servir para solucionar problemas já existentes, não criar outros.

 

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

 



Escrito por tenorio.moura às 20h55
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A EVOLUÇÃO DA LÍNGUA

            *Rogério Tenório de Moura

 

Não há dúvidas de que a língua sofreu e sofre influência ao longo do tempo das gerações e locais em que se desenvolve, o “Português” falado aqui não é o mesmo de Portugal, Moçambique, Angola e outros países lusófonos; todos possuem as suas variações lingüísticas, as quais ocorreram por sofrer influência de idiomas locais ou até por influências internacionais.

Quando Roma era o maior império do mundo, o Latim se tornou uma língua conhecida universalmente, conforme o poder econômico foi mudando, o prestígio das línguas também. Depois do Latim ainda ganharam destaque o espanhol, o Francês, e agora o Inglês, por exercer grande influência  econômica.

Há ainda um outro fator que nem mesmo por força de lei poderia garantir a imutabilidade da língua: o tempo; as gerações que se sucedem tendem a suprimir partes das palavras, tomemos por exemplo o pronome pessoal “você”, inicialmente era vossa mercê, tornou-se na geração seguinte “vois micê”,  depois você, que é a última forma acoplada ao dicionário, porém sendo usada correntemente pelo povo ainda existem “ocê”  e  “cê”, que pelo seu grande uso devem, sem demora, ser inseridas no dicionário.

Obviamente os escritores não devem se estagnar no tempo fazendo da leitura uma viagem ao passado carregada de expressões pouco conhecidas pelo povo o que a tornaria desagradável, porém não devem se render a cada novo neologismo tornando a leitura um código praticamente indecifrável para quem não acompanhar os modismos da língua.

O escritor deve ser o meio termo, o ponto de conciliação entre a linguagem oral e a escrita para que a linguagem coloquial não seja desvalorizada, desprestigiando, assim seus falantes, nem a escrita seja tida por arcaica e descartável, pois somente esta é capaz de unir em um só idioma potiguares e gaúchos e fazer com que todos se entendam.

Outras vertentes da comunicação que se têm  imposto e feito valer seu poder na forma de falar do povo de todo o país são o rádio e a televisão. Ambas ganharam espaço em todas as partes do país, fazendo com que  os grandes centros, os quais possuem o maior número de emissoras e com maior alcance de público, imponham a forma de falar dos mesmos. Qualquer pessoa, em qualquer parte do país, entende quase perfeitamente tudo o que um paulista ou um carioca dizem, o mesmo não sucedendo com os paranaenses, paraenses...

Os meios de comunicação escrita têm de se fazer valer da receita dos meios de comunicação falada, mesclando o coloquial ao formal conseguiram inserir o “dialeto” dos grandes centros em todo o país, com um prejuízo, imprensa  falada não alfabetiza, nivela Parafraseando Cecília Meireles, utilizemos um “pouco disto, sem esquecer daquilo” e com certeza a literatura além de nos unir ajudará muitos a crescer e conhecer um pouco mais de nosso próprio idioma.

        

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 20h51
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Não se esqueça do principal

 

 Toda eleição é a mesma coisa: candidatos proliferam-se como moscas. Cada qual mais entusiasmado com os próprios predicados que, diga-se de passagem, em sua imensa maioria não passa de retórica vazia e projetos que não saem do lugar comum.

Parece que há cada quatro anos há um surto de falta de lucidez e uma aridez de criatividade em níveis hercúleos. Os resultados disso são facilmente visíveis: ruas imundas transformadas em depósito de “santinhos” por cabos eleitorais despreparados (a maioria sequer conhece o candidato para quem trabalham, que dirá o plano de governo).

A falta de senso crítico generalizado  toma conta, começando pela parteira idosa que crê já estar eleita devido ao grande número de crianças que ajudou a trazer ao mundo, passando pela tia da escolinha de balé, cujo maior mérito é ensinar algumas piruetas à meia dúzia de infantes, até o peladeiro de final de semana que acha que seria um bom político porque é conhecido por todo mundo (como se política fosse concurso de popularidade)!

Pena que o que eles, e a maioria dos eleitores, se esquecem é justamente do principal: o projeto político. Todos tratam a política como se resumisse a um mero censo de popularidade, como já citei acima, quando na verdade é o contínuo exercício do zelo do bem comum, é a busca da excelência no trato da coisa pública.

O pior de tudo é ver que tal maneira de se conceber a política está tão entranhada na consciência coletiva que nem mesmo as novas gerações conseguem concebê-la de outra forma. Recentemente houve uma tentativa em diversas cidades de nosso Estado, inclusive em Cassilândia, de politizar nossos educandos, levá-los a se interessar pela vida pública por meio de um projeto denominado “Poderes Mirins”. Ato em si mesmo louvável, porém tão pretensioso quanto ingênuo. Passado o momento de euforia das eleições (do concurso de quem é o mais popular!) o projeto tornou-se autofágico e diluiu-se por si só, abandonado à própria sorte, uma vez que nem mesmo os próprios vereadores e prefeitos mirins tiveram a devida assistência para saberem exercer os mandatos que lhes foram outorgados.

Hoje, paira entre os colegas dos eleitos um ar de desconfiança e de falta de expectativa muito comum aos eleitores adultos. Sei que as intenções dos autores do projeto foram as melhores, mas, como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio; e parafraseando a fala de uma personagem do filme “Batman begins”: não é o que nós somos por dentro, mas o que nós fazemos que nos define. Logo tudo o que foi conseguido com tal projeto foi a antecipação entre as crianças do sentimento de frustração com a política e reforçar entre os políticos mirins um modelo do fazer político que ninguém mais suporta, pois de toda a euforia inicial só restaram decepção e promessas não cumpridas.

Assim o círculo vicioso continua a rodar e a tragar para si mais e mais adeptos, a cada geração novos “chupa-cabras” da coisa pública surgem buscando acomodar-se às tetas da máquina pública e dela tirarem proveito até a última gota, pois ao perceberem-se incapazes de manterem-se no poder inculcando no eleitor um novo olhar sobre a coisa publica acabam resignando-se ao modelo vigente e dançando conforme a música em vez de tentarem eles mesmos orquestrar um novo regime de coisas.

Tornou-se folclórico nas rodas de conversa, mas foi real; o desabafo do senador Eduardo Suplicy, então candidato à prefeitura de São Paulo, quando em plena Praça da Sé, diante de nada menos que um milhão de pessoas, bradou (em estilo nada peculiar ao dele) que a imensa maioria dos que lá estavam eram corruptores. Desceu vaiado sob o olhar desconsolado dos companheiros de chapa. Cercado pelos repórteres que queriam entender o que lhe ocorrerá, ele afirmou em tom assertivo: “Sei que perdi as eleições, mas lavei minha alma, enquanto os eleitores tratarem os candidatos como meio para se tirar proveito pessoal, em vez de porta-vozes do interesse coletivo, não há boa vontade política que dê jeito nesse país.”

Infelizmente, caro leitor eleitor, essa é a mais pura verdade, é impossível se passar este país a limpo esperando mudança de postura de cima para baixo. É uma lei da física, tudo deve ser erigido de baixo para cima para se manter de pé, por que com a política seria diferente? A mudança de mentalidade deve partir das massas, que são a base de nossa imensa pirâmide social, ou o povo começa a tratar a coisa pública como sendo de todos, ou àqueles que sabem que apenas “estão” no poder vão continuar tratando-a como se não fosse de ninguém. Aliás, se eles administrassem sua vida pessoal e seus negócios da forma como gerenciam a máquina pública, já estariam falidos há muito tempo.

Reflita, companheiro de jornada, e faça refletirem, a corrupção é um câncer que consome não só o órgão onde se localiza o tumor, mas todos os demais onde houver uma raiz lançada. É uma corrente, não há como fugir de suas conseqüências; dinheiro não cai do céu para ninguém, nem mesmo para políticos. Meu parco conhecimento me diz que a única provisão que cai do céu é chuva (dizem as escrituras que há muito tempo atrás choveu um pão meio diferente que tinha o nome de maná, mas o sujeito que providenciou isto com o Todo Poderoso tinha tanta moral que conversava com ele cara a cara, como creio que ninguém hoje em dia tem tanta intimidade com Ele...!). Logo, ou combatemos toda forma de corrupção ou jamais teremos um país realmente justo para todos. Ninguém em sã consciência queima dinheiro, quem patrocina candidato, quer favorecimento em licitações; quem arrecada fundos vultosos para campanha, quer fazer lobby; e quem gasta do próprio bolso mais do que teria de volta em curto prazo de forma lícita, quer se aproveitar do cargo para enriquecer ilicitamente.

As desculpas para tentar extorquir candidatos são as mais esfarrapadas: “são todos uns ladrões”, “ninguém faz nada mesmo”, “depois das eleições eles se esquecem da gente”. Contraditório é notar que quem mais sofre por causa disso são os primeiros a buscar satisfazer seus próprios interesses em detrimento do coletivo. Parece tudo arquitetado para se manter as coisas como estão.

Por outro lado, sabemos que fome e doença são necessidade prementes, que acabam levando pessoas trabalhadoras, honestas ao desespero e agirem contra suas próprias consciências, porém esse imediatismo só se torna vigente quando políticas públicas educacionais e econômicas capengas levam o cidadão a esse dilema. Bem, imediatismo é uma atitude infantil, típica de quem não tem maturidade ou meios para abrir mão de um bem menor hoje em favor de um maior amanhã. Então que os cidadãos que não passam por tamanhas restrições, como você, amigo leitor, que teve acesso a esse artigo, comecem a agir como sendo os adultos da grande família que é a sociedade, sejamos os irmãos mais velhos a discernir e esclarecer a todos, pelo bem de nossos irmãos caçulas, menores e indefesos.

Quem transforma seu voto em mercadoria de troca, em instrumento passível de barganha não é digno do direito que tem. Quem negocia seu voto, vende sua alma ao diabo, pois está dando uma procuração em branco a um mau caráter para fazer o que quiser do futuro de sua comunidade depois de eleito. Pense nisso.

 

Rogério Tenório de Moura

é licenciado em Letras pela UEMS,

especialista em Didática Geral

e em Psicopedagogia pelas FIC;

presidente em exercício do SISEC

(Sindicato dos Servidores Públicos

Municipais de Cassilândia).



Escrito por tenorio.moura às 20h42
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Penso, logo existo!

A máxima acima, embora proferida há séculos pelo filósofo Descartes, tornou-se mais atual que nunca na era da informação. O grande desafio hodierno não é ter acesso ao conhecimento, mas filtrá-lo; é saber selecionar aquilo que lhe útil e descartar aquilo que é mera elocubração, retórica vazia. Nossa intenção neste espaço é levá-lo a refletir sobre o contexto social, sobretudo brasileiro, como concebemos hoje, é abrir um canal de comunicação para quem quer reler o mundo a nossa volta. Ninguém é o suprasumo do conhecimento nem dono da verdade, justamente por isso sua participação é essencial. Não seja um mero expectador, entre para a vida, debata-a, concorde, discorde ... mas se faça presente; mostre ao mundo que você existe, pense! Um forte abraço fraterno.



Escrito por tenorio.moura às 20h16
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